Futebol na Ucrânia voltou “para lembrar pelo que estamos morrendo”, diz presidente da federação
O presidente da Federação Ucraniana, Andriy Pavelko, disse que o retorno do Campeonato Ucraniano será importante para o moral das tropas
O Campeonato Ucraniano foi retomado na última terça-feira, em meio à guerra com a Rússia que começou no fim de fevereiro. Uma decisão difícil, que teve o apoio do governo do presidente Volodymyr Zelenskiy e que, segundo o presidente da Federação Ucraniana, Andriy Pavelko, era importante para o ânimo do povo ucraniano, que ainda não vê uma luz no fim do atual conflito.
Shakhtar Donetsk e Metalist abriram os trabalhos no Estádio Olímpico de Kiev. As partidas serão realizadas na capital ou no oeste, relativamente mais seguro do que o leste, onde estão acontecendo os principais embates. Não haverá torcidas nas arquibancadas e os jogadores receberam orientações para correram a um abrigo antiaéreo quando o alarme tocar.
Não são as condições ideais para um torneio de futebol, mas, financeiramente, muitos clubes correriam o risco de desaparecer se ficassem parados por muito mais tempo. Por enquanto, apenas dois clubes não conseguiram disputar o Campeonato Ucraniano. O Mariupol, de uma das cidades mais atacadas da guerra, e o Desna Chernihiv.
E ainda há mais um motivo.
“Quando nossa seleção jogo contra a Escócia em junho (pelas Eliminatórias da Copa do Mundo), eu chorei assim que o hino começou a tocar. Eu simplesmente não conseguia acreditar”, disse Pavelko, em entrevista ao Guardian. “E será a mesma coisa dessa vez. O futebol é um sopro de ar fresco que lembra as pessoas pelo que estamos lutando e pelo que estamos morrendo”.
“Somos uma nação corajosa. Este é um passo importante para melhorar o moral dos civis e dos militares. Lembrá-los que eles têm um futuro. Eu me reuni com os árbitros recentemente e lhes dei uma simples mensagem: que cada participante colocará seu nome na história do futebol mundial. É um feito incrível que eles poderão compartilhar com seus netos e do qual os netos vão se gabar com seus amigos”, completou.
Para ilustrar a importância do futebol neste momento, Pavelko contou uma história. Em um hospital em Zaporizhzhia, que recebeu muitos refugiados de Mariupol, ele encontrou um garoto de 12 anos que sofreu 18 fraturas e tinha estilhaços no peito e na cabeça. O dirigente descobriu que ele estava jogando futebol pouco antes de ser retirado e que seu jogador favorito era Oleksandr Zinchenko.
Pavelko ligou imediatamente para um dos principais jogadores da seleção ucraniana, e o garoto, sem conseguir se mexer e com lágrimas nos olhos, bateu um papo com o seu ídolo. O presidente da federação afirmou que ele continuou sendo tratado na Alemanha e agora está aprendendo a andar novamente. E também pode voltar a assistir ao seu time favorito no Campeonato Ucraniano.


