Ainda em meio à guerra, Ucrânia retoma a sua liga nacional sem público e com jogos na capital
Com o país afetado pela guerra, o futebol ser retomado é um símbolo de alguma normalidade, mas com medidas de segurança
A guerra da Rússia contra a Ucrânia ainda está em andamento, mas os ucranianos retomarão a sua liga nacional mesmo assim. Ainda em meio à ameaça de ataques russos, que acontecem desde fevereiro, o Campeonato Ucraniano é retomado nesta terça como um lembrete que ainda é possível retomar ao menos uma parte da vida cotidiana.
O jogo de abertura da liga ucraniana foi entre Shakhtar Donetsk e Metalist no Estádio Olímpico de Kiev. É simbólico porque são dois clubes do leste da Ucrânia, região mais afetada no conflito com os russos, jogando no oeste do país – no caso deste jogo de abertura, na capital.
Todos os jogos serão na região mais a oeste do país, onde o confronto é menos presente, e sem público, mas com presença de militares ucranianos. Há protocolos para casos em que o alarme toque e os jogadores corram para o abrigo antiaéreo.
“Temos regras em caso de um alarme e devemos ir para baixo da terra. Mas acho que os times e os jogadores ficarão orgulhosos deste evento”, afirmou o capitão do Shakhtar, Taras Stepanenko, em entrevista à agência Associated Press. “Estamos prontos, somos fortes e acho que iremos mostrar ao mundo inteiro a vida ucraniana e a vontade de vencer”.
O governo ucraniano apoiou o retorno da liga de futebol no país. A escolha da data não é um acaso: esta terça é dia nacional da bandeira ucraniana e nesta quarta, 24, é a celebração da independência da Ucrânia da União Soviética, em 1991. A libertação em relação a Moscou é simbólica em diversos aspectos.
“Falei com nosso presidente, Volodymyr Zelensky, sobre como é importante o futebol para as pessoas se distraírem”, disse o presidente da Federação Ucraniana, Andriy Pavelko, ainda em junho, falando sobre o quanto a entidade estava comprometida em retomar a liga. “Falamos sobre como seria possível que o futebol poderia nos ajudar a pensar no futuro”.
A liga ucraniana estava em pausa de inverno quando a guerra começou e seria retomada em 25 de fevereiro, um dia depois da invasão russa ao país. Assim, a temporada 2021/22 foi interrompida e não foi retomada.
A liga ucraniana tem 16 clubes, mas dois deles não participarão: Desna Chernihiv e Mariupol, dois clubes de cidades que sofreram mais com a guerra e estão destruídas, sem condições de retomarem.
Todos os jogos serão em Kiev ou no lado oeste do país e será transmitido localmente no Youtube, em acordo com a transmissora Setanta. O valor total dos direitos de transmissão da liga ucraniana é de US$ 16,2 milhões por três anos.
Os clubes ucranianos voltaram a participar de jogos europeus, mas atuando fora do país, na Polônia e Eslováquia ou até Suécia, como medida de segurança para os clubes. O Shakhtar Donetsk está na fase de grupos porque era o líder quando a liga foi paralisada. Fará a estreia no dia 6 de setembro, quando começarem os jogos. O sorteio será na próxima quinta-feira, após a definição dos últimos classificados da fase preliminar.
O Shakhtar ficou conhecido por ser um clube com uma grande base brasileira, mas a guerra fez com que esses jogadores saíssem. Agora, o time tem muitos jogadores jovens e da base. Nenhum dos brasileiros permaneceu e a maioria dos jogadores é ucraniano.
São poucos os estrangeiros, como o Ucraniano Neven Djurasek, volante, o centroavante Lassina Traoré, de Burkina Faso, e o outro centroavante, Olarenwaju Kayode. Nesta segunda-feira, foi anunciado um acordo para contratar Lucas Taylor, ex-Palmeiras, que tem 27 anos e estava no PAOK. Ele manterá a tradição de brasileiros no clube.
“É claro, é um novo time. Nos sentimos confiantes porque jogamos por nosso país e pelas nossas pessoas”, afirmou ainda Stepanenko.


