Leste Europeu

Depois de 9 derrotas seguidas, clube tcheco quer que elenco passe por detector de mentiras

A fase do Baník Most, da segunda divisão tcheca, é tão ruim que os diretores do clube chegaram ao ponto de querer passar o elenco por um polígrafo. Com nove derrotas nas últimas nove rodadas da competição nacional, os atletas levantaram suspeitas entre os dirigentes de que estariam envolvidos em algum escândalo de resultados. Uma suposição perigosa a se fazer e que não passou despercebida pela FIFPro, organização que representa jogadores em todo o mundo.

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Em um comunicado, a FIFPro combateu a postura do clube tcheco, pediu para que os atletas do Baník Most se negassem a passar pelo teste e revelou que o elenco está sem receber desde março. “A FIFPro é completamente contrária ao uso de um detector de mentiras e fortemente recomenda a todos os jogadores que não cooperem com este teste. Os diretores do Baník Most estão tratando seus jogadores como potenciais suspeitos, mesmo que não pareça haver evidências claras. A FIFPro quer enfatizar que os jogadores são frequentemente vítimas de escândalos de manipulação. Jogadores profissionais podem estar envolvidas, mas o esquema raramente começa com eles”, dizia parte do texto.

A organização então questiona a validade do polígrafo e lembra que a falta de pagamentos, sobretudo em clubes menores, prejudica o dia-a-dia dos atletas, os deixando mais propensos a aceitar dinheiro externo para manipular resultados. “Muitos cientistas já criticaram o uso de um detector de mentiras. Eles não estão convencidos de que essa ferramenta é a forma mais precisa de determinar se alguém está dizendo a verdade ou mentindo. O fato é que os jogadores ficam mais vulneráveis à aproximação de manipuladores quando seus salários não estão sendo pagos e, consequentemente, estão passando por dificuldades financeiras. Portanto, a FIFPro fortemente aconselha os diretores do FC Baník Most a resolverem o problema antes de começar a retratar seus próprias atletas como criminosos”, completava o comunicado.

Antes do início da sequência de nove derrotas, o Baník Most já fazia campanha ruim. Havia vencido apenas três de seus jogos, empatando seis vezes e tendo perdido outras sete. Se em termos técnicos o time já não é tão qualificado, com os problemas de pagamento fica ainda mais difícil reagir, sobretudo quando se engata uma sequência negativa. É compreensível que em algum momento tenha passado pela cabeça de um dirigente a possibilidade de alguns atletas estarem envolvidos com manipulação, mas propor o uso de um polígrafo sem ter prova alguma é ofensivo e apenas coloca o grupo sob maior pressão – sem falar que tenta ignorar o fato de que o time simplesmente não é bom o bastante. Boa sorte para reverter a má fase depois dessa.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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