Leste Europeu

CEO do Shakhtar: “Somente unindo forças poderemos derrotar essa loucura”

Sergei Palkin, dirigente do Shakhtar, critica a invasão russa e diz que a Ucrânia irá resistir para vencer a guerra

O Shakhtar Donetsk fica em uma região separatista, que é dominada desde 2014 por forças apoiadas pelo governo russo. Até por isso, o clube se tornou itinerante e atualmente está na parte dominada por forças ucranianas, em Kiev, na capital. O CEO do clube, Sergei Palkin, comentou sobre a situação da guerra entre Rússia e Ucrânia, apoiou a resistência ucraniana e acredita que o país irá resistir à invasão russa e vencer.

VEJA MAIS: Salenko e mais: os jogadores que cruzaram as fronteiras e jogaram por Rússia e Ucrânia

“O país está em guerra. A Rússia fez uma grande invasão à Ucrânia. As pessoas estão sendo mortas. Não há palavras para descrever o que está acontecendo. A comunidade global tem que parar isso o mais rapidamente possível. Apelo aos clubes que jogamos, e são a maioria dos principais clubes da Europa, assim como a Uefa e dezenas de milhões de torcedores, para dar o máximo apoio à Ucrânia”, afirmou Sergei Palkin.

“Esta guerra diz respeito a todos os europeus. Somente unindo forças podemos derrotar essa loucura. Acredito que juntos vamos resistir e vencer. Vivi muitos momentos brilhantes com o Shakhtar, mas para mim, pessoalmente, a maior vitória da minha vida será vencer esta guerra pela independência da Ucrânia”.

Palkin, de 47 anos, ainda está em Kiev, que se tornou a base do clube, longe de Donetsk – que fica na região de Donbass, controlada por separatistas russos desde 2014. O estádio do clube, a Donbass Arena, inaugurada em 2009, se tornou alvo da guerra naquela época e não foi mais usado.

Desde julho de 2014, o Shakhtar deixou a sua casa e passou a mandar seus jogos fora de Donestk. Inicialmente, o clube passou a jogar na Arena Lviv, em Lviv, no oeste da Ucrânia, a 1200 quilômetros de Donetsk. No começo de 2017, o clube se mudou para jogar em Kharkiv, no Metalist Stadium, a 300 quilômetros ao norte de Donetsk. Foi quando a sede administrativa e os treinamentos foram mudados para Kiev, a capital ucraniana. Desde maio de 2020, o clube manda seus jogos no Estádio Olímpico de Kiev. Assim, o clássico contra o Dynamo se tornou um derby da cidade.

Segundo Palkin, o Shakhtar estava ajudando seus jogadores estrangeiros a deixar o país neste momento de guerra. “Os funcionários dos clubes ficaram em suas casas, em abrigos antibombas, porões, nas estações de metrô. Só lá onde é mais seguro. No momento, de acordo com os dados disponíveis, não houve vítimas entre os funcionários e suas famílias. Tentamos manter a comunicação interna, trocar informações e apoiar uns aos outros”.

“Todos os nossos pensamentos hoje são sobre o fim desta guerra louca. Sobre os soldados ucranianos, sobre aqueles que defendem nosso país e seu direito à soberania e independência. Acredito que juntos venceremos!”.

O Campeonato Ucraniano foi paralisado por 30 dias e ainda não se sabe como a situação irá ser resolvida. Em meio a um conflito violento entre forças russas e ucranianas, ainda é difícil dizer como o futebol poderá sobreviver ao conflito. Especialmente um clube como o Shakhtar, que precisou mudar temporariamente da sua sede para a capital ucraniana e já está fora de casa há praticamente oito anos.

Mostrar mais

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo