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Um café, uma conversa e uma boa dose de sorte: como Roberto Mancini se tornou técnico da seleção italiana

O ex-jogador Costacurta era dirigente da Federação Italiana e foi o responsável por sugerir o nome do técnico, mas tudo aconteceu por acaso em uma conversa tomando café

Depois que a Itália fracassou em chegar à Copa do Mundo de 2018 e demitiu o técnico Giampiero Ventura, a Federação Italian de Futebol (FIGC) precisava encontrar um novo caminho. Foi Alessandro Costacurta o responsável por sugerir o nome de Roberto Mancini. O ex-zagueiro contou que o encontro com o treinador foi quase por acaso, mas que bastou tomar um café juntos para saber que ele era o nome certo para dirigir a Azzurra.

Costacusta não sabia, mas ele tinha contratado o técnico que levaria a Itália a 34 jogos de invencibilidade e conquistaria o título da Euro 2020 nos pênaltis, contra a Inglaterra. O trabalho de Mancini era grande, mas ele apostou em diversos jogadores jovens e remontou a equipe, transformando em um time forte, que acabaria se tornando campeã.

Quando Mancini foi contratado para ser técnico, Alessandro Costacurta era vice-comissionário da FIGC. Ele era um dos responsáveis por buscar o novo comandante. Em fevereiro de 2018, alguns meses depois do deastre que a Itália viveu na repescagem das Eliminatórias contra a Suécia, Costacurta já decretava uma lista de candidatos: o treinadoir seria Antonio Conte, Roberto Mancini ou Luigi Di Biagio. A definição, porém, se daria por uma coincidência.

“Foi uma escolha quase por acaso”, disse Costacurta. “Roberto Estava em Roma com o Zenit, no mesmo hotel que eu. Em um café, nós começamos a conversar e imediatamente entendi que ele seria o técnico ideal, que nos daria jogo e uma dimensão internacional. Que ele nos tiraria do escuro, mesmo que eu não achasse que ele teria sucesso a esse ponto”.

Mancini foi anunciado em maio de 2018, pouco antes da Copa do Mundo da Rússia. Logo no começo do trabalho, ele disse algo curioso: “Pelo que vi na Copa, só o Brasil é melhor que nós”. Talvez aqui tenha havido um exagero: há outros ótimos times, especialmente na Europa, mas havia algo ali que o técnico tentava: mostrar que os jogadores italianos não eram ruins como se falava após o fracasso nas Eliminatórias da Copa para 2018.

Desde o começo do seu trabalho, a aposta foi em jovens. Tanto que ainda em 2018 ele convocou 31 jogadores, muitos deles ainda jovens e sem nem tanto espaço nos clubes, justamente para observá-los, porque ele viu talento. Nicolò Zaniolo, por exemplo, estava na lista e sequer tinha estreado ainda na Serie A. Outros, como Nicolò Barella, ainda no Cagliari, também já apareceu na lista. Em 2019, ele disse que a Itália poderia sim pensar em ganhar a Eurocopa. Aliás, mais do que isso: o sonho do treinador era conquistar a Euro e a Copa em sequência. Metade ele já realizou.

Aos poucos, ele mudou o jeito de jogar do time. Em fevereiro de 2020, ele decretou: “Os dias de futebol defensivo e de contra-ataque da seleção italiana acabaram”. Não era um exagero. Quem assistia aos jogos já constatava isso. Um dos principais jogadores do time, Jorginho, chegou a dizer que “havia um pouco de Brasil nesta Itália”. Claramente havia algo acontecendo ali. Houve quem não quisesse ver. Por isso, Costacurta elogiou muito o trabalho de Mancini.

“Na minha carreira, eu tinha o Leonardo da Vinci dos técnicos, Arrigo Sacchi. Bem, Mancini tem a mesma coragem e mostrou isso desde a sua estreia na Serie A. Roberto é um homem corajoso que incorpora muitos valores. É suficiente para ver esta Itália se tornar campeão sem ter estrelas absolutas”, continuou.

“Nós temos um visionário [Federico] Chiesa que mostrou que pode se tornar uma estrela. Então, há [Gianluigi] Donnarumma, um verdadeiro fenômeno, e o triângulo [Leonardo] Bonucci, [Giorgio] Chiellini e Jorginho que se provou decisivo”, analisou.

A Itália tem um time muito jovem e, por isso, Costacurta acredita que esse time que conquistou a Eurocopa ainda pode dar mais alegrias à torcida italiana. “Essa Itália pode nos dar alegria por ao menos outros 10 anos, com quatro ou cinco elementos que não são mais jovens, há muito material e Mancini sabe como extrair dele, ele conhece perfeitamente todos os jogadores das categorias de base, mesmo naquela conversa há três anos, ele começou a falar para mim sobre jogadores que foram fundamentais para o relançamento da seleção, e é por isso que eu imediatamente não tive dúvidas que ele seria a escolha certa”, contou ainda Costacurta.

A expecativa agora é para a Copa 2022. Como campeã europeia, a Itália mudou de patamar e chegará com muito mais expectativa. A quem já estava atento, a Itália já era uma candidata nesta Eurocopa. Veremos como será o trabalho de Mancini até lá. Até porque ele já disse que depois da Copa do Mundo pretende voltar ao trabalho de clubes.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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