Eurocopa 2024Itália

Um café, uma conversa e uma boa dose de sorte: como Roberto Mancini se tornou técnico da seleção italiana

O ex-jogador Costacurta era dirigente da Federação Italiana e foi o responsável por sugerir o nome do técnico, mas tudo aconteceu por acaso em uma conversa tomando café

Depois que a Itália fracassou em chegar à Copa do Mundo de 2018 e demitiu o técnico Giampiero Ventura, a Federação Italian de Futebol (FIGC) precisava encontrar um novo caminho. Foi Alessandro Costacurta o responsável por sugerir o nome de Roberto Mancini. O ex-zagueiro contou que o encontro com o treinador foi quase por acaso, mas que bastou tomar um café juntos para saber que ele era o nome certo para dirigir a Azzurra.

Costacusta não sabia, mas ele tinha contratado o técnico que levaria a Itália a 34 jogos de invencibilidade e conquistaria o título da Euro 2020 nos pênaltis, contra a Inglaterra. O trabalho de Mancini era grande, mas ele apostou em diversos jogadores jovens e remontou a equipe, transformando em um time forte, que acabaria se tornando campeã.

Quando Mancini foi contratado para ser técnico, Alessandro Costacurta era vice-comissionário da FIGC. Ele era um dos responsáveis por buscar o novo comandante. Em fevereiro de 2018, alguns meses depois do deastre que a Itália viveu na repescagem das Eliminatórias contra a Suécia, Costacurta já decretava uma lista de candidatos: o treinadoir seria Antonio Conte, Roberto Mancini ou Luigi Di Biagio. A definição, porém, se daria por uma coincidência.

“Foi uma escolha quase por acaso”, disse Costacurta. “Roberto Estava em Roma com o Zenit, no mesmo hotel que eu. Em um café, nós começamos a conversar e imediatamente entendi que ele seria o técnico ideal, que nos daria jogo e uma dimensão internacional. Que ele nos tiraria do escuro, mesmo que eu não achasse que ele teria sucesso a esse ponto”.

“Pelo que vi na Copa, só o Brasil é melhor que nós”. Talvez aqui tenha havido um exagero: há outros ótimos times, especialmente na Europa, mas havia algo ali que o técnico tentava: mostrar que os jogadores italianos não eram ruins como se falava após o fracasso nas Eliminatórias da Copa para 2018.

Desde o começo do seu trabalho, a aposta foi em jovens. Tanto que ainda em 2018 ele convocou 31 jogadores, muitos deles ainda jovens e sem nem tanto espaço nos clubes, justamente para observá-los, porque ele viu talento. Nicolò Zaniolo, por exemplo, estava na lista e sequer tinha estreado ainda na Serie A. Outros, como Nicolò Barella, ainda no Cagliari, também já apareceu na lista. Em 2019, ele disse que a Itália poderia sim pensar em ganhar a Eurocopa. Aliás, mais do que isso: o sonho do treinador era conquistar a Euro e a Copa em sequência. Metade ele já realizou.

Aos poucos, ele mudou o jeito de jogar do time. Em fevereiro de 2020, ele decretou: “Os dias de futebol defensivo e de contra-ataque da seleção italiana acabaram”. Não era um exagero. Quem assistia aos jogos já constatava isso. Um dos principais jogadores do time, Jorginho, chegou a dizer que “havia um pouco de Brasil nesta Itália”. Claramente havia algo acontecendo ali. Houve quem não quisesse ver. Por isso, Costacurta elogiou muito o trabalho de Mancini.

“Na minha carreira, eu tinha o Leonardo da Vinci dos técnicos, Arrigo Sacchi. Bem, Mancini tem a mesma coragem e mostrou isso desde a sua estreia na Serie A. Roberto é um homem corajoso que incorpora muitos valores. É suficiente para ver esta Itália se tornar campeão sem ter estrelas absolutas”, continuou.

“Nós temos um visionário [Federico] Chiesa que mostrou que pode se tornar uma estrela. Então, há [Gianluigi] Donnarumma, um verdadeiro fenômeno, e o triângulo [Leonardo] Bonucci, [Giorgio] Chiellini e Jorginho que se provou decisivo”, analisou.

A Itália tem um time muito jovem e, por isso, Costacurta acredita que esse time que conquistou a Eurocopa ainda pode dar mais alegrias à torcida italiana. “Essa Itália pode nos dar alegria por ao menos outros 10 anos, com quatro ou cinco elementos que não são mais jovens, há muito material e Mancini sabe como extrair dele, ele conhece perfeitamente todos os jogadores das categorias de base, mesmo naquela conversa há três anos, ele começou a falar para mim sobre jogadores que foram fundamentais para o relançamento da seleção, e é por isso que eu imediatamente não tive dúvidas que ele seria a escolha certa”, contou ainda Costacurta.

A expecativa agora é para a Copa 2022. Como campeã europeia, a Itália mudou de patamar e chegará com muito mais expectativa. A quem já estava atento, a Itália já era uma candidata nesta Eurocopa. Veremos como será o trabalho de Mancini até lá. Até porque ele já disse que depois da Copa do Mundo pretende voltar ao trabalho de clubes.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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