Mancini: “Os dias de futebol defensivo e de contra-ataque da seleção italiana acabaram”
Defenda como um italiano, ataque como um brasileiro. Há algumas décadas, isso era algo sempre muito almejado, porque a escola italiana de futebol era calcada em um jogo organizado defensivamente, normalmente com defesas fortes que fizeram a diferença nas grandes conquistas do time. Tetracampeã do mundo, a seleção italiana tem uma história com um futebol defensivo e, não por acaso, foi onde surgiu o Catenaccio. Essa característica, porém, ficou para trás. Ao menos para o atual técnico da Azzurra, Roberto Mancini.
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“Eu gosto de futebol ofensivo, eu sei que nós ganhamos quatro Copas do Mundo jogando do modo italiano, mas eu acho que nós podemos jogar de modo mais ofensivo hoje”, afirmou o técnico em entrevista. “Os dias de jogar um futebol defensivo e de contra-ataque acabaram”.
“Nós estamos orgulhosos de termos religado o amor dos italianos pela seleção nacional e com uma Eurocopa em junho, nós iremos tentar fazer nossos torcedores felizes”, continuou o treinador. “O futebol é um fator de unidade, se a seleção italiana jogar bem e a Itália vencer, eles ficarão felizes”.
“Quando eu ouço o hino italiano do banco, eu me sinto orgulhoso e feliz em ser italiano. Eu acredito que o nosso país é o mais bonito do mundo, nós vivemos no meio da beleza, nunca tem os tesouros artísticos e ambientais que nós temos”, continuou o treinador.
Roberto Mancini foi um jogador de alto nível, sempre mostrou talento, mas acabou tendo poucos jogos na carreira com a camisa da Azzurra. Foram apenas 36 jogos em 10 anos que serviu à seleção italiana. Agora técnico, Mancini diz que isso não irá acontecer no seu comando.
“Nós tentamos melhorar os muitos bons jogadores jovens italianos que a Serie A ofereceu e até aqui nós tivemos sucesso. Não é verdade que o futebol italiano sofre com falta de talentos, você precisa apenas ter coragem para deixá-los jogar. Eu prefiro um jogador menos disciplinado taticamente, como eu era, do que um mais regular, mas com menos talento”, disse o jogador.
“Eu tenho certeza que a seleção italiana terá um grande futuro, mesmo depois da Eurocopa e da próxima Copa do Mundo no Catar. Na Itália, há e sempre haverá bons jogadores: minha comissão técnica e eu procuramos por jogadores jovens, talvez com pouca experiência, mas certamente com muito talento”, disse ainda Mancini.
“Para um técnico, vencer a Copa do Mundo ou a Eurocopa é certamente o melhor. Há um grande entusiasmo pela seleção nacional e trazer as pessoas mais perto para virem ao estádio e verem a Itália é um motivo para orgulho para todos. Depois de um ano de trabalho, também agradeço à química certa que foi criada dentro do grupo, nós montamos um time que joga futebol. Nós temos sorte”, declarou ainda o treinador. “Conseguimos dar uma identidade ao time”.
A Itália volta a campo para amistosos em março. No dia 27, joga contra a Inglaterra e no dia 31 contra a Alemanha. Depois, volta a se reunir no fim de maio, já com o grupo que vai para a Eurocopa, fará amistosos contra San Marino no dia 29 de maio e contra a Tchéquia no dia 4 de junho. No dia 12 de junho a Itália estreia na Eurocopa em Roma, contra a Turquia.



