Itália

Quem é pupilo de Arteta que deixou o Arsenal para fazer história na Itália

Aos 30 anos, espanhol mais jovem a comandar um time da Serie A desde 1939 fala sobre deixar Arteta e os desafios de ser um técnico jovem

Carlos Cuesta deixou o Arsenal e a tutela de Mikel Arteta para fazer história. Desde que saiu das asas do mentor para ser treinador principal do Parma, se tornou o técnico mais jovem da Serie A desde 1939.

Aos 30 anos, já viveu metade da vida dentro do jogo. Em junho, o espanhol assumiu o Parma e coroou uma trajetória acelerada, construída com método, obsessão e pouco espaço para distrações.

“Sentia que precisava treinar”, diz Cuesta, em entrevista ao jornal inglês “Guardian”, ao explicar como ainda adolescente percebeu que aquele seria seu caminho. “Era quase uma necessidade interior.”

A trajetória de Cuesta: de desejo adolescente ao Arsenal de Arteta

A oportunidade em Parma veio após cinco anos no Arsenal, onde trabalhou como um dos principais assistentes de Mikel Arteta. Ali, deixou de ser apenas um jovem estudioso do jogo para se tornar um treinador visto internamente como parte essencial do projeto que recolocou o clube entre os protagonistas da Premier League. A decisão de sair, no entanto, esteve longe de ser simples.

“Foi talvez a decisão mais difícil da minha vida. Eu estava incrivelmente feliz no Arsenal, em um projeto que só crescia, com pessoas incríveis. E, sobretudo, com alguém que foi muito importante para mim, que é o Mikel“, admitiu ao Guardian.

Cuesta pelo Arsenal
Cuesta pelo Arsenal (Foto: Imago)

Cuesta não esconde o peso que Arteta teve em sua formação — nem o vínculo que permanece. “Ele sempre me apoiou durante todo o processo e ainda apoia”, afirma.

“Não consigo falar bem o suficiente sobre quem ele é, não só como treinador, mas como ser humano”, elogiou. No Arsenal, seu papel inicial foi o de treinador de desenvolvimento individual, trabalhando diretamente com jogadores em aspectos específicos do jogo.

Cuesta chegou com apenas 25 anos a um vestiário experiente, em um momento delicado da reconstrução pós-Arsène Wenger. A estratégia foi clara: observar antes de intervir.

“Tentei ouvir muito, falar apenas quando achava que podia agregar valor. Quando o jogador sente honestidade, boas intenções e valores claros, ele te respeita“, contou o treinador.

A cena registrada na série documental do clube, “All or Nothing”, da Amazon Prime, em que Cuesta conversa de forma direta e confiante com Ben White sobre seu potencial, virou símbolo dessa abordagem: proximidade sem concessões, clareza sem arrogância.

Antes do Arsenal, Cuesta já havia acumulado passagens formativas pelo Atlético de Madrid — que ele chama de “universidade” — e pela Juventus, onde trabalhou com as equipes sub-17 e sub-23.

“Se o Atlético foi a universidade, a Juventus foi o mestrado. Aprendi muito sobre detalhe, sobretudo nos aspectos táticos e defensivos.”

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e junte-se à nossa comunidade. Receba conteúdo exclusivo toda semana e concorra a prêmios incríveis!

Já somos mais de 4.800 apaixonados por futebol!

Ao se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Juventude, gestão e o presente no Parma

No Parma, Cuesta lidera um dos elencos mais jovens das cinco principais ligas europeias, em um contexto que exige pragmatismo. A luta contra o rebaixamento impõe limites ao idealismo que costuma acompanhar treinadores emergentes.

“Você tem suas crenças sobre o jogo, mas precisa entender o que o contexto exige. Nem sempre dá para fazer o que você gosta. Você precisa fazer o que é necessário.”

Essa flexibilidade, segundo ele, define treinadores capazes de sobreviver e evoluir. “Quanto maior o seu repertório e a sua capacidade de convencer os jogadores, melhor você será.”

A juventude pode ajudar na empatia com o grupo, mas Cuesta evita romantizar o tema. “Talvez a idade ajude na conexão, mas o que sustenta tudo é a mentalidade competitiva”, afirma. “Os jogadores têm sido incríveis. Estão crescendo.”

Leitor voraz, ele busca referências fora do futebol — do “Tao Te Ching” ao livro “Sacred Hoops”, de Phil Jackson — e abandonou a obsessão por símbolos de sucesso futuro. A imagem da Champions League que já foi papel de parede do celular ficou no passado.

“Hoje, a única coisa que tenho é o presente. Neste trabalho, você precisa reformular o conceito de tempo. O hoje é tudo.”

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo