Itália

Pioli demitido do Milan: por que é a hora certa de mudar

Após quase cinco anos no cargo, técnico italiano deixa Rossonero com legado, mas desgastado por desempenho recente

Chegou ao fim a passagem de Stefano Pioli pelo Milan, conforme anunciado pelo clube nesta sexta-feira (24). A despedida será neste sábado, contra a Salernitana, no San Siro, na última rodada da Serie A 2023/24, o 240º jogo sob comando do técnico de 58 anos.

A passagem iniciou em outubro de 2019, substituindo Marco Giampaolo. Desde lá, fez o clube Rossonero voltar à Champions League pela primeira vez em sete anos na temporada 2021/22, mesma temporada que conquistou o primeiro Scudetto desde 2011.

– O Milan agradece carinhosamente a Stefano Pioli, e a toda a sua equipa, por ter liderado o time principal nesses quase cinco anos, obtendo um Scudetto que permanecerá inesquecível e por trazer o Milan de volta definitivamente às mais importantes competições europeias. Stefano, com o seu profissionalismo e humanidade, soube valorizar o plantel e encarnar os valores fundamentais do clube desde o primeiro dia – agradeceu o Rubro-Negro no site oficial.

Com Pioli, o Milan também chegou a semifinal da Champions em 22/23, quebrando um tabu de 16 anos sem estar entre os melhores quatro times da Europa.

Foram muitos altos, mais do que baixos, mas era a hora de encerrar a passagem e o clube buscar um novo caminho após o time ter estagnado.

O Scudetto aumentou a expectativa em cima do Milan, mas nível não foi mantido

A conquista da Serie A 21/22 marcou o renascimento de um gigante. A campanha, emocionante e só decidida na rodada final, aumentou a expectativa para temporada seguinte e fez parecer que o clube voltaria aos anos de glórias que se acostumou nas décadas anteriores.

Porém, faltou Pioli conseguir tirar mais do elenco e se manter competitivo no cenário doméstico.

É verdade que isso também casou com dois times espetaculares que foram campeões na Itália nos últimos anos. O Napoli de Luciano Spaletti de 22/23 foi absoluto, praticamente do início ao fim, mas não pode normalizar ver o Milan, em quarto, terminar 20 pontos atrás do primeiro — número justificado, em parte, pelo foco na Champions.

Na atual temporada, a Internazionale de Simone Inzaghi, outro time que jogou muita bola, pode abrir vantagem até maior, já que com uma rodada a disputar tem 19 na frente do rival de Milão.

Em ambos os casos, o Rossonero foi um mero coadjuvante. Nem sequer flertou em lutar ponto a ponto com algum dos rivais. Até a irregular Juventus conseguiu atrapalhar, por pelo menos metade da temporada, a atual Inter e manter distância curta antes de cair drasticamente de rendimento.

A Copa da Itália não foi um grande foco de Pioli, tanto que o time nem alcançou a decisão no período. Até chegou a ficar próximo da final na temporada de estreia, quando vencia a Juve na semifinal, mas um gol de Cristiano Ronaldo nos acréscimos deu a classificação para os Bianconeri.

Na outra semi com o técnico italiano, em 21/22, tomou três da Inter na ida e não conseguiu reverter a desvantagem. A mesma rival eliminou o time na temporada anterior. Também caiu para Torino (2023) e Atalanta (2024).

Apesar de semi, desempenho na Europa teve mais decepções do que glórias

Levar um time que não era nem de perto favorito ao título para semifinal de uma Champions foi um feito absurdo para Pioli.

Após passar em segundo na chave que tinha Chelsea, RB Salzburg e Dinamo Zagreb, o Milan eliminou Tottenham e Napoli, em ambos duelos sem ser favorito. Na semi, a Inter voltaria a castigar o rival.

Nos outros anos, porém, caiu já na fase de grupos da Champions. Em 21/22, o marcante retorno, ficou na lanterna e sem chance de jogar também a Liga Europa.

Já na atual temporada, ficou em terceiro e foi para o segundo escalão europeu, onde foi eliminado pela Roma, com Daniele de Rossi em poucos meses no cargo. 

Também atuou na Liga Europa de 20/21, caindo para o Manchester United ainda nas oitavas.

Base do elenco mantida e reforços não foram o suficiente

Dos jogadores que foram essenciais para conquista do Scudetto em 2022, Pioli só perdeu Franck Kessié, que saiu de graça para o Barcelona meses depois, e Sandro Tonali, este só em 2023, rumo ao Newcastle. Vale citar que Zlatan Ibrahimović se aposentou no período, mas a importância do sueco era mais voltada ao extra-campo.

Ou seja, toda a base de destaques, como Mike Maignan, Rafael Leão, Fikayo Tomori, Theo Hernandez e Pierre Kalulu, foi mantida. Ainda com a adição de investimentos altos.

Na temporada seguinte ao título, trouxe Charles De Ketelaere, por 36 milhões de euros, e Malick Thiaw, por oito, além de adquirir Junior Messias em definitivo.

Depois, para 23/24, foram investidos 121 milhões de euros, segundo o Transfermark, para as chegadas de Samuel Chukwueze, Christian Pulisic, Yunus Musah e outros.

Mesmo com a base do elenco mantida e a chegada de vários reforços, Pioli não conseguiu manter um time capaz de competir pelos títulos locais.

Quem vai substituir Pioli no Milan?

Há muitos nomes badalados no mercado de transferências de técnicos. Thomas Tuchel, Roberto De Zerbi, Xavi Hernández e Hansi Flick são alguns deles. Mas o Milan não buscará um nome midiático para substituir Stefano Pioli.

O português Paulo Fonseca, de saída do Lille após dois anos no cargo, é o favorito, conforme aponta a imprensa europeia.

O jovem técnico de 51 anos, nascido em Maputo, Moçambique, também passou por Porto, Braga, Shakhtar Donetsk e Roma. Até hoje, conquistou três Campeonatos Ucranianos, uma Copa de Portugal e uma Supercopa Portuguesa.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.
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