Itália

Messi no Milan? Maldini revela tentativa de levar craque argentino para a Serie A

Ex-diretor do Milan, o lendário defensor Paolo Maldini contou sobre a sua atuação como dirigente, sua carreira como jogador e como quase foi para a Copa 2006

Um dos nomes mais lendários da história do Milan e do futebol italiano, Paolo Maldini, deu uma ótima entrevista que contou sobre a sua vida como diretor de futebol, que exerceu no Milan, incluindo a tentativa de levar Lionel Messi para o clube rossonero. Em conversa com Giacomo Poretti no PoretCast, Maldini falou sobre a sua vida, sua carreira, tanto como jogador quanto como diretor.

Após pendurar as chuteiras como jogador, Maldini se tornou diretor de desenvolvimento do Milan em 2018 e em 2019 assumiu como diretor técnico. Essencial na conquista do Scudetto 2021/22, Paolo Maldini deixou a diretoria do Milan após conflito com proprietários em junho.

A tentativa de levar Messi para San Siro

Em 2021, havia uma incerteza em relação a Lionel Messi, que estava no fim do seu contrato com o Barcelona. Inicialmente, a renovação ia acontecer, mas o clube catalão informou ao jogador que não poderia o registrar pelo salário e o argentino precisou procurar um destino.

Diante de um cenário tão incerto, Maldini tentou fazer com que Messi fosse para San Siro, mas não para a rival, como estava especulado. “Por 10 dias, tentei trazer Messi para o Milan, mas então percebi que era impossível”, afirmou o ex-diretor do Milan. “É tarde demais agora, mas um jogador como Messi é um espetáculo para qualquer um que assiste. Quando eu li que ele poderia ir para a Inter, fiquei assustado”.

Messi deixou o Barcelona e acertou com o único clube que poderia bancar o seu salário na época e estava disposto a isso: o Paris Saint-Germain. A passagem pelo argentino por Paris não foi exatamente marcante, ainda que seus números de gols, assistências e grandes atuações tenha sido significativo. Os fracassos na Champions League é que marcaram.

Depois de dois anos, Messi acertou a sua transferência para o futebol da MLS e, em julho foi anunciado pelo Inter Miami, clube que passou a defender nesta temporada. Ele segue na seleção argentina, com quem conquistou o título mundial no final de 2022, na Copa do Mundo do Catar.

Jogador de um time só: por que Maldini nunca saiu do Milan?

Maldini pelo Milan contra a Inter de Ronaldo em 1998 (Icon Sport)

Paolo Maldini jogou a carreira inteira no Milan. Subiu para o time profissional em 1985, ainda muito jovem, e jogou até 2009, quando se aposentou com uma lista grande de títulos. Lateral esquerdo no início da carreira, Maldini se transformou em zagueiro e fez 901 jogos com a camisa do Milan.

“É difícil encontrar alguém que comece e termine a carreira no mesmo clube, mas na minha época, ir para o exterior não estava muito na moda e eu tive sorte de ter um presidente com Silvio Berlusconi que tinha os mesmos objetivos que eu”, contou Maldini.

“Comecei com Franco Baresi e Beppe Bergomi, e terminei com Alexandre Pato e Andrea Pirlo, então vivi muitas gerações diferentes de jogadores. Eu diria que a principal mudança ao longo do tempo tem foi a pressão, especialmente nas redes sociais”.

“Às vezes famílias podem colocar pressão demais nos jovens também e eles não conseguem lidar. O futebol é um esporte coletivo, você tem que pensar não apenas em si mesmo, mas no time, mesmo que isso signifique trabalhar um pouco mais duro porque seu companheiro está tendo um dia ruim. Não acho que os jogadores jovens percebem o poder que eles têm sobre os torcedores”, analisou Maldini.

Maldini ainda lembrou de momentos de grandes jogos, como a semifinal contra a Inter de Milão na Champions League em 2003, e do que ele sente falta. “Uma vez que você chega a uma certa idade e experiência, você quer esses grandes jogos. Quando as pessoas me perguntam o que mais sinto falta, respondo que a atmosfera do vestiário, aquela mistura de medo e empolgação antes da partida. O contato e a adrenalina alta que você tem do público”.

Quase ida para a Copa 2006 e a dor de perder a Champions de 2005

Paolo Maldini na Copa do Mundo de 1994 pela Itália (Icon Sport)

Maldini se tornou uma lenda como jogador e atuou em quatro Copas do Mundo: 1990, em casa, quando a Azzurra foi até a semifinal; 1994, quando a seleção foi finalista; 1998, quando o time caiu nas quartas de final para a campeã França; e 2002, quando a Itália caiu nas quartas de final de forma controversa para a Coreia do Sul. Só que Maldini ficou perto de estar também em 2006, quando a Itália ganhou a Copa — algo que ele, como jogador, não conseguiu.

“Em 2006, Marcelo Lippe veio me convocar para estar no elenco. Eu disse a ele que não conseguiria, já estava começando a sentir algumas dores, queria estar no meu melhor nos últimos anos da minha carreira”, contou o lendário defensor. “Então eles ganharam o título, então eu passei a dizer que depois de quatro Copas do Mundo, eu era o problema”, brincou Maldini, ao contar a história rindo.

A Copa de 2002, a despedida de Maldini da Azzurra, foi cercada em polêmica e controvérsia. A eliminação diante da Coreia do Sul teve decisões no mínimo bem questionáveis da arbitragem. Foram dois cartões vermelhos — um deles para Totti que foi inacreditável — e dois gols anulados.

“Eu sabia que, ao ir para a Copa do Mundo de 2002, seria a minha última experiência com a Nazionale, então ser eliminado assim foi um fim abrupto para uma experiência maravilhosa. Jogar pela Itália, ouvir o hino nacional, essa é lima experiência que te emociona. Então, acabar aquela experiência pelas mãos do árbitro Byron Moreno…”, lamentou Maldini.

“Em 2002, os times não eram obrigados a apertas as mãos antes dos jogos. Mas antes daquele jogo, Damiano Tommasi se ofereceu para apertar a mão do árbitro e ele recusou. Ali nós percebemos que algo estava errado”.

Poucos anos depois, em 2005, Maldini viveu uma outra experiência de eliminação traumática, mas essa não por erros de arbitragem, e sim pelo maluco empate sofrido diante do Liverpool, na final da Champions League, que levou a partida para os pênaltis, quando os ingleses ficaram com a taça. Depois de abrir 3 a 0 ainda no primeiro tempo, os italianos viram uma reação rápida dos Reds, que empataram, levaram para os pênaltis e saíram com a taça.

“Eu marquei um gol em Istambul com 40 segundos. Depois daquele gol, eu pensei, ‘isso é estranho, eu fazer um gol em um jogo de Champions League depois de 40 segundos’. Algo claramente não estava certo ali”, brincou novamente Maldini.

Apesar dessa derrota dolorida, Maldini tem muito mais memórias positivas. Jogou oito finais do principal torneio de clubes da Europa e venceu cinco.

Diretor sim, técnico jamais

Palo Maldini como diretor do Milan (Icon Sport)

“Há uma enorme diferente entre a forma que você vive um jogo como jogador ou como diretor. O pior é quando você está nas arquibancadas, você sofre com o resultado e não pode influenciar nisso. Eu fico terrivelmente agitado. Ricky Massara sofria também, porém mais silenciosamente”, contou Maldini.

Embora goste da carreira no futebol fora de campo, tem algo que o Maldini não quer: ser técnico. “Nunca serei técnico” Vi meu pai, que sempre tinha uma mala, então que vida é essa. Quando me aposentei, ao menos eu sabia o que não queria fazer”, contou.

Como diretor, Maldini gostou do seu papel, inclusive por passar a experiência e conhecimento aos jogadores, incluindo nomes como Rafael Leão, que foi ele quem contratou. “Ele me pediu se poderia divulgar o seu disco dois dias antes de um jogo grande, então disse a ele para marcar dois gols. Ele não marcou, mas ao menos ele fez uma assistência”, contou Maldini.

“Leão chegou do Lille, ele era um grande talento, mas ele ainda tinha tudo para provar. O entrosamento com os jogadores é o que fica com você, mais do que troféus ou vitórias. Você está à disposição deles para ajudar esses rapazes a crescer”, disse o ex-defensor.

Há especulações que Paolo Maldini pode trabalhar no Manchester United, porque Jim Ratcliffe, que se tornará novo acionista minoritário e irá comandar o futebol do clube, quer trabalhar como italiano como diretor em Old Trafford.

Maldini foi perguntado sobre o seu futuro, mas como é esperado, ele não quis dar nenhuma dica, só lembrando da sua saída bastante amarga do Milan. “Eu penso nisso de vez em quando. Quando fiz 50 anos, pensei que estou no meio do caminho e seria, sinceramente, um bom resultado… Em teoria, sou um aposentado, ou ao menos estou assim desde o último verão”, disse Maldini, se referindo à sua demissão.

Resta saber se Maldini decidirá levar a sua experiência para outro lugar. Pelo que fez no Milan, há boas razões para acreditar que ele pode fazer um bom trabalho também em outro clube.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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