Itália

Baggio: ‘As crianças não brincam mais nas ruas e há poucos italianos na Serie A’

Ídolo italiano refletiu sobre crise no futebol italiano após Azzura ficar de fora da terceira copa consecutiva

A ausência da Itália na Copa do Mundo pela terceira vez consecutiva tem gerado debates sobre a crise da Azzurra, contando com a opinião de campeões mundiais sobre a formação de jogadores.

Para o ídolo italiano Roberto Baggio, a falta de contato por parte das crianças e a internacionalização dos jogadores tem contribuído para a ausência de uma geração com novos talentos no esporte.

— Há tantas coisas que precisam ser corrigidas. As crianças não brincam mais nas ruas e há poucos italianos na Série A. Se você precisa ir buscar um jogador em outro lugar e naturalizá-lo, significa que você não encontrou um jogador italiano pronto para jogar no mesmo nível — afirmou em entrevista ao “Corriere della Sera”.

Jogadores italianos cabisbaixos após eliminação para Bósnia
Jogadores italianos cabisbaixos após eliminação para Bósnia (Foto: Daniele Buffa / Gribaudi/ImagePhoto / Imago)

Para o ex-jogador, finalista da Copa do Mundo de 1994 e vencedor da Bola de Ouro de 1993, o país precisa “criar uma fórmula” que incentive os jovens italianos a se desenvolverem no futebol.

— Precisamos criar uma fórmula que realmente incentive o uso de jovens italianos. O talento ainda existe, mas precisa ser descoberto, protegido e nutrido. E precisamos ter a coragem de confiar nele — explicou.

Baggio também voltou a falar sobre Copas do Mundo. O único italiano a marcar gols em três edições diferentes não escondeu o impacto em sua vida do pênalti perdido na final contra o Brasil, em 1994, que resultou no tetracampeonato brasileiro.

— Eu me sentia culpado. Queria desaparecer. Foi uma vergonha imensa, uma daquelas coisas que ficam para sempre. Ao longo dos anos, você aprende a conviver com ela, mas não é algo que realmente se fecha. Essa bola ainda está suspensa para mim em um lugar difícil de descrever. Às vezes, até acordo na cama, imagino que marquei um gol… e adormeço — confessou.

Roberto Baggio Itália
Roberto Baggio após a derrota da Itália na final da Copa do Mundo contra o Brasil em 1994Foto: IMAGO / WEREK

Como Itália tenta se reestruturar?

Após a eliminação na repescagem da Copa, a seleção italiana passou por mudanças em toda a comissão técnica. Pressionado, Gennaro Gattuso deixou o comando da Azzurra (função que ocupava desde 2023), assim como Gianluigi Buffon encerrou a sua participação como chefe de delegação italiana.

— É justo deixar para quem vier depois (próximo presidente da FIGC) a liberdade de escolher a pessoa que considerar mais adequada para ocupar o meu lugar. Representar a seleção nacional é para mim uma honra e uma paixão que me domina desde que eu era criança — escreveu Buffon.

Para os próximos ciclos, a Azzurra tem sonhado com a contratação de Pep Guardiola, treinador do Manchester City, segundo a “Gazzetta dello Sport”.

Conte no comando da Itália durante a Euro 2016 (Foto: Imago/AFLOSPORT)
Conte no comando da Itália durante a Euro 2016 (Foto: Imago/AFLOSPORT)

No entanto, em um cenário mais realista, Antonio Conte, do Napoli, e Massimiliano Allegri, do Milan, também surgem como opções. Assim como Roberto Mancini, campeão da Eurocopa com a Itália em 2021.

No caso de Conte, o próprio treinador sinalizou positivamente à ideia. Mesmo com contrato até junho de 2027, Conte afirmou que ainda irá se reunir com Aurelio De Laurentiis, dono dos Azzurri, ao final da temporada para discutir seu futuro, mas indicou que se colocaria à disposição para assumir a equipe nacional.

O desejo, inclusive, foi corroborado pelo próprio dirigente do Napoli. De Laurentiis também deu sinal verde para o técnico italiano retornar à seleção caso pedisse.

— Se eu fosse o presidente da Federação, eu me consideraria, junto com outros, por muitos motivos. Já estive na seleção e conheço o ambiente. Me lisonjeia porque é algo lindo representar o seu país — admitiu Antonio Conte.

Foto de Carol Guerra

Carol GuerraRedatora de esportes

Jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), com passagens pelo Globo Esporte, Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco. Apaixonada por futebol feminino e esportes olímpicos.

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