Maldini: ‘Ficar fora de uma Copa é aviso, duas é crise, mas três seguidas… é fracasso total’
Ídolo do Milan e da seleção italiana critica perda de identidade da Azzurra após nova ausência em Mundial e vê fracasso além do campo
A nova eliminação da Itália, desta vez diante da Bósnia nos pênaltis, em plena repescagem, abriu mais uma ferida profunda no futebol do país. Fora de sua terceira Copa do Mundo consecutiva, a Azzurra afunda numa crise que já deixou de ser circunstancial há algum tempo. E poucas vozes carregam tanto peso para tratar do tema quanto a de Paolo Maldini, um dos maiores símbolos da seleção italiana e do Milan.
Em entrevista ao “Planeta Milan”, o ex-zagueiro não escondeu a frustração com o cenário atual e classificou o momento como um colapso esportivo e cultural. Ao comentar mais uma ausência em Mundiais, Maldini foi direto ao ponto:
— Itália, um fracasso total… A ausência em três Mundiais consecutivos é um fracasso total… Já não vejo a vontade que existia antes.
Crítica de Maldini à Itália vai além da eliminação em si
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Na leitura de Maldini, o problema da Itália não pode ser reduzido a uma disputa mal resolvida ou a uma geração menos talentosa. Para ele, o tamanho da queda está ligado à repetição do fracasso e à incapacidade de reagir com a urgência que a camisa exige.
Por isso, ao ampliar sua análise, o ex-capitão usou uma frase que resume bem o sentimento de ruptura vivido pelo país: “Ficar de fora de um Mundial é um aviso, ficar de fora de dois é uma crise, mas três seguidos… isso é um fracasso total”.
A crítica mais dura, porém, aparece quando Maldini compara a mentalidade da sua geração com a atual. Sem citar nomes, ele sugeriu que a seleção perdeu traços que durante décadas foram quase inegociáveis no futebol italiano. Ao lembrar o ambiente competitivo de sua época, afirmou:
— Na minha época, o espírito era tudo… Disciplina, sacrifício e respeito pela camisa eram coisas indispensáveis… Mas quando faltam orgulho, responsabilidade e identidade… isto já não é a Itália.
A declaração ajuda a explicar por que a crise é vista por muitos ex-jogadores como algo estrutural, e não apenas técnico.
No fim, Maldini recolocou o debate em torno do peso simbólico da Azzurra, justamente num momento em que a seleção parece cada vez mais distante da imagem que construiu ao longo da história. Ao falar sobre o significado de defender a tetracampeã mundial, o ex-zagueiro externou o “mantra” que guia a seleção — ou que, pelo menos, era para guiar.
— Quando se veste a camisa da seleção italiana, não significa apenas jogar… Significa carregar consigo a história, a responsabilidade e o orgulho.
A eliminação para a Bósnia também abriu a primeira etapa de uma ampla reformulação no futebol italiano. Nos dias seguintes ao fracasso na repescagem, o técnico Gennaro Gattuso entregou o cargo, enquanto o presidente da Federação Italiana de Futebol (FIGC), Gabriele Gravina, renunciou após forte pressão popular em todo o país. Na sequência, Gianluigi Buffon também deixou o posto de diretor de seleções.