Inglaterra

Raúl Jiménez, recuperado de grave lesão na cabeça: “Nunca pensei em encerrar a minha carreira”

Recuperado de lesão, Raúl Jiménez contou sobre o risco de morte, o contato com o ex-goleiro Petr Cech e a vontade de recuperar a boa fase de antes da lesão

Raúl Jiménez voltou a jogar profissionalmente nesta temporada pelo Wolverhampton, depois de uma lesão terrível que viveu em 2020. O choque de cabeça com David Luiz levou a uma fratura no crânio que não só arriscou encerrar a sua carreira, mas fez com que ele corresse sério risco de vida. Em entrevista nesta terça-feira aos jornalistas, o atacante mexicano contou sobre a confiança que iria voltar, o risco que os médicos disseram que ele correu. Também revelou contato com Petr Cech, que sofreu uma lesão séria na cabeça e jogou até o fim da carreira com uma proteção.

“Desde o primeiro momento, os cirurgiões e os médicos me disseram o que aconteceu e os riscos. Às vezes não é o que você quer ouvir, mas é o trabalho deles. Me disseram que era um milagre eu estar aqui”, contou o mexicano, em entrevista nesta terça-feira.

“O osso quebrou e havia um pouco de sangramento dentro do meu cérebro. Foi por isso que a cirurgia teve que ser rápida e foi um trabalho muito bom dos médicos”, continuou o atacante. “Desde o começo, eles me apoiaram muito. A fratura de crânio levou um pouco mais de tempo do que todos esperávamos para curar e é realmente um milagre para mim estar aqui com vocês”.

Havia muitas dúvidas se Jiménez teria condições de voltar a atuar profissionalmente, ainda mais em um esporte que exige tanto fisicamente e tem muitos toques de cabeça. Ele sofreu a lesão no dia 29 de novembro, em um jogo contra o Arsenal. Levado ao hospital, foi operado com urgência e ficou em observação.

Em maio, Jiménez já estava em uma etapa avançada de recuperação, fazendo treinamentos leves com a seleção mexicana. O atacante se apresentou ao técnico Bruno Lage para a pré-temporada, em julho, e voltou a jogar, oito meses depois da lesão. Voltou a balançar as redes diante do Stoke, em amistoso preparatório.

Proteção na cabeça: “Preferia não usar, mas sigo orientação dos médicos”

Jiménez usa uma proteção especial na cabeça, similar ao que o goleiro Petr Cech usou depois de um choque na cabeça em jogo pelo Chelsea contra o Reading. Passou a usar uma proteção por toda a sua carreira. O mesmo acontecerá com Raúl. O atacante disse que nunca passou pela sua cabeça parar de jogar futebol profissionalmente.

“Eu sempre pensei que era talvez como uma lesão de tornozelo ou de joelho, que depois da minha recuperação estaria de volta para fazer o que eu amo”, disse Jiménez. “Nunca pensei em encerrar a minha carreira, em parar de jogar. Houve uma chance disso acontecer, mas eu sempre estive confiante que eu iria retornar”.

Jiménez contou que Cech entrou em contato com ele. “Eu estive em contato com Petr. Ele me mandou mensagem quando eu precisava, quando eu queria, ele estava lá”, contou o atacante. “Uma vez, quando o time foi para um jogo em Londres, ele foi ao hotel com o médico para trazer um dos seus capacetes e ver se poderíamos fazer algo similar. Mesmo que eles não te conheçam, estão lá para nos ajudar”.

Segundo Jiménez, a proteção na cabeça que ele veste foi modificada desde que usou pela primeira vez, ainda na pré-temporada. Apesar de ser confortável, ele preferia poder jogar sem ele. “Se dependesse de mim, eu não usaria. Jogaria normalmente”, disse o atacante. “Mas os médicos me disseram que isso era proteção, para evitar algo neste momento que poderia ser perigoso para mim. Me sinto bem para jogar sem a proteção, mas sei que tenho que seguir as orientações dos médicos, dos cirurgiões. Eles disseram que é melhor para mim usar”.

“Me sinto um jogador de novo”

“Me sinto muito bem, sinto que sou um jogador novamente depois de quase nove meses fora. Agora estou treinando com o time e estive em toda pré-temporada, acho que era o momento certo de voltar e começar a temporada novamente. Estou esperando o momento que os torcedores gritarão o meu nome. Antes da lesão, eu estava jogando muito bem e fazendo coisas boas em campo. Somos como uma família, então o objetivo é fazer o time chegar onde merece”, disse ainda o jogador.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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