A importante vitória do Wolverhampton sobre o Arsenal por 2 a 1, no domingo, pela Premier League, foi um triunfo marcante aos Wolves, que não venciam o adversário em Londres desde 1979. Ainda assim, o que era para ser uma noite de comemoração se transformou em medo com a condição de Raúl Jiménez. O mexicano sofreu um choque de cabeça com David Luiz e teve que deixar o campo direto ao hospital, recebendo oxigênio no caminho.

Nesta segunda-feira (30), o Wolverhampton publicou uma atualização da situação do jogador: o mexicano foi levado imediatamente ao hospital no domingo e, com uma fratura no crânio, passou por uma cirurgia de urgência. O procedimento foi um sucesso, e o atacante agora repousa, sob observação, à espera de atualizações de seu caso.

“O Raúl está confortável após uma operação na noite passada, pela qual ele passou em um hospital de Londres. Desde então, ele já viu sua companheira, Daniela, e agora está descansando. Ele permanecerá sob observação por alguns dias enquanto inicia sua recuperação. O clube gostaria de agradecer a toda a equipe médica do Arsenal, aos paramédicos da NHS, à equipe do hospital e aos cirurgiões, que, por meio de sua habilidade e resposta rápida, foram de grande ajuda. O clube pede que Raúl e sua família tenham um período de espaço e privacidade, antes que novas atualizações sejam divulgadas”, escreveram os Wolves.

Embora Jiménez tenha sido o maior prejudicado pelo lance, David Luiz também sentiu o impacto, e o seu caso atraiu a atenção daqueles que lutam por maior cuidado com casos de concussão no futebol.

Mesmo aparentando não estar bem e suscitando a preocupação daqueles a seu redor desde o choque, aos quatro minutos de jogo, o brasileiro permaneceu todo o primeiro tempo em campo, sendo substituído por Rob Holding apenas no intervalo.

A instituição Headway, focada em lesões cerebrais, expressou nesta segunda-feira sua “raiva e decepção com as repetidas falhas do futebol em proteger seus jogadores de concussão”, reforçando que as substituições temporárias devido a concussões são uma necessidade urgente.

A FA (Federação Inglesa) está de olho no assunto. Recentemente, proibiu que jogadores de até 12 anos em categorias de juniores cabeceiem bolas durante treinamentos, em medida para combater possíveis ligações entre cabeçadas ao longo da carreira e doenças neurodegenerativas, algo mais em evidência do que nunca após jogadores famosos do time campeão do mundo de 1966 desenvolverem demência e outras condições possivelmente conectadas aos impactos repetidos.

Além disso, em um movimento que pode ter grande repercussão para o futuro do futebol, a Copa da Inglaterra deverá receber testes ainda nesta temporada para substituições extras em casos de concussão. Havia a expectativa para que os testes de substituição extra em episódios de concussão acontecessem já na temporada passada, mas a pandemia de Coronavírus atrasou os planos.

Um painel da International Board (IFAB) já aprovou o uso das substituições extras em formato de testes para a Copa da Inglaterra, faltando agora a chancela de líderes da IFAB na próxima reunião anual de negócios da entidade, marcada para 16 de dezembro.

Casos como o deste domingo mostram que, embora esta seja uma boa notícia, estes avanços vêm em atraso e precisam ser acelerados.