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Rashford, após sofrer ofensas racistas: “O pênalti deveria ter entrado, mas nunca pedirei desculpas por ser quem eu sou”

Um mural em Withington, sul de Manchester, em homenagem a Marcus Rashford foi vandalizado com ofensas racistas - e depois virou um quadro de mensagens de apoio ao jovem atacante

Um mural em Withington, sul de Manchester, em homenagem a Marcus Rashford foi vandalizado com ofensas racistas nesta segunda-feira, um dia depois de ele perder um dos pênaltis que levaram a Inglaterra a ser derrotada na final da Eurocopa. No entanto, moradores do bairro onde o jovem cresceu reagiram transformando a parede em um quadro de mensagens de apoio ao atacante de 23 anos.

Em uma tocante mensagem publicada nas suas redes sociais, Rashford assumiu a sua responsabilidade na derrota da Inglaterra em sua primeira final em 55 anos, mas afirmou que não pedirá desculpas pelo que faz fora de campo, com uma atuação importante no combate à fome infantil, nem por ser quem é: um homem negro de 23 anos do sul de Manchester.

Rashford, Bukayo Saka e Jadon Sancho, os outros dois jogadores ingleses que desperdiçaram seus pênaltis, foram alvos de ofensas racistas nas redes sociais, um problema generalizado no futebol inglês que foi muito discutido ao longo da última temporada. O técnico Gareth Southgate, a Federação Inglesa e o primeiro-ministro Boris Johnson, entre outros, condenaram o preconceito direcionado aos três jovens jogadores.

O atacante do Manchester United também recebeu críticas por perder pênalti ao mesmo tempo em que cultiva um ativismo importante fora de campo que levou o governo britânico a recuar em algumas decisões que cortariam programas sociais, como vouchers para alimentar crianças carentes.

Como se uma coisa tivesse a ver com a outra. “Cresci em um esporte em que espero que coisas sejam escritas sobre mim. Seja sobre a cor da minha pele, sobre onde eu cresci ou, mais recentemente, sobre como eu decidi passar meu tempo fora de campo. Eu aguento as críticas sobre meu desempenho o dia inteiro, o pênalti que bati não foi bom o suficiente, deveria ter entrado, mas eu nunca vou pedir desculpas por quem eu sou e pela minha origem”, afirmou.

Junto com a mensagem, Rashford publicou cartinhas que recebeu de jovens fãs incluindo um garotinho de nove anos chamado Dexter: “Ano passado, você me inspirou a ajudar as pessoas menos afortunadas. No domingo, você me inspirou novamente, a sempre ser corajoso”. Diante de mensagens como essa, pouco importa se ele acertou ou não um chute de 11 metros.

Confira a mensagem completa de Rashford nas redes sociais:

“Não sei nem por onde começar e não sei nem como colocar em palavras como estou me sentindo neste momento. Eu tive uma temporada difícil, acho que isso está claro para todos, e eu provavelmente cheguei àquela final com uma falta de confiança.

Eu sempre tive confiança para bater pênalti, mas parecia que havia algo errado. Durante a longa aproximação (à bola), eu me dei um pouco de tempo e infelizmente o resultado não foi o que eu queria.

Eu senti que decepcionei meus companheiros. Eu senti que decepcionei todo mundo. Um pênalti foi tudo que pediram que eu contribuísse para o time. Eu consigo marcar pênaltis dormindo, então por que não aquele?

Ele fica repetindo na minha cabeça desde que chutei aquela bola e provavelmente não há uma palavra para descrever como eu me sinto. Uma final. 55 anos. 1 pênalti. História. Tudo que posso dizer é desculpas. Eu queria que tivesse sido diferente.

Enquanto eu continuo pedindo desculpas, quero destacar meus companheiros. Este verão foi um dos melhores que eu tive com a seleção e todos vocês tiveram um papel nisso. Uma irmandade foi construída que nunca será quebrada. O sucesso de vocês é o meu sucesso. O fracasso de vocês é o meu fracasso.

Cresci em um esporte em que espero que coisas sejam escritas sobre mim. Seja sobre a cor da minha pele, sobre onde eu cresci ou, mais recentemente, como eu decidi passar meu tempo fora de campo.

Eu aguento as críticas sobre meu desempenho o dia inteiro, o pênalti que bati não foi bom o suficiente, deveria ter entrado, mas eu nunca vou pedir desculpas por ser quem eu sou e pela minha origem.

Eu nunca me senti mais orgulhoso do que quando vesti os três leões no peito vendo minha família torcer por mim em um público de dezenas de milhares de pessoas. Sonhei com dias assim.

As mensagens que recebi foram positivamente emocionantes e ver a resposta em Withington me deixou à beira das lágrimas. As comunidades que sempre me abraçaram continuam a me segurar.

Meu nome é Marcus Rashford, 23 anos, homem negro de Withington e Wythenshawe, sul de Manchester. Se eu não tiver mais nada, eu tenho isso.

Por todas as mensagens carinhosas, obrigado. Eu retornarei mais forte. Nós retornaremos mais fortes”.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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