Inglaterra

Henry diz que desativará suas redes sociais até que plataformas combatam (de verdade) discurso de ódio

Thierry Henry desativará todas as suas contas nas redes sociais a partir da manhã do próximo sábado enquanto as plataformas de redes sociais não tomarem ações concretas e decisivas para regulamentar as ofensas, com frequência racistas, que muitos jogadores de futebol estão recebendo nos últimos meses.

Não é uma exclusividade da Inglaterra, mas o futebol daquele país tem sido atingido por uma epidemia de ofensas pesadas a alguns de seus jogadores – por coincidência, todos negros ou de outra etnias raciais -, como Marcus Rashford, Fred, Anthony Martial, Reece James, Antonio Rüdiger, Willian e Yan Dhanda, do Swansea.

Henry afirmou que suas contas permanecerão dormentes até que as empresas de redes sociais comecem a regular suas plataformas com o mesmo “vigor e ferocidade” que fazem com quem infringe leis de direitos autorais.

“O volume de racismo, bullying e tortura mental em indivíduos é tóxico demais para ser ignorado. TEM que haver algum tipo de responsabilização. É fácil demais criar uma conta, usá-la para intimidar ou assediar, sem consequências, e ainda se manter anônimo. Até que isso mude, eu desativarei todas minhas contas em todas as plataformas sociais. Espero que isso aconteça logo”, disse, em um comunicado.

O caso mais recente em jogadores famosos foi com Fred, meia do Manchester United. Ele foi alvo de ofensas racistas após a derrota para o Leicester, pela Copa da Inglaterra, no último domingo. “Não podemos aceitar. Temos que sempre lutar. Somos maiores e melhores do que isso. Chega. Comentários nas redes sociais cheios de ódio e, acima de tudo, racismo: não podemos alimentar essa cultura”, escreveu, no Twitter.

Em 11 de fevereiro, a Premier League, a Federação Inglesa, a Football League, a Women’s Championship, as associações de jogadores, treinadores e árbitros e a organização Kick It Out, que há tempos combate o racismo no futebol, enviaram uma carta conjunta aos manda-chuvas do Twitter, Jack Dorsey, e do Facebook (que é dono do Instagram), Mark Zuckerberg, exigindo ações mais contundentes.

A carta propõe que mensagens e publicações sejam filtradas e bloqueadas antes de serem enviadas, caso contenham material racista ou discriminatório, que haja medidas “robustas, transparentes e ágeis” para tirar do ar conteúdo abusivo e que todos os usuários sejam sujeitos a um processo de verificação que permita a identificação de quem está por trás de cada conta. Pediu também que usuários com ficha corrida nesse quesito não possam fazer uma nova conta e que as plataformas trabalhem com as autoridades para identificar os autores de material discriminatório.

“Deveria ser fácil de parar isso. Apenas desative as contas. Sabemos que é muito fácil fazer quatro ou cinco contas, mas se você tiver que bloquear todas elas, bloqueie todas elas. Isso depende das empresas de redes sociais”, afirmou Marcus Rashford, depois de ser alvo de ofensas no dia seguinte à publicação da carta. “Se elas virem alguém agindo de maneira abusiva, as suas contas têm que ser deletadas imediatamente. É assim que você lida com isso”.

Como vocês já podem imaginar, convencer as plataformas de que é tão simples assim será um pouco mais difícil.

“No Twitter, somos guiados pelos nossos valores, e em nenhum momento mais do que quando o assunto é fundamental como identidade”, respondeu o Twitter às propostas para que haja um controle mais rígido de identificação de quem está por trás das contas. “Acreditamos que todos têm o direito de compartilhar sua voz sem precisar de um documento do governo para fazê-lo. Pseudônimos têm sido ferramentas vitais para se posicionar em regimes opressivos. Não é menos crítico em sociedades democráticas. Pseudônimos podem ser usados para explorar sua identidade, para encontrar apoio como vítimas de crimes ou enfatizar problemas enfrentados por comunidades vulneráveis”.

“Na realidade, muitas das primeiras vozes a se posicionar contra malfeitos da sociedade o fizeram por trás de algum grau de pseudônimo – uma vez que o fazem, a experiência deles pode encorajar outros a fazer o mesmo, sabendo que eles não precisam relacionar seus nomes à experiência se não estiverem confortáveis em fazê-lo. Talvez o mais fundamental de tudo – algumas comunidades que podem não ter acesso a documentos de identidade do governo são exatamente aquelas para as quais queremos dar voz no Twitter”, completou.

Um pouco mais diplomático, o Facebook disse que está removendo conteúdo discriminatório de suas plataforma s sempre que os encontra. “Entre outubro e dezembro do ano passado, agimos contra 6,6 milhões de peças de discurso de ódio no Instagram, 95% que encontramos antes de serem denunciados”, afirmou um porta-voz da empresa.

O Instagram disse que age sempre que fica ciente do discurso de ódio e que tomará medidas mais rígidas para coibir ofensas enviadas por meio das mensagens diretas. “Também desativaremos novas contas criadas para contornar nossas restrições e continuaremos a desativar contas que consideramos que foram criadas apenas para enviar mensagens ofensivas”, afirmou.

Também prometeu que cooperará com as autoridades do Reino Unido para responder a todos os “pedidos válidos” por informação nesses casos. “Como fazemos com todos os pedidos das autoridades, vamos reagir se eles forem muito amplos, inconsistentes com direitos humanos ou inválidos do ponto de vista legal”, explicou.

Não sei sou só eu, mas acho que o exílio de Henry ainda vai durar um bom tempo.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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