Inglaterra

Proposta de Jim Ratcliffe, dono da Ineos, para comprar o Chelsea é rejeitada, mas ele se recusa a desistir

Proposta que inclui um total de £ 2,5 bilhões ainda promete investimentos de £1,75 bilhão nos próximos 10 anos, mas chegou atrasada, segundo banco que gere a venda

A proposta do empresário Jim Ratcliffe para compra do Chelsea foi rejeitada por estar fora do prazo, segundo a assessoria do empresário confirmou. Apesar da recusa, o dono da Ineos continua convencido que a sua oferta poderá ser considerada e mantém esperança de conseguir fazer o negócio. Ratcliffe é um dos maiores bilionários do Reino Unido, CEO da Ineos, uma gigante petroquímica. Ele já tem uma participação no futebol: é dono do Nice, da França, clube que comprou em 2019, além de ser a principal patrocinadora da equipe Mercedes de F1.

A proposta escolhida para compra do Chelsea é o consórcio liderado por Todd Boehly, um dos proprietários do Los Angeles Dodgers, uma das franquias mais importantes da MLB, a liga de beisebol americano. Outras propostas, como os consórcios liderados por Martin Broughton e Steve Pagliuca, observam com interesse. As propostas podem voltar a ser consideradas caso as negociações com o consórcio de Boehly não avancem.

“Recebemos um e-mail que dizia ‘esqueça, vocês não estão no processo’”, afirmou Tom Crotty, diretor de comunicações e questões corporativos na Ineos, empresa da qual Ratcliffe é CEO e dono, ao Telegraph. “Isso foi do Reine [empresa contratada por Roman Abramovich para fazer a venda do clube], mas não iremos desistir porque acreditamos que o que temos é uma proposta que faz sentido para o clube”.

“Eles disseram que chegamos tarde demais. Nós dissemos: ‘Vocês precisam nos dar um feedback e se fizemos algo errado, nos dizer o que fizemos errado para podermos corrigir’. Mas eles não nos deram nem essa oportunidade. Nos disseram isso no fim de semana. Não foi criticar o grupo Raine porque chegamos atrasados e, em defesa deles, eles irão usar isso e dizer que deveríamos ter chegado muito antes”, continuou Crotty.

Segundo Crotty, a proposta da Ineos chegou tarde depois de perceberem que o preço era menor do que eles tinham previsto e concluindo que os números “tinham sentido financeiro”. Ratcliffe fez questão de mostrar pessoalmente que sua proposta era séria ao se reunir com o Chelsea Supporters’ Trust, o grupo organizado de torcedores do clube que tem poder consultivo no clube. Crotty afirmou que a ideia é continuar se engajando com os torcedores.

Um dos argumentos usados por Ratcliffe é que é uma proposta de um britânico, de uma empresa britânica, por um clube britânico. Uma forma de tentar capitalizar em cima de uma questão que tem sido muito discutida, que é a entrada de dinheiro suspeito vindo do exterior.

Um dos pontos que é discutido como problemático pela proposta que foi a escolhida, do consórcio liderado por Boehly, é a permanência de dois aliados importantes de Roman Abramovich dentro da diretoria do Chelsea: o presidente do clube, Bruce Buck, e a diretora Marina Granovskaia, que, segundo informações inciais, seriam mantidos caso a proposta escolhida de fato compre o clube.

“Qualquer continuidade com o regime de Abramovich no Chelsea é certamente um desenvolvimento preocupante”, afirmou Julian Knight, presidente do Comitê Digital, de Cultura e de Média do governo britânico. Como Abramovich foi sancionado, o governo britânico interveio e terá que aprovar a venda. Por isso Ratcliffe tem batido na tecla de ser um britânico, de uma empresa britânica, tentando comprar o Chelsea – Todd Boehly, líder do consórcio escolhido, é americano.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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