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Sanção do Reino Unido a Abramovich afeta profundamente o Chelsea e torna seu futuro incerto

Dono do Chelsea, Abramovich teve bens congelados e Chelsea terá restrições importantes enquanto durarem as sanções do governo

O dono do Chelsea, Roman Abramovich, foi sancionado pelo governo britânico como consequência da invasão da Rússia sobre a Ucrânia e, com isso, colocou o futuro do clube em dúvida. Será dada uma “licença especial” para que os Blues possam terminar a temporada, fazer todos os seus jogos e pagar funcionários, mas foram impostas diversas restrições, desde fechamento de lojas, proibição de venda de ingressos e até um limite baixo para gastos em viagens. Medidas que afetarão a vida do atual campeão europeu pelos próximos meses.

O governo do Reino Unido descreveu Roman Abramovich como um “oligarca pró-Kremlin” e, assim, foi decretado o congelamento dos seus bens e uma proibição de viagens, o que significa que ele não pode deixar o Reino Unido se estiver nele, o que significa que ele não será autorizado nem a entrar e nem a permanecer no país.

Abramovich foi um dos sete russos sancionados pelo governo britânico. Além de Abramovich, estão na lista Igor Sechin, Oleg Deripaska, Andrey Kostin, Alexei Miller, Nikolai Tokarev e Dmitri Lebedev. É uma tentativa do governo britânico de punir os aliados de Vladimir Putin pela invasão à Ucrânia e assim colocar mais pressão sobre o presidente russo.

Segundo o governo britânico, Abramovich “recebeu tratamento preferencial e concessões” do Kremlin e, através de vínculos comerciais, “está envolvido com uma pessoa que quer desestabilizar a Ucrânia e minar e ameaçar a integridade territorial, soberania e independência da Ucrânia, nominalmente Vladimir Putin, com quem Abramovich tem relacionamento próximo por décadas”.

O Ministério das Relações Exteriores afirma que ele está envolvido por meio de uma empresa siderúrgica e mineradora, a Evraz PLC, na qual ele tem participação significativa sobre o controle efetivo. A empresa, segundo alegado pelo ministério, forneceu aço aos militares russos para a produção de tanques.

Consequências para o Chelsea

Abramovich admitiu que colocou o Chelsea à venda no dia 2 de março, depois de uma tentativa de se afastar da gestão sem vender o clube. A venda está bloqueada e só poderá acontecer com a permissão do governo. O Chelsea recebeu uma licença especial para que possa continuar operando, o que significa pagar seus funcionários e fazer todos os jogos previstos na temporada. Aqui uma lista de como as sanções afeitam o Chelsea:

  • O Chelsea está efetivamente em um embargo de transferências, com novos empréstimos e contratações bloqueadas, assim como renovações de contratos
  • Empréstimos já existentes e negócios já fechados ainda podem ser pagos
  • Vendas de merchandising podem continuar, mas o dinheiro não pode ir para o Chelsea
  • Dinheiro de direitos de transmissão podem ser recebidos pelo clube, mas serão congelados
  • O clube está limitado a gastar £ 20 mil com despesas de viagens por jogo
  • Limite de £ 500 mil por jogo em segurança, stewards e restaurantes por partida
  • Não será permitida venda de ingressos, apenas donos de carnês de temporada e de ingressos já vendidos poderão estar nos jogos
  • Não poderá ser feito nenhuma reforma ou desenvolvimento de estádio

“Clubes de futebol são patrimônios culturais”

O governo pareceu calcular o impacto que essa sanção causaria em um clube popular como o Chelsea, na sua capital. Por isso, criaram a licença especial para o clube, de modo a mantê-lo operante, mas é inevitável que as consequências afetem o clube, e não só Abramovich.

“Nossa prioridade é responsabilidade aqueles que permitiram o regime de Putin. Nossas sanções obviamente tiveram um impacto direto no Chelsea e em seus torcedores. Estamos trabalhando duro para garantir que o clube e o esporte não sejam necessariamente prejudicados por essas decisões importantes”, afirmou a Secretária de Cultura, Nadine Dorries.

“Eu sei que isso traz alguma incerteza, mas o governo irá trabalhar com a liga e os clubes para manter o futebol sendo jogado enquanto garante que as sanções atinjam os alvos. Clubes de futebol são patrimônios culturais e pilares das nossas comunidades. Estamos comprometidos em protegê-las”.

Incertezas para a temporada e para o futuro

A questão do limite de gastos em viagem é grave. O limite estabelecido pelo governo britânico para gasto em viagens do time é de £ 20 mil por jogo. Considerando que o Chelsea ainda está na Champions League e terá que viajar à França para enfrentar o Lille com um elenco de 23 jogadores e mais a comissão técnica, parece pouco.

Segundo o Telegraph, o ecossistema financeiro do Chelsea é profundamente dependente do dinheiro de Abramovich. O clube por vezes tem lucro operacional nas suas operações desde 2012, mas para tentar concorrer com adversários como o Manchester City e o PSG, o clube precisou aumentar o seu nível de gastos.

É possível manter o clube operando apenas dentro da sua arrecadação, mas isso implicaria em investimentos menores no mercado, diferente do que tem feito recentemente, como foi o caso ao contratar Romelu Lukaku no começo desta temporada por € 115 milhões, ou mesmo antes quando pagou € 60 milhões por Timo Werner e € 80 milhões por Kai Havertz, ambos em 2020.

Há ainda uma preocupação rem relação aos empréstimos feitos ao clube por Abramovich, estimados no valor de £ 1,5 bilhão. O empresário afirmou que não cobraria o pagamento desses empréstimos quando surgiu a informação sobre a venda do clube, mas não se sabe como isso ficará com as sanções. Os empréstimos deveriam ser pagos à Camberley Intewrnational Investments Ltd, uma offshore das Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal, da qual Abramovich é o dono.

Seja como for, o Chelsea sentirá os efeitos dessa sanção a Abramovich. Ainda veremos o tamanho desses efeitos e como e quanto irão afetar o resto da temporada do clube. Pelo tipo de sanções, será inevitável que haja um impacto no clube não só nesta temporada, mas no planejamento futuro, também pela incerteza que virá sobre as sanções e sobre a possível venda. É bem possível que o preço do clube tenha caído significativamente com isso.

Será doo interesse do governo britânico que o Chelsea seja vendido, então é bastante possível que autorizem essa operação, caso haja propostas relevantes. A questão é como fazer isso e ainda punir Abramovich, impedindo que ele lucre com isso de alguma forma, ao menos financeiramente. Veremos quais serão os próximos passos.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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