Inglaterra

Com Abramovich sancionado, propostas de compra do Chelsea terão que ser negociadas com o governo britânico

Com congelamento de bens de Roman Abramovich, Chelsea vive um conturbado processo de venda e tem futuro incerto

Os potenciais compradores do Chelsea terão que enviar suas propostas ao governo britânico depois das sanções impostas a sete bilionários russos, entre eles Roman Abramovich, dono dos Blues desde 2003. Há especulações de cinco potenciais novos donos, após o anúncio de venda feito pelo clube na última semana, antes mesmo das sanções.

Abramovich sabia que o cerco estava fechando e, por isso, inicialmente anunciou o seu afastamento da gestão do Chelsea no dia 26 de fevereiro, atribuindo à fundação do clube a função de gestão. Com o aumento da pressão do governo britânico em relação a sanções contra a Rússia, Abramovich admitiu que os rumores sobre a venda do clube eram verdadeiros.

O Chelsea é apenas um dos bens de Abramovich congelados no Reino Unido. Além da aparente pressa em vender o clube por £ 3 bilhões, o magnata russo tem ainda propriedades de luxo, incluindo uma mansão avaliada em £ 150 milhões e um apartamento de £ 30 milhões. O dono do Chelsea foi um dos sete bilionários russos sancionados pelo governo britânico.

“Como as condições da licença estão escritas hoje, a venda não seria permitida. Contudo, se um comprador emergir, estaria aberto ao comprador ou ao clube falar com o governo e pedir pelas condições serem variadas de uma forma que a venda possa acontecer”, explicou Chris Philp, Ministério de Digital e Tecnologia do Reino Unido.

“Para ser claro, não seria aceita nenhuma proposta que visse o produto de qualquer venda terminar em uma conta bancária irrestrita de propriedade de Abramovich. Ele não pode se beneficiar do produto de qualquer venda”, continuou Philp.

Executivos do Chelsea se reuniram com representantes do governo e há expectativa que as conversas continuem pelos próximos dias. Segundo informado por uma fonte do governo ao jornal Guardian, a venda do clube deve ser possível com alguma facilidade. Ainda não se sabe em que condições o governo aceitará que a venda do Chelsea seja feita, mas uma sugestão possível é que o processo de venda seria congelado ou que os fundos seriam dados a um fundo de caridade.

Abramovich indicou a Raine Group, uma empresa de Nova York, para gerenciar a venda e informou na quinta-feira que a venda foi pausada até que “as partes considerem as implicações do desenvolvimento e discutem os próximos passos com as autoridades do Reino Unido relevantes”.

Há um temor que o Chelsea sofra um colapso financeiro, já que suas receitas estão todas bloqueadas e o clube tem autorização para fazer pagamentos de salários a funcionários e um limite baixo para viagens, mas pode usar apenas os recursos em caixa. Especula-se que o clube não tenha recursos em caixa suficientes para terminar a temporada, já que não poderá recorrer aos bolsos fundos do seu dono e não terá os recursos, por exemplo, de direitos de transmissão, que são os maiores, e mesmo de merchandising, que são bem menores, mas também trazem algum respiro.

Além desses problemas, o jornal Daily Mail informa que a Nike, atual fornecedora de material esportivo do clube e com contrato por 15 anos desde 2016 rem um acordo de £ 60 libras por ano, está “considerando deixar o clube”, algo que a patrocinadora principal, a operadora telefônica Three, já anunciou nesta quinta-feira.

A empresa de turismo Trivago, que patrocina o uniforme de treino do Chelsea, divulgou comunicado em que mantém o apoio ao clube. “A incerteza sobre a atual situação de propriedade do Chelsea FC tem sido um desafio. No futuro, é importante para nós continuar apoiando o clube, os torcedores e a comunidade, juntamente com o trabalho essencial que a Chelsea Foundation faz para ajudar os necessitados. Estamos ansiosos para uma transição de propriedade o mais rápido possível e queremos apoiar o clube neste processo”, informou a empresa.

Tudo em relação ao Chelsea atualmente é bastante incerto. Resta ver como serão os próximos passos, mas a venda parece iminente, até por uma questão de sobrevivência do clube pelos próximos meses.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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