Premier League

Como estilo de jogo do Manchester United ‘tira’ espaço de artilheiro do time

Equipe com Michael Carrick conta com ataque fluido que complica situação para centroavantes mais fixos

Ele tem cinco gols nos últimos oito jogos do Manchester United. É o artilheiro do time na Premier League com nove tentos ao lado de Bryan Mbeumo. E, mesmo assim, só soma dois jogos como titular desde que Michael Carrick estreou no clube de Old Trafford, em 17 de janeiro.

Estamos falando de Benjamin Sesko, atacante contratado a peso de ouro para esta temporada — mais de 75 milhões de euros vindo do RB Leipzig –, que não se firmou com Rúben Amorim e se reencontrou com a mudança no comando técnico. A questão é por que o centroavante esloveno não se firma no time titular?

Parte da resposta está na forma como os Red Devils têm atacado com muita liberdade a partir da chegada do novo treinador.

Ataque fluido complica espaço de Sesko no Manchester United

Com sete vitórias, dois empates e só uma derrota desde que assumiu o United, Carrick tem chamado atenção pela forma como seu quarteto de frente se movimenta.

A estrutura começou, nas vitórias sobre Manchester City e Arsenal, tendo Patrick Dorgu como ponta esquerda, Amad Diallo pela direita, Bruno Fernandes como camisa 10 e Mbeumo de centroavante. A partir da lesão de Dorgu, Matheus Cunha ganhou a posição no corredor canhoto.

Diallo, Mbeumo e Matheus Cunha celebram gol do Manchester United
Diallo, Mbeumo e Matheus Cunha celebram gol do Manchester United (Foto: IMAGO / Phil Duncan/Every Second Media)

As posições, porém, não são fixas. Há uma enorme fluidez e troca de funções a todo momento, com exceção de Diallo, que prefere ficar mais aberto na ponta. Mbeumo e Bruno caem para os lados, Cunha flutua para dentro. Qualquer espaço que tiver sem ninguém ocupar será ocupado por algum atacante em projeção.

— Acho que o Michael chegou com as ideias certas de dar responsabilidade aos jogadores, mas também alguma liberdade para assumir essa responsabilidade em campo nas decisões que são necessárias. Ele é muito bom com as palavras — disse Bruno Fernandes à “TNT Sports” após vitória sobre o Tottenham.

A movimentação tem repertório para ocorrer de diferentes tipos de ataques. Na vitória sobre o Fulham, por exemplo, contra uma defesa fechada e posicionada, Mbeumo estava no espaço entre zagueiro e lateral na esquerda do ataque, enquanto o outro lado estava cheio de atacantes: Cunha no meio-espaço direito, Diallo aberto e Bruno Fernandes entre eles. Casemiro, vendo o jogo de frente, cedeu para o compatriota marcar.

O posicionamento de Luke Shaw no corredor canhoto ajudou Cunha a ter liberdade para flutuar para o centro e achar o espaço do gol. Esse movimento se repete em diversas partidas, permitindo que o camisa 10 possa ser mais um meia por dentro, como costumava jogar no Wolverhampton e atua na seleção brasileira.

— Não é uma liberdade total, em que você pode simplesmente ir e decidir tudo. É mais uma questão de onde você acaba se posicionando. O Bruno é esse tipo de jogador que entende as diferentes funções e as executa particularmente bem. E o Bryan fez algo muito parecido. O Matheus também, jogando às vezes pelo meio e outras vezes pela esquerda — disse Carrick antes do jogo com o West Ham.

Isso nos dá variedade. Todos eles se adaptam a diferentes tipos de funções. […] A flexibilidade certamente nos ajuda, desde que cuidemos bem das posições quando não temos a bola — completou.

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A importante movimentação de Matheus Cunha (Foto: Reprodução/Youtube)

No mesmo duelo com o Fulham, o meia do Brasil também teve outra participação decisiva na ponta direita. Diallo recebeu pelo lado e o camisa 10 fez uma ultrapassagem antes de sofrer a falta que terminou em gol de Casemiro.

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Matheus Cunha flutua para a ponta direita antes de sofrer falta em jogo contra o Fulham (Foto: Reprodução/Youtube)

Contra o Aston Villa, vitória por 3 a 1, o cenário foi outro. Em um contra-ataque puxado por Casemiro, Bruno se posicionou como ponta esquerda e Matheus Cunha atacou como uma dupla de Mbeumo. O português recebeu do lado e o camisa 10 atacou o espaço nas costas da defesa antes de marcar em chute colocado.

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Momentos antes do gol do Manchester United contra o Aston Villa (Foto: Reprodução/Youtube)

Bruno Fernandes tem sido muito potencializado por essa ideia, tendo a chance de tocar muito na bola e mais colegas próximos para se associar, em vez de como atuava com Amorim, mais próximo de um segundo volante.

— Bruno consegue simplesmente criar momentos, sabe? Ele é inteligente. Essa pequena liberdade combina com ele, ele tem uma inteligência natural. O jogo se adapta, o jogo evolui. Prendê-lo totalmente a posições específicas não faz sentido, quando você pode dar a ele um pouco de liberdade. […] Deixe-o ser criativo nos lugares certos — disse Carrick em fevereiro à “TNT”.

Veja outros exemplos de ataques fluidos do United que, apesar de não terminarem em gol, geraram chances de gol ao time.

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Contra-ataque contra o Everton, que terminou em chute perigoso de Diallo na área, teve Bruno Fernandes e Mbeumo nas pontas e Cunha de meia (Foto: Reprodução/Youtube)
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Chute perigoso de fora da área de Cunha contra o Tottenham teve brasileiro atacando por dentro (Foto: Reprodução/Youtube)
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Bruno Fernandes quase marca gol contra o Tottenham como “centroavante” (Foto: Reprodução/Youtube)

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Sesko, então, se vê com mais dificuldades

Se Bruno, Cunha e Mbeumo brilham com o ataque fluido, é nisso que Sesko se complica. Como um camisa 9 muito mais fixo, de pouca mobilidade e mais forte no jogo aéreo e pivô, ele não se movimenta como Mbeumo, e a liberdade do ataque, com troca de funções, acaba diminuindo.

Não se perde totalmente, pois há outros jogadores que ainda podem trocar. No gol que fechou o 2 a 0 sobre o Tottenham, por exemplo, Sesko estava no lugar de Cunha e ficou fixo como nove, mas Mbeumo tinha caído para a ponta direita junto de Diallo e Bruno Fernandes surgiu na segunda trave para marcar.

O centroavante só foi titular duas vezes. Mais recente contra o Newcastle, única derrota do United com Carrick, quando somou apenas 24 toques na bola, mesmo com seu time tendo a bola por 55% do tempo. Ele iniciou também a vitória por 2 a 1 sobre o Crystal Palace e foi decisivo com um gol de cabeça, mas, novamente, foi pouco participativo, com 16 ações ofensivas e um jogo muito preso à área.

Sua presença, porém, não deve ser subestimada. Afinal, é o artilheiro do time e seus gols recentes garantiram diretamente três vitórias e um empate. Ele já estava mostrando uma evolução antes de Carrick. Nos dois jogos com o interino Darren Fletcher, tinha marcado duas vezes no empate por 2 a 2 com o Burnley e feito o de honra na eliminação na Copa da Inglaterra para o Brighton.

O contexto de sair do banco em momentos em que os dois times estão mais cansados e naturalmente forçam mais cruzamento, em especial se estão atrás do placar, ajuda o jogador de 1,95m a se destacar no jogo aéreo e mais físico e marcar gols.

As prévias da partida com o Leeds nesta segunda-feira (13) colocam Sesko como titular na vaga de Diallo, movendo Mbeumo para a ponta. Será mais uma oportunidade para o camisa 30 provar que pode ser dono de uma vaga no 11 inicial do Manchester United.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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