Premier League

Bruno Fernandes volta para função ideal e ilustra erro grande de Rúben Amorim no United

Meia volta a ser decisivo ofensivamente após a saída do compatriota do comando dos Red Devils

Bruno Fernandes não precisou de muito tempo após a saída de Rúben Amorim do Manchester United para dar uma lição no técnico demitido. O meia, maior craque dos Red Devils desde que pousou na Inglaterra, em 2020, conduziu a equipe na enorme vitória sobre o rival Manchester City neste sábado (17) por 2 a 0.

Como camisa 10, o português teve liberdade no campo de ataque e criou quatro grandes chances, sendo uma delas o primeiro gol do dia, de Mbeumo, após puxar um contra-ataque da defesa até a entrada da área adversária.

A estreia do técnico Michael Carrick é o terceiro jogo seguido do jogador de 31 anos como meia central em uma formação 4-2-3-1, os dois anteriores já sob o comando do interino Darren Fletcher, distribuindo uma assistência em cada.

Bruno Fernandes comemora gol do United
Bruno Fernandes comemora gol do United (Foto: Imago)

Nesta temporada, foram justamente os primeiros três duelos de Bruno Fernandes em sua função de origem mais perto do gol. Assim, ele pode criar oportunidades claras para os companheiros de time — foram 16 passes decisivos, média de 5,3, e sete grandes chances criadas, segundo a plataforma de estatísticas “SofaScore”.

Mapa de calor de Bruno Fernandes nos três jogos como meia contra Burnley, Brighton e Manchester City
Mapa de calor de Bruno Fernandes nos três jogos como meia contra Burnley, Brighton e Manchester City (Foto: SofaScore)

Rúben Amorim forçou Bruno Fernandes como volante no Manchester United

Em sua inalterada formação 3-4-3, Rúben Amorim queria jogadores com qualidade como dupla de volantes. Ele assumiu em novembro e, aos poucos, decidiu tirar Bruno de sua posição mais avançada para atuar como um camisa 8 ao lado de algum outro volante, sendo normalmente Casemiro ou Ugarte.

O objetivo era claro: como um jogador muito criativo, o craque do United poderia qualificar o primeiro passe, logo como apoio aos zagueiros, e facilitar a transição defesa-ataque, seja com um toque que quebrasse as linhas adversárias ou um lançamento preciso.

— Bruno talvez não tenha a mesma liberdade para entrar na área, mas ele lá chega, chega perto da área e pode chutar. É uma posição onde eu quero o Bruno mais recuado para ter mais posse e controlar mais o jogo — assumiu o técnico português em setembro do ano passado.

Bruno Fernandes ouve instruções de Rúben Amorim em partida do Manchester United
Bruno Fernandes ouve instruções de Rúben Amorim em partida do Manchester United (Foto: Imago)

Após alternar entre meia e volante na última temporada, o craque do United definitivamente virou camisa 8 em 2025/26. Bruno ainda continuou decisivo, mesmo bem recuado, e somava cinco gols e sete assistências em 18 jogos na função até a demissão de Amorim.

Sua contribuição na criação de chances, porém, estava abaixo do normal no recorte da Premier League. As sete grandes chances criadas nos dois jogos como camisa 10 são quase o dobro das 17 rodadas anteriores (oito). A média de cinco passes decisivos (cinco) também está acima do que estava antes (três).

O jornal “Daily Mail” chegou a publicar que Bruno Fernandes estaria insatisfeito de atuar como volante, o que o jogador negou posteriormente. “Gosto de jogar futebol, independentemente da posição, darei o meu melhor”, disse ele em entrevista coletiva em outubro de 2025.

— Todos têm posições favoritas. Num espaço com muita qualidade, você tem que se adaptar. Joguei nessa posição [de volante] com Jorge Jesus no Sporting. Quando você enxerga de frente, consegue encontrar mais espaço, o risco é menor. Quando jogo como camisa 10, o objetivo é criar jogadas, finalizar. Eu me adapto ao jogo coletivo — completou.

Bruno Fernandes como volante tem maior participação no campo de defesa
Bruno Fernandes como volante tem maior participação no campo de defesa (Foto: SofaScore)

Os primeiros passos de Bruno Fernandes após Amorim são impressionantes e mostram que o técnico poderia ter tido uma sobrevida maior se escalasse seu principal jogador mais perto do gol. O meia será decisivo para Carrick ter uma boa passagem e o treinador, quem sabe, poder até continuar no cargo ao fim da temporada.

Só com a Premier League a disputar, o Manchester United, após colocar o vice-líder na roda, enfrenta o primeiro colocado Arsenal, no Emirates Stadium, no próximo domingo (25).

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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