Inglaterra

Como Manchester United ‘guardiolista’ quebrou tabu de quatro anos dominando o Tottenham

Dedo de Carrick nas mudanças do United fizeram time engolir os rivais

O Manchester United venceu o Tottenham neste sábado (7), em Old Trafford, por 2 a 0, em partida válida pela 25ª rodada da Premier League. O resultado fez os mandantes colarem no top-3, apenas um ponto atrás do Aston Villa.

Entre os brasileiros possíveis para o confronto, Casemiro e Matheus Cunha começaram jogando pelos Red Devils. O jovem Souza, recém-chegado aos Spurs, esteve no banco. Richarlison, lesionado, foi desfalque.

Fim de tabu do Manchester United com dedo de Carrick

O Manchester United dominou a partida de forma que não se via a equipe fazendo há algum tempo. Mais do que ter a posse de bola, o time de Michael Carrick soube identificar vantagens e criou com perigo de diferentes formas.

A primeira etapa acabou com 60% de posse de bola para os Red Devils e 10 finalizações contra apenas uma do Tottenham. E o 4-2-3-1 de Carrick levou mobilidade e variação para o ataque da equipe.

Com Matheus Cunha como “falso ponta”, o brasileiro se tornava um camisa 10 ao lado de Bruno Fernandes e foi importante para as progressões do United por dentro. Além dos dois meias, Bryan Mbeumo era um centroavante de grande movimentação.

Mbeumo e Amad comemoram gol do Manchester United
Mbeumo e Amad comemoram gol do Manchester United (Foto: Imago)

Esse trio bagunçou a orientação de linha de defesa dos Spurs. Mbeumo descia como apoio entrelinhas, abria pela esquerda e flutuava, fazendo com que os zagueiros perdessem a referência. Isso abria espaço para Cunha, Bruno e Amad Diallo entrarem na área com tabelas.

O United construía em uma variação de 4-2-2 e 3-4, com Dalot ficando entre os zagueiros para induzir seu marcador a regiões mais centrais, abrindo o lado para Diallo e Bruno Fernandes, que ocasionalmente lateralizava para ajudar na progressão.

Um dos padrões claros do Manchester United era a criação de fora para dentro. Tanto em contra-ataques, que rendeu um quase golaço de Matheus Cunha, quanto em organização ofensiva, com uma boa chance de Bruno Fernandes, era comum ver o time construir pela lateral, atrair a marcação e encontrar jogadores atacando a área pelo meio.

Em momentos, a construção dos Red Devils lembrava aos clássicos padrões do Manchester City de Pep Guardiola em suas primeiras temporadas: manipulação da marcação, criação pelos lados com ultrapassagens para gerar cruzamentos rasteiros para trás, os famosos cutbacks.

Até mesmo o gol de bola parada passou por essa ideia. Em escanteio curto para a primeira trave, Mainoo tocou para trás, mesmo sem ver, para Mbeumo atacar a área saindo da intermediária, sem marcação, marcar o gol. Os jogadores do United se aglomeravam na pequena área para que a defesa do Tottenham fosse fixada perto do gol e deixasse quem estava atrás livre.

A vitória também ajudou a quebrar um tabu: o Manchester United não vencia o Tottenham há oito jogos. Desde 2022, incluindo todas as competições, os Spurs venciam, ou havia empate. E Carrick teve influência direta para encerrar o tabu.

A próxima partida do Manchester United será diante do West Ham, fora de casa, na terça-feira (10), pela Premier League, às 17h15 no horário de Brasília. O Tottenham também volta a campo na terça, em casa, diante do Newcastle, às 16h30.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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