Guardiola: ‘Eles querem que eu fique calado e não diga nada; condeno todos os conflitos’
Treinador do Manchester City voltou a tocar em temas humanitários antes de confronto com o Liverpool, pela Premier League
Depois de se posicionar contra conflitos armados na Palestina, Sudão e Ucrânia, Pep Guardiola voltou a ser questionado por jornalistas nesta sexta-feira (6), a respeito da repercussão de suas falas. O treinador do Manchester City foi alvo de críticas, incluindo do Conselho Judaico da Região Metropolitana de Manchester.
Em entrevista coletiva às vésperas de confronto com o Liverpool, em Anfield, pela Premier League, o futebol voltou a estar em segundo plano. Guardiola reafirmou sua posição contrária às guerras ao redor do mundo — sem citar quaisquer dos territórios e nações anteriormente mencionadas.
— Para ser sincero, não disse nada de especial. Não sinto isso. Não deveria expressar o que sinto só porque sou um treinador? Não concordo, mas respeito absolutamente todas as opiniões. O que eu disse basicamente é quantos conflitos existem neste momento, em todo o mundo, em todo o planeta — afirmou o treinador do Manchester City.
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F02%2Fguardiola-manchester-city-scaled.jpg)
— Eu condeno todos eles (conflitos). Todos eles. Pessoas inocentes sendo mortas? Eu condeno todos eles. Eu não considero que uma seleção seja mais importante do que as outras, ou que um país seja mais importante do que outro — complementou.
‘Eles querem que eu fique calado’
Desde sua fala inicial, nesta semana, o treinador foi alvo de críticas da imprensa e de diversos setores da sociedade civil. Entre os posicionamentos contrários ao treinador estão visões de que, por trabalhar com futebol, não deveria se envolver nas questões relacionadas a conflitos armados.
“Ok, concentre-se em ser jornalista também”, respondeu Guardiola. “(Você) Não pode falar sobre economia, porque não é jornalista especializado em economia, certo? Concentre-se no futebol, não fale sobre isso, não fale sobre aquilo. É por isso.”
— Eles querem que eu fique calado, é isto que o mundo quer, certo? Fique calado e não diga nada. Eu acho que é completamente o oposto — argumentou o treinador do Manchester City.
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
O que Guardiola falou anteriormente sobre as guerras?
Na terça-feira (3), antes de confronto com o Newcastle, Guardiola foi questionado pela primeira vez, durante uma entrevista coletiva do Manchester City, sobre temas relacionados a conflitos armados.
— Agradeço, porque é a primeira vez em 10 anos que um jornalista me pergunta sobre isso. Parece que não me é permitido fazer isso no meu trabalho, não sei. Mas será que existe quem veja as imagens do mundo todo e não se afete? — ponderou o espanhol.
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F02%2Fpep-guardiola-palestina-scaled.jpg)
Além de conflitos no Oriente Médio e Europa, Guardiola citou as questões relacionadas à Agência de Imigração e Fronteiras (ICE, na sigla em inglês), nos Estados Unidos. Ele como referência os casos de Renée Good e Alex Pretti, mortos a tiros por agentes do ICE, perguntando como alguém “poderia defender isso?”.
— Não se trata de certo ou errado. Isso me machuca. Para mim, dói. Se fosse o lado oposto, também me machucaria. Desejar o mal para outro país? Isso me machuca. Não se trata de posição. Me desculpem, este é o meu sentimento — continuou.
Guardiola foi a evento pró-Palestina
Essa não foi a primeira vez que o técnico espanhol se posicionou a favor da Palestina. Em diversas entrevistas, Guardiola classificou que o acontece em Gaza é um genocídio, termo também é utilizado pela ONU para caracterizar a atuação de Israel na região.
Na semana passada, por exemplo, o treinador dos Citizens participou do evento “Act x Palestine”, voltado para ajuda humanitária à Palestina. O espanhol fez um discurso em defesa às crianças da Faixa de Gaza, que têm sofrido as consequências dos bombardeios.
— O que penso quando vejo uma criança nesses dois últimos anos, nessas imagens em redes sociais ou na televisão, perguntando onde está a mãe, em meio a escombros, e ela ainda não sabe… Eu sempre me preocupo: no que elas estão pensando? Nós as deixamos sozinhas, abandonadas — disse Pep Guardiola