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‘Partida mais que simbólica’: Por que amistoso Catalunha x Palestina é tão importante?

Seleções se enfrentam em Barcelona e Pep Guardiola reflete que jogo é fundamental no contexto político-social

Cerca de 25 mil pessoas são esperadas para assistir ao amistoso Catalunha x Palestina no Estádio Olímpico de Montjuic nesta terça-feira (18), mas a audiência do jogo ao redor do mundo deve ser bem maior por tudo o que representa.

É o encontro de duas seleções que buscam mais reconhecimento e autonomia dentro e fora de campo. No caso dos palestinos, há uma luta ainda mais significativa, o movimento por reconstrução após os conflitos armados que devastaram Gaza.

A partida é uma mobilização conjunta do Governo Catalão e a Federação Catalã de Futebol (FCF) com foco no “apelo emocional e político” do evento. Os lucros da campanha “ACT X PALESTINE” serão destinados a ajudar a região a se recuperar da guerra, o que levou muitos a definir o jogo como “simbólico”.

Para Pep Guardiola, no entanto, o sentido vai além.

— É uma partida mais do que simbólica. Hoje em dia, tudo é conhecido, e os palestinos verão com esse confronto que existe uma parte do mundo que pensa neles — declarou o técnico à rádio “RAC 1”.

Esse tipo de visibilidade pode ser alento em meio ao estrago causado por anos de conflito armado.

O mundo abandonou Palestina. Não fizemos absolutamente nada. Eles não têm culpa de terem nascido lá. Permitimos que destruíssem um povo inteiro. O dano já está feito e é irreparável.

Pep Guardiola, técnico do Manchester City (Foto: Imago)
Pep Guardiola, técnico do Manchester City (Foto: Imago)

Catalunha x Palestina deve ajudar a despertar consciências para impacto do conflito em Gaza, diz Guardiola

Israel e o grupo Hamas travaram várias disputas em Gaza nos anos 2000 e 2010, e em 2021 houve cessar-fogo. Contudo, a animosidade reapareceu em outubro de 2023.

Hamas lançou ataque ao inimigo e culminou na morte de 1.200 pessoas em Israel, segundo a “BBC”. Na retaliação, israelenses fizeram ofensiva por terra, mar e ar, e deixaram mais de 67 mil vítimas fatais em Gaza desde então — maioria civis — de acordo com informações no Ministério da Saúde local (controlado pelo grupo).

Neste ano de 2025, ambos os governos concordaram com cessar-fogo alinhado ao “plano de paz” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Contudo, além de sofrer pela guerra, cidadãos da região viram a situação humanitária piorar significativamente.

O local já tinha uma das maiores taxas de desemprego do mundo, conforme informou a “BBC”, e passou a estar assolado por péssimas condições devido aos conflitos, de modo que as pessoas agonizavam com fome, desnutrição e doenças.

— Não consigo imaginar uma pessoa neste mundo que possa defender os massacres em Gaza. Nossos filhos poderiam estar lá e serem assassinados simplesmente por terem nascido lá. Tenho pouca fé nos líderes. Eles fazem o que for preciso para se manterem no poder — continuou Guardiola na rádio “RAC 1”.

Por tudo isso, o técnico do Manchester City destacou a crença de que Catalunha x Palestina pode ajudar a despertar consciências ao redor do mundo. Ele exaltou o futebol como fenômeno social e um caminho a seguir na luta por dias melhores.

— O simbolismo ajuda a conscientizar, mas por trás dele precisa haver algo que comova. Sempre há um motivo para se manifestar, neste caso, é uma partida de futebol. É melhor que os palestinos possam pensar que, por um tempo, estamos lá e que o estádio lhes traz alegria.

A Palestina reconhece o esporte como “instrumento de resistência” desde o reinício da guerra. A seleção permaneceu como a única atividade futebolística do país no período e se sobressaiu na Copa da Ásia 2024 com campanha de oitavas de final.

Jogadores da Palestina seguram faixa com os dizeres 'pare o genocídio' antes de amistoso com Pais Basco
Jogadores da Palestina seguram faixa com os dizeres ‘pare o genocídio’ antes de amistoso com Pais Basco (Foto: Imago)

O diferencial apontado pela comissão técnica na ocasião foi a união. A característica também é esperada ao encarar os catalães no jogo marcado para a partir das 14h30 (de Brasília).

O plantel de Ehab Abu Jazar evidenciou tal aspecto mesmo ao ser derrotado pelo País Basco no amistoso em San Mamés por 3 a 0 no sábado (15), mas o resultado ficou em segundo plano. O que contou foi a sinergia entre os palestinos em campo e os que estavam nas arquibancadas.

Da mesma forma, Catalunha e Palestina compreendem que a partida em Barcelona está bem longe de ser “só mais um jogo de futebol” da Data Fifa.

— Será um ato inédito de luta, solidariedade e expressão de uma mensagem — reforça o comunicado do Estádio Olímpico de Montjuic.

Foto de Milena Tomaz

Milena TomazRedatora de esportes

Jornalista entusiasta de esportes. Se formou em Comunicação Social em 2019.

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