Inglaterra

Ausência de Salah e ‘nova função’: Como Wirtz deu a volta por cima no Liverpool

Meia alemão teve início ruim, mas já se tornou pilar no time de Arne Slot com gols, assistências e funções despercebidas

Florian Wirtz já foi considerado um dos “flops” da temporada depois de seu início inconstante no Liverpool. Mesmo sem marcar gols inicialmente, havia lampejos do que o alemão fazia de bom — como a Trivela alertou anteriormente.

Agora, a joia de 116 milhões de libras encontrou o ritmo. Foram nove participações em gols em 11 jogos de diferentes cenários: Premier League, copas nacionais e Champions League. Mas, afinal, o que aconteceu para Wirtz ter dado a volta por cima?

Números confirmam a mudança de patamar de Wirtz no Liverpool

Foram necessárias 16 partidas de Premier League para que Wirtz participasse diretamente de um gol pela primeira vez com a camisa do Liverpool. A estreia nas estatísticas veio com um passe em profundidade preciso para Alexander Isak marcar contra o Tottenham.

O primeiro gol não demorou muito mais. Na rodada seguinte, diante do Wolverhampton, o alemão teve sua atuação mais convincente até então, marcando na vitória por 2 a 1 em Anfield após passe de Hugo Ekitike. A partir dali, passou a crescer em confiança e presença.

Wirtz em ação pelo Liverpool
Wirtz em ação pelo Liverpool (foto: Imago)

A evolução de Wirtz não é apenas perceptível a olho nu. Os números ajudam a explicar por que o meia parece outro jogador nos últimos seis jogos de Premier League. Ele finaliza com menos hesitação, dribla com mais frequência e assume riscos que antes evitava.

Nos seis jogos mais recentes, Wirtz completou mais dribles do que em suas primeiras 15 partidas na liga. Seus índices de gols esperados (xG) e assistências esperadas (xA) também cresceram significativamente após 20 de dezembro, refletindo uma presença mais constante em zonas perigosas.

Outro dado revelador está no volume de jogo. Nas primeiras 15 rodadas, Wirtz tinha média de 45,6 passes por partida. Entre as rodadas 17 e 22, esse número saltou para 73,8 passes por 90 minutos. O alemão passou a ser procurado pelos companheiros com muito mais frequência.

Além disso, ele o jogador do Liverpool que mais criou oportunidades em jogo aberto (36) e lidera o elenco em dribles completos. A produção está ali, e os números, segundo dados da Premier League, mostram isso:

Primeiras 15 partidas (por jogo)Últimas seis partidas (por jogo)
Total de finalizações1,612,52
Chutes dentro da área1,081,80
Toques na área adversária5,027,92
Passes45,673,8
Passes para o último terço4,575,58

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e junte-se à nossa comunidade. Receba conteúdo exclusivo toda semana e concorra a prêmios incríveis!

Já somos mais de 4.800 apaixonados por futebol!

Ao se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Mobilidade, liberdade e ajustes de Slot no Liverpool

Arne Slot tem papel central nesse processo. O treinador utilizou Wirtz em diferentes funções recentemente: como camisa 10, aberto pela esquerda, pela direita e até como falso nove, no duelo contra o Arsenal.

Independentemente do ponto de partida, há um padrão claro: o alemão deixou de ocupar zonas centrais congestionadas e passou a explorar espaços laterais com mais liberdade.

Isso ficou evidente, por exemplo, no empate por 2 a 2 com o Fulham. Mesmo começando como meia central, Wirtz recebeu a maioria de seus passes em áreas abertas, flutuando entre os dois lados do ataque.

Os mapas de toque mostram essa mudança:

  • Cerca de 37% dos toques de Wirtz em suas primeiras 15 partidas aconteceram na zona central entre o meio-campo e a área. Apenas 14% foram pelo lado esquerdo.
  • Nos últimos seis jogos, esse cenário se inverteu: os toques centrais caíram para 27%, enquanto os do lado esquerdo subiram para 32%.
image
Mapa de toques de Wirtz contra o Burnley (Foto: Reprodução/Premier League)

Além disso, Slot passou a escalar Alexis Mac Allister ou Curtis Jones como camisas 10, jogadores com maior capacidade defensiva. Isso permitiu que Wirtz atuasse mais adiantado, flutuando em espaços vazios e buscando situações de vantagem numérica. Jones, inclusive, tornou-se seu principal parceiro: nos últimos seis jogos, fez 81 passes para o alemão, disparado o maior número do elenco.

A ausência de Salah e o que vem pela frente

Não passa despercebido que o melhor momento de Wirtz coincidiu com a ausência de Mohamed Salah, convocado para a Copa Africana de Nações. Sem o egípcio, o Liverpool naturalmente reorganizou suas hierarquias ofensivas, e o alemão ganhou mais bola, mais liberdade e mais responsabilidade.

Contra o Burnley, foram impressionantes 103 toques, espalhados por todo o terço final. Com Salah em campo, é improvável que Wirtz tivesse tamanha presença pelo lado direito, já que o jogo dos Reds costuma ser orientado para deixar o egípcio livre em inversões.

Ainda assim, na última rodada, contra o Newcastle, o camisa 7 foi novamente o homem do jogo: marcou gol e deu assistência na vitória por 4 a 1. E mesmo com o egípcio, Wirtz teve mais toques e passes do que ele no jogo.

A volta de Salah trará novos ajustes, mas o despertar de Wirtz sugere algo importante: o Liverpool começa, enfim, a justificar o investimento feito. Ainda há margem para crescimento em gols e assistências, mas a sensação é clara: Florian Wirtz finalmente encontrou seu espaço em Anfield.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo