Como mudança de posição pode destravar Wirtz no Liverpool e mostrar seu potencial
Após começo irregular, alemão teve ótima atuação diante do Real Madrid, comandado pelo seu ex-treinador Xabi Alonso
O início de Florian Wirtz no Liverpool não tem sido fácil. Perdeu a titularidade nas últimas rodadas da Premier League depois de desempenhos inconstantes. Mas a vitória contra o Real Madrid, na última quarta-feira (4), pela Champions League, pode ter sido um ponto de virada.
Foram sete semanas desde que o alemão foi titular em Anfield. E seu bom jogo coincidiu justamente quando reencontrou seu antigo técnico, Xabi Alonso, e após uma mudança de posição feita por Arne Slot.
Wirtz no meio estava ‘travado’
O jovem era um dos camisas 10 do Bayer Leverkusen no 3-4-2-1 de Alonso. Naturalmente, foi contratado para ser esse tipo de mais no Liverpool. A dinâmica do 4-2-3-1 de Slot, no entanto, é diferente.
Nos Reds, Cody Gakpo tem sido o ponta-esquerdo que fica próximo à linha, mas corta para dentro com a bola. Sem ela, é quem dá amplitude, já que a função do lateral-esquerdo é mais de suporte e construção do que chegada à linha de fundo.

Como camisa 10, Wirtz tem a tendência de ir para a esquerda, justamente onde Gakpo já está. E começar o movimento em uma região do campo é diferente do que chegar lá: quando o alemão se desloca do meio para a esquerda, ele geralmente tem o corpo virado para a lateral, sem grande raio de ação para atacar a profundidade ou conduzir de volta ao meio.
O mapa de calor do reforço dos Reds mostra que ele ainda tem sido um jogador majoritariamente de entrelinhas, em ambos os lados. Slot reforça que o problema vinha sendo puramente de adaptação — mas os jogos em que jogou mais aberto, contra Eintracht Frankfurt, pela direita, e Real Madrid, na esquerda, foram seus melhores.
Estar no meio-campo também implica uma necessidade por fiscalidade ainda maior. Dominik Szoboszlai foi esse jogador na última temporada e teve grande sucesso: mais do que um criador, tem grande valia física e de intensidade para pressionar, marcar alto, ajudar em transições e percorrer grandes distâncias.
A efeito de comparação, não é raro ver Wirtz sair dos jogos exausto, com as mãos nos joelhos. A adaptação sobre a intensidade da Premier League talvez seja uma grande questão.
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Mudança para a esquerda ajuda a ‘desabrochar’ no Liverpool
Por outro lado, na Champions League, das suas 16 chances criadas, 10 partiram do lado esquerdo e apenas duas no meio, de frente para a área. Com uma função menos “complexa” na esquerda, tem espaço para ser mais letal no que é sua melhor característica, a criação.

A mudança de posição não o faz necessariamente correr menos. Contra o Real Madrid, foram 11,4km, quase um quilômetro a mais do que Szoboszlai. A diferença é para onde correr: na esquerda, é mais objetivo — para frente para pressionar e nas transições. No meio, são muitas possibilidades de encaixe de pressão e de opção de passe.
O resultado das mudanças de Slot foi um jogo mais consistente dos Reds de modo geral. Conor Bradley e Andrew Robertson foram laterais mais seguros defensivamente e deram mais suporte do que Kerkez e Frimpong aos pontas — o que, por sua vez, também ajuda Wirtz.
Isso fez o alemão acabar a vitória diante do Real como o terceiro de toda a partida que mais deu passes progressivos e o segundo com mais envolvimentos em sequências de ataque.
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— Liverpool FC (@LFC) November 5, 2025



