Inglaterra

‘Classe é permanente’: Como ‘histórico’ Casemiro fará falta no Manchester United após retomada

De descartado a líder, brasileiro reencontra seu melhor futebol sob Michael Carrick e vive arco de redenção antes da despedida de Old Trafford

Quando Casemiro deixou o gramado de Old Trafford aplaudido de pé após uma atuação dominante contra o Fulham, havia mais do que reconhecimento pelo desempenho. O abraço de Michael Carrick era a imagem para resumir a montanha-russa vivida pelo volante brasileiro desde sua chegada ao Manchester United, em 2022.

Contratado por 60 milhões de libras após uma longa e frustrada tentativa do United por Frenkie de Jong, Casemiro desembarcou em Manchester sob desconfiança. Quatro anos depois, às vésperas de sua saída confirmada ao fim da temporada, deixa a sensação paradoxal de missão cumprida e de que será mais difícil substituí-lo do que parecia meses atrás.

Casemiro como líder que calou críticos

Contra o Fulham, Casemiro foi dominante nos dois lados do campo. Abriu o placar com uma cabeçada após cobrança de falta de Bruno Fernandes, uma parceria que já rendeu sete gols em bolas paradas desde 2022, e depois deu uma assistência primorosa para Matheus Cunha marcar o segundo.

Prestes a completar 34 anos, o brasileiro mostrou que ainda tem impacto físico, leitura de jogo e qualidade técnica para decidir partidas. Mais revelador, porém, foi o que aconteceu quando ele deixou o campo aos 75 minutos. O Manchester United perdeu o controle, sofreu dois gols e reviveu um roteiro já conhecido na temporada. O mesmo havia ocorrido contra o Tottenham, em novembro: Casemiro saiu, e os Spurs marcaram duas vezes.

Dos 40 gols sofridos pelo United em todas as competições, 18 aconteceram sem o brasileiro em campo. Em apenas três jogos ausente, contra Brentford, Aston Villa e Grimsby Town, o time sofreu sete gols. Fulham, Chelsea, Liverpool e Brighton também marcaram todos quando Casemiro não estava jogando.

Essa influência se torna ainda mais impressionante quando se lembra que, meses atrás, ele estava atrás de Toby Collyer na hierarquia, sob comando de Rúben Amorim.

Casemiro e Carrick se abraçam
Casemiro e Carrick se abraçam (Foto: Imago)

Da quase dispensa ao renascimento no Manchester United

O fundo do poço veio no fim da temporada 2023/24. Após a goleada por 4 a 0 para o Crystal Palace, Jamie Carragher, ídolo ex-Liverpool, afirmou que o futebol de elite havia “deixado” Casemiro. Pouco depois, o brasileiro começou a final da FA Cup no banco e sequer participou das comemorações do título contra o City.

Naquele verão, o United teria negociado sua saída se houvesse propostas viáveis. O salário de 350 mil libras por semana, no entanto, afastou interessados. Em setembro, veio outro golpe: substituído no intervalo da derrota por 3 a 0 para o Liverpool, Casemiro foi alvo de duras críticas, incluindo de Gary Neville, que comparou sua situação aos próprios dias finais como jogador.

Nem mesmo a chegada de Amorim mudou o cenário de imediato. O treinador português chegou a questionar se o brasileiro ainda suportava a intensidade da Premier League. Mas ajustes táticos reduziram a exposição defensiva do volante, e, gradualmente, Casemiro recuperou espaço até se tornar exemplo público de dedicação, segundo o próprio Amorim.

A virada definitiva veio com Michael Carrick. A presença de Kobbie Mainoo ao seu lado, a redução no calendário e o retorno à seleção brasileira sob comando de Carlo Ancelotti devolveram confiança, energia e clareza de função ao camisa 18.

Desde fevereiro do ano passado, Casemiro soma 11 participações diretas em gols, ficando atrás apenas de Bruno Fernandes no elenco. Além disso, ocupa o 10º lugar na Premier League entre volantes em passes que quebram linhas (145), com quatro deles resultando diretamente em gols.

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e junte-se à nossa comunidade. Receba conteúdo exclusivo toda semana e concorra a prêmios incríveis!

Já somos mais de 4.800 apaixonados por futebol!

Ao se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Casemiro deixará vazio difícil de preencher

Imagina-se que seu sucessor será mais dinâmico e com mais mobilidade. O jornal inglês “Telegraph”, por sua vez, indica como há outros atributos muito difíceis de serem supridos:

“Mas substituir sua ameaça de gol (muitas vezes ignorada) e sua criatividade subestimada não será simples, assim como sua experiência e conhecimento de grandes jogos são mercadorias preciosas”, diz o periódico.

A “BBC” o chamou de um jogador “histórico” e também elogiou o volante. “A forma é temporária, a classe é permanente“, indicou o jornal — que lembra que os cinco gols sem contar pênaltis do brasileiro são superiores aos números de Gyökeres, Salah e Saka.

Casemiro nunca foi apenas um destruidor. Sua criatividade subestimada, sua capacidade de decidir em momentos-chave e seu entendimento do jogo em altíssimo nível fazem dele um jogador raro, especialmente em um elenco jovem e ainda em construção.

A contratação sempre será vista sob o preço: ter custado 60 milhões de libras aos 30 anos. Ainda assim, o brasileiro entrega ao United performance que deve levar o clube de volta à Champions League.

Casemiro marcou um dos gols do United
Casemiro marcou um dos gols do United (Foto: Imago)
Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo