Inglaterra

Premier League libera patrocínios da Arábia Saudita ao Newcastle, desde que tenham “valor de mercado”

Um comitê da liga inglesa avaliará se patrocínios de empresas ligadas ao donos dos clubes estão sendo inflacionados para driblar as regras ou não

A Premier League suspendeu a proibição de que clubes fechem contratos de patrocínio com empresas ligadas aos seus donos, imposta temporariamente no momento em que a Arábia Saudita comprou o Newcastle, mas terá um processo para se assegurar de que os valores não estão sendo superfaturados. As informações são da agência Reuters e da BBC.

Documentos do Football Leaks publicados em um trabalho investigativo liderado pela revista Der Spiegel mostraram que Paris Saint-Germain e Manchester City receberam receitas infladas de empresas ligadas aos governos do Catar e dos Emirados Árabes, respectivamente, uma maneira de driblar as regras do Fair Play Financeiro – que permitem que os clubes gastem apenas o que faturam, com um limite para prejuízos e investimentos diretos dos donos.

O City chegou a ser excluído de competições europeias por dois anos, mas conseguiu anular a punição na Corte Arbitral do Esporte. O PSG também não foi devidamente sancionado. Diante do risco de que algo parecido possa acontecer com o Newcastle e a Arábia Saudita, e sem poder contar com órgãos reguladores como a Uefa, a Premier League decidiu agir sozinha.

Havia a possibilidade de que a proibição se tornasse permanente, mas a liga preferiu tomar um caminho intermediário. Esses patrocínios – como, por exemplo, da Etihad com o City ou da Autoridade do Turismo do Catar com o PSG – serão permitidos, mas haverá um comitê especial, aconselhado por um consultor externo, para avaliar se os valores estão de acordo com o mercado.

A Premier League criará um banco de dados para comparar as avaliações dos patrocínios com base em acordos comerciais anteriores. Esse comitê é quem decidirá o que é um “valor de mercado justo” para os patrocínios – não apenas do Newcastle, mas qualquer um que tiver relação com os donos dos clubes parceiros. Não à toa que na votação realizada mês passado para aprovar a proibição provisória, o City se absteve e os outros 18 clubes foram a favor.

A condução do processo de venda do Newcastle foi gota d’água para a renúncia do presidente da Premier League, Gary Hoffman, anunciada em meados de novembro. O clube do nordeste da Inglaterra se livrou do odiado proprietário Mike Ashley e seus torcedores estão animados com as perspectivas de altos investimentos, mas pairam sobre os novos donos acusações sérias de violações de direitos humanos.

O Newcastle foi comprado por meio do Fundo Público de Investimento (PIF, na sigla em inglês). A Premier League acreditou (ou diz que acredito, sendo mais preciso) nas garantias de que o governo saudita “não controlará” o Newcastle e que o PIF é um órgão independente, embora seja também seja presidido pelo príncipe Mohamed Bin Salman, o governante da Arábia Saudita.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo