Inglaterra

Arábia Saudita compra o Newcastle e, entre alívio e dilemas morais, torcida comemora o fim da era Mike Ashley

Após 14 anos sob o comando de um dono odiado e que se recusava a explorar o potencial do Newcastle, o clube foi comprado nesta quinta-feira por um consórcio liderado pelo fundo de investimentos do governo saudita

Acabou. Um comunicado que coube em um tuíte deixou os torcedores do Newcastle em um misto de alegria, alívio e dilemas morais, mas principalmente encerrou um pesadelo. Após 14 anos, dois rebaixamentos, muita mediocridade e pouca perspectiva, Mike Ashley é passado. O clube foi comprado nesta quinta-feira por £ 300 milhões por um consórcio liderado pelo Fundo Público de Investimento da Arábia Saudita que pretende transformá-lo em uma potência do futebol da Inglaterra e da Europa e também utilizá-lo para mascarar suas violações de direitos humanos e fortalecer o projeto do príncipe Mohammad Bin Salman para reduzir a dependência do Reino das receitas do petróleo.

O Fundo Público de Investimento (PIF, na sigla em inglês) é o fundo soberano da Arábia Saudita que conduz investimentos em inúmeros setores. Em maio do ano passado, aproveitou o enfraquecimento do mercado por causa da pandemia para comprar ações de empresas norte-americanas como Boeing, Citigroup, Facebook, Disney e Bank of America. Totaliza 10 bilhões de dólares apenas em papéis listados nos EUA. Em janeiro deste ano, o Fundo anunciou um plano que pretende dobrar seus ativos até 2025, tornando-o “o principal catalizador da transformação e diversificação econômica da Arábia Saudita”, segundo Bin Salman, governante da Arábia Saudita e presidente do conselho do Fundo.

O esporte tem sido um braço da visão de Bin Salman para 2030, como oferta de entretenimento e instrumento para passar a imagem de um país mais moderno e aberto. A seleção brasileira realizou amistosos no país. As Supercopas da Itália e da Espanha também foram levadas para lá. Em dezembro, será realizado o primeiro Grande Prêmio de Fórmula 1 em Jeddah. Seguindo o manual dos vizinhos Emirados Árabes (Manchester City) e Catar (Paris Saint-Germain), o Newcastle será o carro-chefe da Arábia Saudita no âmbito esportivo. Um clube com marca forte, torcida apaixonada e vaga na liga mais rica do mundo.

O Fundo terá 80% das ações do Newcastle. O restante da participação será dividido entre a empresária Amanda Staveley, principal intermediária do negócio e que havia trabalhado no passado para aproximar o xeque Mansour bin Zayed Al Nahyan do Manchester City, e dos irmãos Reuben, bilionários principalmente do ramo imobiliário no Reino Unido. Yasir Al-Rumayyan, governador do PIF, será o presidente não-executivo do Newcastle. Staveley sentará no conselho, e Jamie Reuben, filho de David Reuben, será um dos diretores.

“Um grupo de investimento liderado pelo Fundo Público de Investimento, e que também é composto pela PCP Capital Partners (empresa de Staveley) e a RB Sports & Media (dos irmãos Reuben), completou a aquisição de 100% do Newcastle United Limited e do Newcastle United Football Club Limited”, afirmou o clube em comunicado. “O grupo de investimento é composto por investidores de longo prazo e pacientes que possuem toda a confiança no sucesso futuro do clube. O anúncio é a conclusão de um processo meticuloso e detalhado que permitiu que o grupo de investimento fechasse o acordo que beneficia todos os acionistas e deixa o Newcastle bem colocado para percorrer uma estratégia clara e de longo prazo”.

“Para o PIF, um dos investidores de maior impacto do mundo, a aquisição está de acordo com a sua estratégia de focar em setores-chave, incluindo Esportes e Entretenimento, e se alinha com a missão do PIF de investir em longo prazo – neste caso, para incentivar o potencial do clube e construir em cima do legado do clube”, completou. O acordo entre Mike Ashley e o grupo de investimento foi anunciado pela primeira vez em abril do ano passado, mas o consórcio se afastou do negócio após não receber aprovação regulatória da Premier Legue. Isso não foi um problema desta vez, e chegou a hora de explicar por quê.

O que mudou?

Mohammed Bin Salman Al Saud, príncipe da Arábia Saudita (centro), com o presidente Gianni Infantino ao fundo (Photo by Pool/Getty Images)

Havia dois empecilhos. Um foi resolvido e o outro a Premier League decidiu fingir que foi resolvido. O mais concreto era uma disputa de pirataria entre a beIN Sports, do Catar, uma das principais parceiras internacionais da liga inglesa que pagou 500 milhões de dólares para transmitir os jogos no Golfo e no norte da África, e a Arábia Saudita.

Em meio à rivalidade geopolítica entre os países, a Arábia Saudita havia banido a beIN Sports de operar em seu território e era acusada de comandar uma rede de pirataria on-line batizada provocativamente de BeoutQ. Esta semana, no que acabou sendo um prenúncio do acordo entre o consórcio e o Newcastle, o governo saudita concordou em encerrar a proibição às operações da beIN Sports e prometeu fechar sites piratas funcionando no país.

O outro empecilho apareceu no famoso teste da Premier League para aprovar ou reprovar novos donos e diretores. A preocupação era que o governo saudita seria de fato o dono do Newcastle por meio do Fundo Público de Investimento, uma hipótese com credibilidade razoável considerando que a mesma pessoa que manda no governo saudita preside o conselho do PIF.

Se esse fosse o caso, representantes do governo saudita precisariam passar pelo teste – e eles não estavam muito afim de fazê-lo. Segundo a The Athletic, os compradores haviam oferecido garantias do primeiro escalão do poder público da Arábia Saudita de que não seria assim, mas a Premier League não recuou.

Após o acordo colapsar, houve esforços diplomáticos do governo britânico entre os sauditas e a Premier League, ainda de acordo com a The Athletic. O advogado da liga, Adam Lewis, havia dito em uma audiência de um processo de Mike Ashley contra a Premier League para tentar avançar a venda que o teste era o “único impedimento” e que “se a arbitragem decidir que a Arábia Saudita não será um diretor, a transação pode e irá seguir em frente”.

A arbitragem para determinar exatamente a conexão entre as duas entidades havia sido marcada para janeiro, mas ela não é mais necessária. A Premier League, aparentemente, já está satisfeita.

“A Premier Legue, o Newcastle United Football Club e a St. James Holdings Limited (empresa de Mike Ashley) resolveram nesta quinta-feira as disputas sobre a compra do clube pelo consórcio formado pelo Fundo de Investimentos Públicos, a PFCP Capital Partners e a RB Sports & Media”, afirmou a liga em um comunicado oficial.

“Após completar o Teste de Diretores e Donos da Premier League, o Newcastle foi vendido ao consórcio com efeito imediato. As disputas legais se referiam a quais entidades seriam donas e/ou teriam a capacidade de controlar o clube após a venda. Todas as partes concordaram que era necessário encerrar um período longo de incerteza aos torcedores em relação à propriedade do clube”.

“A Premier League agora recebeu garantias legalmente vinculantes de que o Reino da Arábia Saudita não controlará o Newcastle United Football Club”.

“Todas as partes estão satisfeitas por terem concluído este processo que fornece certeza e claridade ao Newcastle e a seus torcedores”, completou.

Essas garantias permitiram que o teste fosse concluído sem que representantes do governo saudita precisassem realizá-lo. Ainda não está claro quais foram esses compromissos, por que eles são mais críveis do que os anteriores e se haverá punição caso seja detectada a conexão entre o governo saudita e o Fundo de Investimento Público – o que não deve ser muito difícil de encontrar.

Mas ficou claro que, resolvida a questão financeira que envolvia os direitos de transmissão, a Premier League ficou muito mais suscetível às garantias do governo saudita.

Entre o alívio e a moral

Uma pesquisa do Newcastle United Supporter’s Trust (NUST) afirmou esta semana que 93,8% dos seus membros eram a favor do negócio. A quase unanimidade é fruto da imensa rejeição a Mike Ashley. Se o próprio Diabo se apresentasse para tirar o Newcastle de suas mãos, essa porcentagem no máximo oscilaria dentro da margem de erro.

Arábia Saudita pode não ser o Diabo, mas, com um Estado autoritário que oprime mulheres, homossexuais e dissidentes, prende defensores de direitos humanos de maneira arbitrária, lidera uma coalizão militar que bombardeia indiscriminadamente o Iêmen e com envolvimento direto no assassinato do jornalista Jamal Kashoggi, já fez muitos bicos para ele.

Em maio do ano passado, a esposa de Kashoggi, crítico do governo saudita em sua coluna para o Washington Post que havia se exilado nos EUA em 2017 e foi vítima de uma “execução deliberada e premeditada” comandada pelo governo da Arábia Saudita, e com a participação do príncipe Bin Salman, segundo relatório da ONU, havia pedido que os torcedores do Newcastle rejeitassem os novos donos.

“Escrevo a vocês em um momento crucial da história do seu famoso clube de futebol”, escreveu Hatice Cengiz. “O príncipe Mohammed Bin Salman, governante absoluto da Arábia Saudita, está tentando comprar seu clube oferecendo uma gigantesca quantidade de dinheiro. Sei que muitos de vocês estão tentados a aceitar a proposta para saírem da situação triste que prejudicou seu clube durante tantos anos”.

“Mas o príncipe é acusado de ter ordenado a morte de Jamal. Todas as investigações críveis mostraram sua responsabilidade. Ele não foi julgado em seu próprio país porque o controla com punho de ferro. Meu apelo é que pensem se aceitar a proposta de Mohammed bin Salman é realmente a maneira certa para o seu clube sair desse desespero. Como pode ser se o seu clube será controlado por alguém que deveria ser julgado por assassinato, como teríamos o direito de esperar de alguém que matou um ente querido”.

“Foi amplamente relatado que ele prendeu e torturou diversos oponentes e ativistas dos direitos das mulheres, matou e mutilou incontáveis civis na guerra do Iêmen e até perseguiu membros da sua própria família. Esse é quem ele é e certamente não é quem vocês querem que o seu clube seja”, completou.

Desde o início do processo, a Anistia Internacional questionou se a Premier League deveria aceitar o governo saudita entre os seus donos e alertou contra o “sportswashing”, ou seja, a lavagem da imagem do regime por meio da sua participação no esporte mais popular do mundo. “Ainda precisamos ver essa transação por aquilo que é: a Arábia Saudita tentando usar o glamour e o prestígio da Premier League como uma ferramenta de relações públicas, para distrair os registros abismais de direitos humanos no país”, disse Felix Jakens, diretor da Anistia Internacional no Reino Unido, em abril do ano passado.

“Sob o regime de Mohammad bin Salman, os defensores dos direitos humanos sauditas foram submetidos a uma repressão brutal, com inúmeros ativistas presos – incluindo Loujain al-Hathloul e outros corajosos defensores de direitos da mulher. Houve uma flagrante ocultação sobre o terrível assassinato de Jamal Khashoggi e a coalização militar liderada pela Arábia Saudita no Iêmen tem um histórico vergonhoso de lançar ataques indiscriminados a casas e hospitais”.

“Embora não seja nosso papel dizer quem deve ser o dono do Newcastle, todos os negócios precisam se proteger de qualquer possível cumplicidade com as violações dos direitos humanos. No futebol, não é diferente. Até certo ponto, a lavagem esportiva pode ser combatida se as partes interessadas estiverem preparadas para romper o feitiço. Apelamos aos funcionários e torcedores do Newcastle para que se familiarizem com a terrível situação dos direitos humanos na Arábia Saudita e estejam preparados a falar sobre isso”, completou.

Nesta quinta-feira, pouco antes do anúncio oficial do negócio, a Anistia voltou a questioná-lo e criticou o processo de aprovação de novos donos da Premier League. “Em vez de permitir que pessoas implicadas em sérias violações de direitos humanos entrem no futebol inglês simplesmente porque têm muito dinheiro, pedimos que a Premier League mude o seu teste para donos e diretores para endereçar os direitos humanos”, disse Sacha Deshmukh, executiva-chefe do braço britânico da entidade no Reino Unido.

“A frase ‘direitos humanos’ sequer aparece no teste para donos e diretores, apesar do futebol inglês supostamente ter aderido aos padrões da Fifa (que passou a considerar os direitos humanos para as sedes de seus torneios). Enviamos à Premier League uma sugestão de novo teste em conformidade com os direitos humanos e reiteramos o pedido para que eles revisem os seus padrões sobre isso”, completou.

Em torno da estátua de Bobby Robson, e sob uma faixa que dizia “Não exigimos um clube que vença, exigimos um clube que tente”, torcedores do Newcastle se reuniram para comemorar a venda do clube para o consórcio liderado pelos sauditas. Cantaram, choraram, beberam – bastante; a hashtag #can, inglês para lata, de cerveja, no caso, viralizou no Twitter. E alguns deles deixaram a questão dos direitos humanos em segundo plano, como testemunhou um repórter do Guardian.


“Como torcedores, não há muito que podemos fazer sobre a questão dos direitos humanos. Estamos todos usando roupas feitas em fábricas em países com questões de direitos humanos. O compasso moral é sempre estranho em momentos assim. Como torcedores, especialmente tão oprimidos como os nossos, você precisa poder ter um pouco de esperança e essa é a prioridade hoje, não a questão dos direitos humanos”, disse um torcedor de 47 anos, que também espera que o negócio atraia mais investimentos à região.

Outros torcedores seguiram a linha de defesa da hipocrisia – não sem muita razão. Um deles, que se identificou como Mark Middling, professor de contabilidade da Universidade de Northumbria especializado em transparência financeira no futebol, lembrou que o Reino Unido vende armas para a Arábia Saudita. “Se faz negócios com a Arábia Saudita, virar e falar que eles não podem ter um dos nossos clubes de futebol seria um pouco hipócrita”, disse. Ray Sproul, 80 anos, lembrou que a próxima Copa do Mundo será realizada no Catar e que os Emirados Árabes Unidos são donos do Manchester City há anos “sem que as pessoas gritem contra eles”.

Não é verdade, porém, que não tenha havido críticas contra o Catar ou os Emirados Árabes, outros dois países com governos autoritários e histórico de violações de direitos humanos. O tempo, porém, contribuiu para naturalizar a presença de ambos no futebol, e as acusações contra a Arábia Saudita, como uma das grandes potências da região e com laços próximos aos Estados Unidos, acabam sendo mais midiáticas. Quando passar o alívio e a alegria por terem se livrado de um calvário de 14 anos sob o comando de Mike Ashley, os dilemas morais tendem a tomar um espaço maior em muitos torcedores do Newcastle.

A Era Mike Ashley

Criança protesta contra Mike Ashley (Foto: AP)

O Newcastle é um dos clubes mais importantes da Inglaterra. Embora seus principais títulos estejam perdidos no passado – o último foi a Copa da Inglaterra de 1954/55 – teve um dos times mais fortes do começo da Premier League. Emendou duas campanhas em segundo lugar, disputou competições europeias com regularidade e tinha Alan Shearer, ainda o maior artilheiro da era moderna do Campeonato Inglês.

Quando Mike Ashley se tornou o proprietário, o Newcastle estava no meio da tabela, após algumas campanhas fortes. Shearer havia se aposentado, mas Michael Owen fora repatriado do Real Madrid para ser seu sucessor, o que não deu muito certo em termos esportivos por causa do excesso de lesões, mas era indicativo do potencial de um clube com história, torcida apaixonada, um belíssimo estádio e que é uma das principais bandeiras da sua região.

A administração de Ashley teve vários problemas, como a falta de entendimento com a torcida, o que derivou em um desrespeito a ídolos, como Kevin Keegan, que pediu demissão em 2008 após rusgas com a diretoria em torno de reforços, e Jonas Gutiérrez, dispensado após se recuperar de um câncer, sem a ajuda do clube, para salvá-lo do rebaixamento com gol e assistência no jogo decisivo.

Mas o seu crime mortal foi nunca ter explorado esse potencial do Newcastle. Em 14 temporadas, houve dois rebaixamentos e dois acessos, um quinto lugar e nove campanhas que ficaram entre o décimo e o 16º lugar. O Newcastle de Ashley se tornou o maior campeão da mediocridade no futebol inglês, e a acusação é que ele estava mais interessado em usar o clube para promover a sua loja de materiais esportivos, a Sports Direct, do que de fato investir para fortalecer os Magpies.

Essa é uma acusação fácil de ser sustentada olhando para os mercados do Newcastle. Apesar do crescimento exponencial de receitas dos clubes da Premier League ao longo da última década, o primeiro reforço de mais de € 20 milhões contratado por Ashley foi Miguel Almirón, em janeiro de 2019. A contratação de Owen seguiu quase 15 anos como a mais cara da história do Newcastle. O período forçado de vacas magras foi especialmente frustrante aos torcedores que viam outros clubes ingleses, alguns com menor estrutura, fazendo investimentos muito mais altos.

Claro que gastar dinheiro não é a única maneira de fazer um clube crescer, mas Ashley também não percorreu o outro caminho. Nunca definiu um projeto esportivo claro que apostasse em um técnico jovem em ascensão e em uma boa rede de olheiros para identificar jogadores sub-valorizados, como faz o Brighton, por exemplo. Sempre preferiu um perfil mais conservador que garantisse a permanência na Premier League. Apenas em 2010, após passar por uma série de trabalhos relâmpagos de nomes como Sam Allardyce e Kevin Keegan, conseguiu ter um período de mais estabilidade com Alan Pardew.

Mais recentemente, Rafa Benítez, campeão europeu, ex-treinador de Real Madrid, Chelsea e Internazionale, foi fonte de alguma esperança. Tirou o Newcastle da segunda divisão e emendou duas sólidas campanhas no meio da tabela, desafiando os grandes. Nada de excepcional em termos de resultados, mas a presença de um nome de tanto calibre fazia os torcedores pelo menos sonharem que com alguns investimentos seria possível almejar um pouco mais. Benítez saiu em 2019, cobrando que Ashley tivesse mais ambição e abrisse a carteira para investir em infraestrutura e para melhorar o time.

Saiu, portanto, falando a mesma língua dos torcedores. Tanto que foi o primeiro especulado como técnico do time ano passado, quando o negócio parecia iminente. Agora, está no Everton, fora de cogitação. A prioridade da nova administração será melhorar a comunicação com a torcida e investir em infraestrutura, mas uma das primeiras medidas deve ser substituir Steve Bruce, um torcedor fanático que sempre sonhou em comandar o clube e que acabou ficando preso entre uma briga que era muito maior do que as suas capacidades como técnico.

Porque ele não foi muito pior que Benítez, mas o seu currículo, especializado em promoções e permanências heroicas na primeira divisão, sempre emanou aquela mediocridade defendida por Ashley e rejeitada pelos torcedores. Ele também era tido por alguns como uma marionete do dono e virou um dos alvos de insatisfação. O começo de temporada do Newcastle, ainda sem vitórias e na vice-lanterna da Premier League, não lhe dá nenhum argumento para tentar defender o seu emprego.

Durante 14 anos, o torcedor do Newcastle testemunhou o apequenamento do seu clube. Caiu duas vezes à segunda divisão, não disputou sequer uma semifinal de copa inglesa, teve apenas uma boa campanha na Premier League – que gerou quartas de final da Liga Europa – e principalmente não via outro caminho para sair do buraco que não fosse se livrar de Mike Ashley.

Saber isso é importante para entender o alívio e as explosões de alegria desta quinta-feira, mesmo que na prática a troca tenha sido um capitalista sem coração por um governo ditatorial e sanguinário.

A maior tragédia é que nos últimos anos os dois lados da briga tinham um objetivo em comum. Mike Ashley queria vender o clube (acabou lucrando umas £ 60 milhões), e os torcedores queriam esperança. Pelo menos isso agora eles têm, mas vale questionar a que custo.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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