Inglaterra

Esposa de jornalista assassinado pede à torcida do Newcastle: “Protejam seu clube do príncipe”

Enquanto a Premier League conduz o processo necessário para aprovar a venda do Newcastle a um fundo controlado pela Arábia Saudita, segue o debate sobre a ética de aceitar dinheiro de um governo autoritário e com histórico de violação de diretos humanos. Hatice Cengiz viveu esses horrores na pele quando seu marido, o jornalista Jamal Khashoggi, foi assassinado por operadores do regime na embaixada saudita em Istambul. E ela veio a público com uma carta aberta em que faz um apelo à torcida do Newcastle: não permitam que a venda se concretize.

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Khashoggi foi um vocal crítico do governo saudita em sua coluna no Washington Post desde que se auto-exilou nos EUA em 2017. Oficiais do país afirmam que o assassinato foi responsabilidade de “agentes rebeldes” que tentavam convencê-lo a voltar ao reino. Um relatório das Nações Unidas, porém, determinou que ele foi vítima de uma “execução deliberada e premeditada”, comandada pelo governo da Arábia Saudita, com o envolvimento do príncipe Mohammed Bin Salman, chefe do fundo que pretende comprar 80% das ações do Newcastle.

“Escrevo a vocês em um momento crucial da história do seu famoso clube de futebol”, escreveu Cengiz. “O príncipe Mohammed Bin Salman, governante absoluto da Arábia Saudita, está tentando comprar seu clube oferecendo uma gigantesca quantidade de dinheiro. Sei que muitos de vocês estão tentados a aceitar a proposta para saírem da situação triste que prejudicou seu clube durante tantos anos”.

“Mas o príncipe é acusado de ter ordenado a morte de Jamal. Todas as investigações críveis mostraram sua responsabilidade. Ele não foi julgado em seu próprio país porque o controla com punho de ferro. Meu apelo é que pensem se aceitar a proposta de Mohammed bin Salman é realmente a maneira certa para o seu clube sair desse desespero. Como pode ser se o seu clube será controlado por alguém que deveria ser julgado por assassinato, como teríamos o direito de esperar de alguém que matou um ente querido”, completou.

Cengiz também aponta que o assassinato de Khashoggi foi apenas uma das atrocidades creditadas a Bin Salman. “Foi amplamente relatado que ele prendeu e torturou diversos oponentes e ativistas dos direitos das mulheres, matou e mutilou incontáveis civis na guerra do Iêmen e até perseguiu membros da sua própria família. Esse é quem ele é e certamente não é quem vocês querem que o seu clube seja”, continuou.

Ela afirmou que o “legado e o destino” do Newcastle não podem ser se tornar a casa de acusados de tortura e assassinato, “para sempre competindo pela glória no futebol sob essa negra e sinistra nuvem”.

“Vocês, como fiéis torcedores, têm muita influência nisso. Imploro que se unam para proteger seu amado clube do príncipe e daqueles que o cercam. Eles não estão fazendo isso para ajudá-los ou com seus melhores interesses em mente, mas apenas para servir a si mesmos. Os corações deles não estarão genuinamente no clube que significa tudo para vocês. Peço que enviem uma mensagem em alto e bom som à Premier League, à administração do clube, aos líderes da sua cidade e ao mundo. A voz de vocês será muito poderosa”.

“Não podemos deixar o belo jogo de futebol ser envergonhado pelos que não são apaixonados por ele e que buscam apenas usá-lo para esconder seus chocantes atos. Agora é o momento de se unir pelo jogo, pelo seu clube, pela sua cidade e pelo seu país para fechar a porta na cara desse acordo ofensivo. Não é um salva-vidas para seu clube, mas o pior resultado possível para todas as pessoas decentes e que se importam”, encerrou.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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