Inglaterra

Ex-jogadores da Premier League acionam a Justiça por lesões cerebrais

O grupo de jogadores reforça que as autoridades não dão à devida atenção às lesões cerebrais causadas pelo futebol

A preocupação com as lesões cerebrais causadas pelo futebol está na esfera jurídica. Isso porque quatro jogadores da era Premier League, que começou em 1994, e a família de Joe Kinnear, que faleceu em abril após ser diagnosticado com demência em 2015, fazem parte de uma ação legal contra as autoridades do esporte, cujo processo foi aberto há dois anos.

O grupo de 35 ex-jogadores afirma que a Football Association (Federação Inglesa de Futebol, cuja sigla é FA), a English Football League (que organiza a Championship e a Copa da Liga Inglesa), a Football Association of Wales (Federação de Futebol do País de Gales, ou FAW) e o Ifab (órgão legislativo do futebol) foram negligentes por não tomarem medidas à altura para protegê-los de lesões cerebrais permanentes causadas por golpes concussivos e subconcussivos repetitivos.

Vale reforçar que os advogados dos ex-atletas enviaram mais de 8 mil páginas de registros médicos e documentos relacionados ao caso. A mais recente audiência faz parte de uma conferência de rotina sobre gestão de ocorridos antes de um possível julgamento. Até o momento, seis requerentes morreram durante o processo judicial, incluindo o já citado Kinnear. As informações são do The Guardian.

Os representantes dos ex-jogadores argumentam que eles vivem ou viveram com deficiências neurológicas irreversíveis, como demência de início precoce, encefalopatia traumática crônica, síndrome pós-concussão, epilepsia, doença de Parkinson e doença do neurônio motor. O advogado Richard Boardman chegou a acusar as autoridades do futebol de tentar atrasar os procedimentos legais.

Entenda o processo referente as lesões cerebrais no futebol

Em março, a BBC revelou que os representantes do grupo dos 35 ex-jogadores baseia sua acusação de negligência por parte dos órgãos do futebol a uma ata de reunião da FA de 1983. À época, a federação indicou que “estava sempre plenamente consciente dos perigos” de concussões no esporte, que poderiam causar lesões cerebrais com o passar do tempo.

Uma pesquisa realizada em 2019 mostrou que ex-jogadores de futebol tinham 3,5 vezes mais chances de morrer de demência do que a população em geral. Nobby Stiles, que ganhou a Copa do Mundo com a Inglaterra em 1966, faleceu em 2020, vítima de um câncer de próstata e demência avançada. Seu cérebro foi diagnosticado como portador de encefalopatia traumática crônica (ETC) – uma forma de demência de doença degenerativa que se acredita ser causada por golpes repetidos na cabeça.

A família de Stiles faz parte da ação legal referente às lesões cerebrais e a negligência das entidades do futebol. Um porta-voz da Football Association disse que “não comenta sobre processos judiciais em andamento”. Mesmo assim, declarou que a federação lidera esforços para rever e melhorar a segurança dos jogadores:

– Isto inclui investir e apoiar múltiplos projetos, a fim de obter uma maior compreensão desta área através de pesquisas objetivas, robustas e completas. Já tomamos muitas medidas proativas para rever e abordar potenciais fatores de risco que podem estar associados ao futebol, enquanto a investigação em curso continua nesta área, incluindo a ligação com os órgãos governamentais internacionais.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo