A morte de Nobby Stiles em outubro de 2020 após sofrer de demência em seus últimos anos de vida e o diagnóstico de Bobby Charlton no mês seguinte com a mesma doença degenerativa acionaram os alarmes para o problema entre ex-jogadores de futebol. Para Alex Ferguson, ex-treinador do Manchester United, o esporte precisa fazer mais para lidar com a questão.

Em entrevista ao Daily Mail, o escocês lamentou o caso dos campeões do mundo em 1966 e assumiu a responsabilidade, como figura icônica que é do esporte, de fazer algo, nem que seja apenas ajudar na conscientização do problema.

“Tem sido muito triste. O Bobby (Charlton) não está bem há algum tempo. Os portões (para a discussão) se abriram com a morte do Nobby (Stiles) e com o diagnóstico do Bobby (Charlton). Eles são figuras enormes, isso precisa criar uma conscientização”, alertou Ferguson.

“Precisamos ver o que podemos fazer para ajudar. O futebol tem o dever de olhar para a situação. Pessoas como eu devem ao futebol ver se tem algo que possamos fazer”, afirmou Ferguson, que neste mês participará de um evento online ao lado de Kenny Dalglish, ídolo do Liverpool, e Gareth Southgate, treinador da seleção inglesa, para levantar fundos para a batalha contra a demência.

“Não sei o que a PFA (sindicato de jogadores profissionais da Inglaterra) está fazendo, mas a LMA (sindicato de treinadores do país) está preocupada, e o Richard Bevan (diretor-executivo da entidade) tem sido fantástico”, comentou.

O ato do cabeceio ao longo de uma carreira de atleta é um dos elementos que têm causado preocupação, com uma nova diretriz da FA afirmando que crianças com menos de 11 anos não devem mais praticar cabeceios nos treinamentos. Ferguson acha difícil tirar o gesto do esporte, já que está tão consagrado e é parte integral do jogo, mas acredita que não há problemas em retirá-lo dos treinos.

“O cabeceio é uma parte do futebol que existe há mais de 100 anos, e não dá para você tirá-lo do jogo. Mas acho que seria fácil reduzir os cabeceios em treinos.”

Cinco jogadores do elenco campeão mundial em 1966 pela Inglaterra têm ou tiveram a doença, com Jack Charlton, irmão de Bobby Charlton, sendo outro a desenvolver o problema em seus anos finais, falecendo em julho de 2020. A propagação de casos acendeu o debate na Inglaterra, com pedidos de que lesões cerebrais ganhem maior atenção.

A PFA afirmou que clubes, ligas e a FA (Federação Inglesa de Futebol) precisam desenvolver uma estratégia para monitorar e adaptar seus treinos, além de criar técnicas que protejam a saúde dos jogadores a longo prazo. Os dados, afinal, são preocupantes: uma pesquisa conduzida no ano passado, a pedido da FA e da PFA, mostrou que ex-jogadores de futebol são 3,5 vezes mais propensos a desenvolver doenças cerebrais degenerativas do que o restante da população.