Inglaterra

Por que Paquetá escapou de multa por suposta infração no caso de apostas?

Órgão regulador da Federação Ingesa considera brasileiro culpado de duas violações e aplica advertência

A comissão independente da Federação Inglesa de Futebol (FA) advertiu Lucas Paquetá por considerar que o brasileiro não colaborou com as investigações do caso de suposto envolvimento em manipulação por apostas esportivas, que ele foi absolvido.

A decisão anunciada na quinta-feira (30) pela entidade afirma que o atacante do West Ham infringiu duas normas estabelecidas na Regra F3 — que se referem à recusa em responder perguntas e fornecer informações à investigação — mas não fala em pagamento de multa, como era o previsto.

— Nosso ponto de partida para uma sanção era multa, mas determinamos que será atenuado. (…) Aplicamos uma repreensão e uma advertência quanto à conduta futura — escreveu a comissão independente.

Segundo o relatório, o caso tem “circunstancias excepcionais” que justificam uma pena diferente à que costumeiramente seria aplicada. Dentre elas, o impacto que a situação teve nos aspectos financeiros e trabalhista para o jogador.

Comissão cita Manchester City ao explicar sentença mais branda para Paquetá

Lucas Paquetá em jogo do West Ham
Lucas Paquetá em jogo do West Ham (Foto: Imago)

Paquetá foi denunciado pela FA em maio do ano passado por supostamente ter recebido deliberadamente cartão amarelo em quatro jogos do West Ham para favorecer apostadores. Ele sempre alegou inocência.

Pouco antes de a investigação vir à tona, o brasileiro era alvo do Manchester City, mas a diretoria dos Citizens recuou das investidas por causa das acusações. A comissão relembrou isso ao divulgar o parecer.

— O impacto, tanto financeiro quanto na carreira, que o fracasso da provável transferência para o Manchester City (teve) é um fator que levamos em consideração, juntamente com o impacto do processo na saúde mental do jogador e de sua família.

O grupo reconheceu a seriedade do caso e como a carreira de Paquetá poderia ter chegado ao fim em caso de condenação. Além disso, observou que o brasileiro tem “conhecimento limitado” da língua inglesa e não possui formação jurídica, de modo a sempre seguir as orientações do advogado indicado pelo West Ham.

O texto apontou ainda que o meia-atacante se ofereceu para responder as perguntas da FA em uma segunda entrevista, mas a entidade “aparentemente não estava interessada no que ele tinha a dizer”. Paquetá também depôs oficialmente e se disponibilizou a entregar os dispositivos móveis na investigação.

— A FA não apresentou nenhuma evidência de prejuízo. Esse caso se distingue de outros casos em que a falta de cooperação persistiu — completou a comissão.

A entidade máxima do futebol inglês gostaria que o brasileiro pagasse multa de cerca de 150 mil libras (R$ 1,06 milhão), segundo apurou o jornal “The Times” em setembro.

Foto de Milena Tomaz

Milena TomazRedatora de esportes

Jornalista entusiasta de esportes que integra a equipe de redação da Trivela. Antes, passou por Premier League Brasil, ESPN e Estadão. Se formou em Comunicação Social em 2019.

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