‘O clube vai crescer com esta temporada’: Palhinha desabafa após evitar rebaixamento do Tottenham
Autor do gol da permanência, volante português destaca apoio da torcida, admite sofrimento na temporada e projeta reconstrução dos Spurs
João Palhinha resumiu em poucas palavras o sentimento que tomou conta do Tottenham após a dramática permanência na Premier League. Autor do gol da vitória por 1 a 0 sobre o Everton, neste sábado (24), o volante português falou em “sensação incrível” depois de uma temporada marcada pelo caos dentro e fora de campo.
Em entrevista à “Sky Sports”, o camisa 6 destacou a força da torcida nos momentos mais turbulentos e afirmou que o sofrimento vivido ao longo do campeonato pode servir de ponto de virada para o clube nos próximos anos.
— É uma sensação incrível. Depois de uma temporada muito difícil em todos os sentidos, mostramos isso hoje com toda a torcida. Nunca vi nada igual, para ser sincero. Depois de uma temporada ruim, ter esse ambiente e esse apoio… O clube vai crescer com esta temporada, sabemos o que temos que fazer no futuro. Temos que comemorar, nossos torcedores merecem isso — disse Palhinha.
O tom emocionado do português conversa diretamente com o tamanho do alívio vivido no norte de Londres. O Tottenham chegou à rodada final ameaçado de rebaixamento e precisando ao menos de um empate para escapar da Championship. A vitória evitou qualquer cálculo e colocou fim a uma campanha que entrou para a história recente do clube pelas razões erradas.
⬆️ Gol chorado e pedido de De Zerbi: Tottenham vence Everton e sela permanência na Premier League
Teve drama, mas os Spurs estão confirmados na próxima temporada da primeira divisão inglesahttps://t.co/auWU8KynjF
— Trivela (@trivela) May 24, 2026
Da esperança com Thomas Frank ao caos vivido no Tottenham
A temporada do Tottenham começou cercada de expectativa. Após o trabalho consistente no Brentford, Thomas Frank foi escolhido para liderar uma nova reconstrução no clube. A ideia da diretoria era apostar em um treinador capaz de montar uma equipe competitiva, organizada e mais confiável defensivamente, algo que o time não conseguiu apresentar nos últimos anos.
Bastou oito meses, porém, para o projeto sair dos trilhos. O Tottenham acumulou derrotas, perdeu confiança e viu a pressão crescer rodada após rodada. O desempenho abaixo do esperado custou o cargo de Frank, demitido em meio a uma sequência negativa que aproximou os Spurs da zona de rebaixamento.
A tentativa seguinte foi ainda mais desastrosa. Igor Tudor chegou com a missão de devolver intensidade ao time, mas encontrou um elenco emocionalmente abalado e incapaz de reagir. O croata permaneceu menos de dois meses no cargo e deixou o clube depois de apenas sete partidas.
O único triunfo veio no jogo de volta das oitavas de final da Champions League, contra o Atlético de Madrid, por 3 a 2 — resultado insuficiente para evitar a eliminação, já que os ingleses haviam perdido a ida por 5 a 2. No restante da curta passagem, o cenário foi alarmante: cinco derrotas, um empate, 20 gols sofridos e apenas nove marcados. O aproveitamento de 19% traduziu o tamanho da crise.
A equipe londrina parecia perdida taticamente, vulnerável defensivamente e sem qualquer estabilidade emocional para reagir. Em determinado momento da temporada, o temor do rebaixamento deixou de ser exagero para se tornar ameaça concreta.
A dimensão do fracasso foi reconhecida inclusive internamente. Capitão da equipe, Micky van de Ven não escondeu a vergonha pelo cenário vivido pelos Spurs.
— É inaceitável que, no último jogo da temporada, tenhamos lutado contra o rebaixamento. Este clube tem jogadores incríveis, então foi vergonhoso deixar a situação chegar ao último dia. Mas conseguimos, e isso é o que importa — disse em entrevista à “BBC”.
Foi nesse ambiente de desespero que Roberto De Zerbi assumiu o comando em abril. Contratado para evitar um desastre esportivo histórico, o italiano não teve tempo para grandes transformações, mas conseguiu reorganizar minimamente a equipe. Sem brilho, o Tottenham passou a competir melhor, voltou a somar pontos importantes e chegou vivo à rodada decisiva.
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O que esperar do Tottenham de De Zerbi em 2026/27?
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A permanência na Premier League dá ao Tottenham algo que parecia improvável há poucas semanas: a possibilidade de começar novamente. E, pela primeira vez desde que desembarcou em Londres, Roberto De Zerbi terá tempo para construir o time de acordo com suas ideias.
Conhecido pelo futebol apoiado na posse de bola, circulação intensa e saída curta desde a defesa, o treinador italiano precisará de uma pré-temporada completa para implementar seus conceitos. Até aqui, seu trabalho foi muito mais psicológico e emergencial do que propriamente tático. O objetivo era simples: evitar o colapso.
Agora, o cenário muda completamente. A expectativa é de um Tottenham mais agressivo com a bola, pressionando alto e tentando controlar os jogos territorialmente — características marcantes das equipes comandadas por De Zerbi. Para isso, porém, o elenco precisará passar por mudanças importantes.
A campanha deixou evidente que o grupo atual possui limitações profundas, especialmente no sistema defensivo e na capacidade de manter regularidade competitiva ao longo da temporada. O clube também carece de mais criatividade no meio-campo e de alternativas ofensivas capazes de dividir responsabilidades nos momentos decisivos.
O desafio agora será transformar o alívio desta reta final em ponto de partida para uma reconstrução mais sólida.