Guia do Newcastle: Projeto em descrédito e dúvidas marcam ano que será de transição
Magpies perdem titulares, são recusados por alvo novamente e veem técnico abandonar o clube no meio da pré-temporada
Desde que o Fundo Soberano da Arábia Saudita adquiriu o Newcastle, no fim de 2021, a equipe do nordeste da Inglaterra nunca iniciou uma temporada tão em baixa como em 2026/27. Será, definitivamente, um ano de reflexão, transição e preparação para o futuro. O título da Copa da Liga Inglesa em 2025 e as participações na Champions League ficaram para trás.
As razões para isso estão, principalmente, na atuação no mercado de transferências e na saída do técnico Eddie Howe, em meio à pré-temporada, após cinco anos de transformação dos Magpies.
O inglês assumiu um time que estava lutando contra o rebaixamento, logo no começo do projeto, moldou-o a partir dos investimentos sauditas em uma das equipes mais intensas da Premier League, derrubou tabu de 70 anos sem taças e esteve no mata-mata da maior competição europeia.
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Mas o 12º lugar no Campeonato Inglês passado já mostrou desgaste. O comandante decidiu deixar o clube após um 4 a 1 sofrido pelo Bristol City, da segunda divisão inglesa, em amistoso. Foi uma atitude em meio a saídas que mudam as perspectivas no St. James’ Park.
Newcastle perdeu pilares demais
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De uma temporada (já frustrante) para outra, os Magpies perderam a espinha dorsal do seu time. O meio-campo, de longe a parte mais importante para o funcionamento intenso e vertical de Howe, teve as saídas de Bruno Guimarães e Sandro Tonali. Joelinton ficou “sozinho” — ele, inclusive, pediu para deixar o time, mas ainda não chegaram propostas, publicou o “Daily Mail”.
No ataque, a maior fonte de gols saiu. Anthony Gordon, que alternou momentos na ponta esquerda e no centro do ataque como centroavante, fechou com o Barcelona. Kieran Trippier, um líder no vestiário, saiu de graça rumo ao Wolverhampton. Isso que, no passado, Alexander Isak já tinha deixado o Newcastle.
A equipe, com muito dinheiro por ter feito boas vendas, lutou no mercado para trazer substitutos à altura, mas bateu com a cara na porta.
| Jogador | País | Origem | Valor (€) |
|---|---|---|---|
Bazoumana Touré Ponta-esquerda | Hoffenheim Bundesliga | €50,00 mi | |
Amar Dedic Lateral-direito | Benfica Liga Portugal | €35,90 mi | |
Aladji Bamba Volante | Monaco Ligue 1 | €35,50 mi | |
Lukas Hornicek Goleiro | Braga Liga Portugal | €30,60 mi | |
Sean Steur Volante | Ajax Eredivisie | €23,50 mi | |
Ewen Jaouen Goleiro | Stade Reims Ligue 2 | €21,50 mi | |
Harrison Ashby Lateral-direito | Luton League One | Fim emp. |
| Jogador | País | Destino | Valor (€) |
|---|---|---|---|
Sandro Tonali Volante | Tottenham Premier League | €108,00 mi | |
Bruno Guimarães Volante | Arsenal Premier League | €87,50 mi | |
Anthony Gordon Ponta-esquerda | Barcelona La Liga | €80,00 mi | |
Matt Targett Lateral-esquerdo | Hull City Premier League | Livre | |
Kieran Trippier Lateral-direito | Wolves Championship | Livre | |
Joe White Meia-atacante | Crewe Alexandra League Two | ? | |
Alex Murphy Lateral-esquerdo | 1.FC K’lautern 2. Bundesliga | Emp. | |
Harrison Ashby Lateral-direito | Luton League One | Emp. | |
Emil Krafft Lateral-direito | Sem clube | — | |
John Ruddy Goleiro | Sem clube | — | |
Aaron Ramsdale Goleiro | Southampton Championship | Fim emp. |
O clube de dono saudita foi recusado por diversos nomes, como o meia Johan Manzambi, destaque da Copa do Mundo que preferiu o Aston Villa; o ponta Victor Muñoz, que foi para o Liverpool; os volantes João Palhinha, também encaminhado com os Villans; e Pierre-Emile Hojbjerg, ainda sem destino.
Já virou um filme repetido as rejeições ao Newcastle. Quando buscou um substituto para Isak, viu João Pedro, Liam Delap, Benjamin Sesko, Hugo Ekitiké e Bryan Mbeumo recusarem atuar no nordeste da Inglaterra, mesma janela em que foi preterido quando tentou Dean Huijsen, James Trafford e outros.
Parece que os jogadores entenderam que o time não é mais um projeto atrativo para dar um salto na carreira.
A “Visão 2030” do projeto saudita, visando disputar títulos nacionais e europeus daqui a quatro anos, só está na teoria. A prática tem sido dura contra os Magpies, que, vistos como uma ponte em vez do destino final, basicamente só contrataram jovens para esta temporada: Bazoumana Touré (20 anos), Aladji Bamba (20), Lukas Hornicek (24), Sean Steur (18) e Ewan Jaouen (20). Saíram jogadores consolidados, chegaram garotos para o futuro.
A exceção é Amar Dedic, de 24 anos, jogador mais consolidado e que chega do Benfica para elevar a competitividade da lateral direita com o jovem Lewis Miley.
🏴❌ João Pedro, Delap, Ekitiké, Huijsen, Mbeumo… o Newcastle tem o dono mais rico do mundo e uma vaga na Champions League, mas faz uma janela decepcionante
— Trivela (@trivela) July 30, 2025
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Cenário, porém, não é totalmente de terra arrasada
Nem tudo são coisas ruins no Newcastle. O time continua competitivo, com um elenco com nomes capazes de uma campanha de meio de tabela ou até de competição europeia (Conference League, especialmente).
Anthony Elanga, Nick Woltemade, Yoane Wissa e Jacob Ramsey, todos reforços do último ano, não tiveram uma pré-temporada perfeita pela transferência. Agora mais adaptados, podem ser os novos pilares a se somarem a Joelinton (se ficar), Tino Livramento, Sven Botman e outros.
Eles serão comandados por Matthias Jaissle, técnico alemão muito promissor e que tem uma linha parecida com Howe, de muita intensidade e verticalidade — mas um pouco menos caótica e mais controlado.
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A continuidade na filosofia garante uma assimilação mais rápida, necessária porque o novo comandante teve 15 dias entre sua estreia em amistoso com o Valencia e a abertura da Premier League, marcada para 23 de agosto, quando recebe o Liverpool.
O Newcastle, que prometia ser o time mais rico do mundo com a Arábia Saudita, não apareceu. As regras financeiras frearam as pretensões do clube — que em certo momento foi obrigado a vender jogadores para não ser punido pelo fair play — e evitaram que os sauditas repetissem o que Abu Dhabi fez com o Manchester City em 2008, quando não existiam tais normas.
Mas chegar ao estágio de 2026, perdendo titulares para serem repostos por promessas, não era esperado. Jaissle tem a chance de recomeçar uma era no St. James’ Park para, quem sabe, se aproximar do que a Visão 2030 planeja.