Futebol inglês

Início da Premier League deixa sinal claro na disputa pelo título?

Gunners e Citizens se beneficiam de problemas em rivais para abrir vantagem na liderança

Arsenal e Manchester City são os líderes da Premier League na quarta rodada. As duas equipes estão empatadas em quase todos os quesitos; têm 100% de aproveitamento, 12 pontos, oito gols feitos. Os Gunners assumiram a ponta por ligeira vantagem no saldo de gols — sofreu um enquanto os Citizens dois.

É difícil não considerar que o panorama atual já é sinal claro do que a disputa pelo título reserva, e não somente devido ao equilíbrio de ambos os times. Demais postulantes, como Chelsea, Liverpool e Manchester United, têm caminho mais longo a percorrer para incomodar os técnicos Mikel Arteta e Enzo Maresca.

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Por que Arsenal e City são favoritos ao título da Premier League?

O Arsenal, atual campeão, despontava como candidato à taça antes mesmo de a temporada começar. O clube reforçou posições mais carentes na defesa e no ataque, buscou Bruno Guimarães para fortalecer o meio-campo e tem Kai Havertz em boa forma novamente.

Outro fator positivo é Martin Odegaard, com suas contribuições precisas para tornar as ações ofensivas da equipe menos previsíveis, mais móveis e buscar alternativas além das bolas paradas. Em resumo, os Gunners mantiveram os atributos favoráveis e se aprimoraram em relação aos pontos de alerta da temporada anterior.

O City, por sua vez, precisou ser muito incisivo no mercado para reconstruir o time nos moldes de Maresca e suprir ausências de astros experientes como Bernardo Silva e Rodri. O fato de estar em reconstrução após uma década com Pep Guardiola no comando foi o principal motivo para muitos não classificarem os Citizens como a grande ameaça aos planos do Arsenal.

As primeiras rodadas evidenciam que o grupo tem percalços que antes não tinha, como a dificuldade em ser a equipe que envolve os adversários e a pouca solidez — coisas normais ao considerar as muitas mudanças em relação à equipe titular na campanha passada.

Contudo, também mostraram se tratar de um time resiliente, como quando buscou a vitória no clássico contra o Manchester United com um jogador a menos em pleno Old Trafford. Além disso, Maresca tem ideais semelhantes ao antecessor Guardiola e um elenco muito qualificado para colocar seus métodos em prática.

Problemas em rivais diretos ajudam Arsenal e City

Enquanto a situação no Etihad Stadium corre bem mesmo com mudança no comando técnico, em Anfield o cenário não é tão animador. O Liverpool seria forte candidato ao título pelo que já mostrou ser capaz de fazer em temporadas passadas, mas está em processo de reestruturação no ciclo vigente.

Arne Slot saiu e Andoni Iraola chegou. O promissor treinador espanhol já apresentou melhorias em relação ao neerlandês e deu sinais de que o estilo “rock and roll”, adorado por torcedores na era Jürgen Klopp, vai voltar a ser exibido pelos Reds nos gramados.

Porém, Iraola tem o desafio de fazer o meio-campo funcionar. O setor que era a fortaleza do time na conquista da Premier League 2024/25 é o reflexo do declínio nas últimas campanhas. Não há estratégia eficaz na construção de jogadas, tampouco criatividade, e Ryan Gravenberch está longe do auge já apresentado.

Florian Wirtz e Alexander Isak, do Liverpool (Foto; IMAGO / dts Nachrichtenagentur)
Florian Wirtz e Alexander Isak, do Liverpool (Foto: IMAGO/dts Nachrichtenagentur)

A lateral direita pós-Arnold ainda não tem um nome incontestável, bem como o lado oposto, em que Milos Kerkez e Tsimikas se revezaram nos jogos mais recentes. No ataque, Florian Wirtz tem talento, mas oscila.

Por ora, há mais dúvidas do que certezas no Liverpool, e isso está refletido na apatia exposta em campo. Os Reds registraram somente uma vitória em quatro partidas. O recorte esperançoso disso é que não perderam nenhum dos outros três, ou seja, ainda estão invictos.

Iraola tem condições de reanimar o time e o reconduzir ao topo do Campeonato Inglês, mas isso exige conciliar as alterações à agenda movimentada. É um processo que leva tempo e não deve ocorrer nesta temporada.

O cenário é similar no Chelsea. Agora com Xabi Alonso, os Blues mudaram não apenas as táticas nos gramados como também fora deles, ao abrir mão de contratar somente jovens promissores e levar mais experiência a Stamford Bridge. Jordan Henderson e Danny Welbeck são exemplos dessa correção de rota feita no clube londrino.

No que diz respeito às atuações nas partidas, Morgan Rogers, Cole Palmer e João Pedro dão conta do recado no ataque, mas a defesa deixa as sirenes ligadas. Não à toa é a maior preocupação do técnico neste início de campanha e o motivo para não colocar o Chelsea entre os favoritos com Arsenal e City no momento.

A equipe não conseguiu ficar nenhum dos quatro jogos sem ser vazada, e não leva menos de dois gols por duelo. Foram dois tentos tomados contra o Fulham, três diante do Brighton, dois do Arsenal e mais dois do Hull City.

Mohamed Belloumi comemora gol do Hull City sobre o Chelsea (Foto: Imago/Sportimage)
Mohamed Belloumi comemora gol do Hull City sobre o Chelsea (Foto: Imago/Sportimage)

Em todos esses embates, o Chelsea saiu na frente e teve dificuldades para manter ou retomar a dianteira no placar ou até sair com o empate, como no 2 a 2 com o Hull. O time precisa encontrar o equilíbrio defensivo para sofrer menos na Premier League.

Até agora, tem o segundo melhor ataque (10 gols), atrás somente do Brighton (13), e a quarta defesa mais vazada (9). Só Crystal Palace (11), Ipswich Town e o Coventry (empatados com 10) estão piores que os Blues no quesito.

Encontrar equilíbrio entre defesa e ataque também é dor de cabeça do técnico Michael Carrick no Manchester United. Os Red Devils estão zerados no saldo de gols na liga porque têm sete feitos e sete tomados.

O United é geralmente apático, cria poucas chances efetivas — em especial contra defesas bem postadas — e depende muito de Bruno Fernandes. Se o camisa 8 não estiver em um dia inspirado, o time decai significativamente.

Bruno Fernandes, meio-campista do Manchester United
Bruno Fernandes, meio-campista do Manchester United (Foto: Alfie Cosgrove/News Images via Imago)

Outra questão determinante é o mercado. O clube focou em contratar reforços para o meio-campo e, em certo momento, abriu mão de assinar com laterais. Luke Shaw é o único lateral-esquerdo de ofício e tem um calendário muito cheio para dar conta sozinho.

O ataque também deixa a desejar no terço final. As exibições de Marcus Rashford desde o retorno do empréstimo são boa notícia em meio à instabilidade no setor. Benjamin Sesko parece não ser unanimidade na comissão técnica — e sofre com problemas físicos –, e Matheus Cunha e Bryan Mbeumo ainda buscam brilhar tanto quanto na campanha anterior.

Tabela da Premier League 2026/27 tem surpresas na parte de cima

Futebol não é uma ciência exata e a temporada 2026/27 está só no começo. Há muita coisa com potencial de bagunçar a tabela e as projeções até a última rodada, prevista para 30 de maio de 2027. Diferenças consideradas grandes hoje podem ser reduzidas nos confrontos que se seguem.

O contexto também permite que surpresas ameacem Arsenal e Manchester City. O recém-promovido Hull tem feito ótimo inicio de campanha e incomodado gigantes, bem como o Brighton e o Newcastle.

Tabela da Premier League 2026/27 até a 4ª rodada

  1. Arsenal – 12 pontos
  2. Manchester City – 12 pontos
  3. Hull City – 8 pontos
  4. Brighton – 7 pontos
  5. Chelsea – 7 pontos
  6. Brentford – 6 pontos
  7. Liverpool – 6 pontos
  8. Everton – 6 pontos
  9. Ipswich Town – 6 pontos
  10. Newcastle – 5 pontos (um jogo a menos)
  11. Leeds – 5 pontos (um jogo a menos)
  12. Nottingham Forest – 5 pontos
  13. Manchester United – 4 pontos
  14. Sunderland – 4 pontos
  15. Bournemouth – 3 pontos
  16. Crystal Palace – 3 pontos
  17. Tottenham – 2 pontos
  18. Fulham – 1 ponto
  19. Aston Villa – 1 ponto
  20. Coventry City – 0
Foto de Milena Tomaz

Milena TomazRedatora de esportes

Jornalista entusiasta de esportes. Se formou em Comunicação Social em 2019.

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