Futebol inglês

‘Se você for mole, será punido’: Xabi Alonso se incomoda e critica problema crônico do Chelsea

Ataque dos Blues mantêm bom desempenho no início da temporada, enquanto fragilidade defensiva segue sem solução

O Chelsea voltou a deixar escapar uma vantagem e, mais uma vez, a defesa foi o principal motivo de preocupação para Xabi Alonso. O empate por 2 a 2 com o Hull City, neste sábado (12), em Stamford Bridge, pela quarta rodada da Premier League, reforçou um problema que já deixou de ser pontual neste início de temporada. O time até tem encontrado facilidade para balançar as redes, mas continua oferecendo espaços demais do outro lado do campo.

A diferença entre os dois setores chama atenção. Em seis partidas na temporada 2026/27, os Blues marcaram 18 gols, sendo dez nas quatro primeiras rodadas do Campeonato Inglês. A produção ofensiva, portanto, tem sido suficiente para sustentar a equipe em muitos momentos. A defesa, porém, segue em trajetória oposta: já foram nove gols sofridos na Premier League e 12 considerando também os compromissos pela Copa da Liga Inglesa.

Chelsea em 2026/27:

  • 4 vitórias
  • 1 empate
  • 1 derrota
  • 18 gols feitos
  • 12 gols sofridos

Contra o Hull City, o roteiro voltou a se repetir. O Chelsea não conseguiu controlar o jogo depois de sair na frente, mostrou pouca combatividade e sofreu dois gols em um intervalo de cinco minutos. A virada ainda no primeiro tempo fez a equipe ir para o vestiário em desvantagem e aumentou a pressão sobre um setor que Alonso já identificou como um dos principais pontos a serem corrigidos.

O problema é que a cobrança do treinador ainda não encontrou correspondência dentro de campo. Depois de quatro rodadas, o Chelsea não apenas continua sofrendo gols com frequência, como também apresenta sinais de regressão em determinados aspectos defensivos. A equipe tem permitido partidas abertas, perdido disputas importantes e demonstrado dificuldades para reagir quando o adversário consegue acelerar.

Xabi Alonso admite desequilíbrio entre ataque e defesa do Chelsea

Xabi Alonso orienta Reece James durante jogo do Chelsea
Xabi Alonso orienta Reece James durante jogo do Chelsea (Foto: Dennis Goodwin / Pro Sports Images / IMAGO)

Após o tropeço em casa, Xabi Alonso não escondeu a insatisfação com a maneira como seu time tem se comportado sem a bola. O técnico reconheceu que o Chelsea está produzindo mais no ataque do que na defesa, mas apontou uma série de comportamentos que precisam ser corrigidos para que o time deixe de transformar jogos controlados em confrontos imprevisíveis.

— Pode até ser divertido, mas espero que um dia você diga que é um jogo chato e que nós vencemos. O jogo acaba repetindo alguns padrões que estamos apresentando. Vai levar tempo para corrigi-los. Quando assumimos a liderança, ainda precisamos continuar competitivos e não ceder chances tão facilmente.

A fala resume uma das principais dificuldades do Chelsea neste começo de trabalho de Alonso. O time tem capacidade para criar e marcar, mas não consegue transformar essa superioridade ofensiva em controle das partidas. Quando encontra vantagem no placar, ainda permite que o adversário permaneça vivo e tenha oportunidades para mudar o cenário. Foi assim diante de Fulham e Brighton, por exemplo.

O comandante também detalhou os tipos de situações que mais têm incomodado. Para Alonso, não se trata somente de um problema individual ou de um erro isolado, mas de uma questão relacionada ao comportamento coletivo da equipe.

— No geral, estamos atacando melhor do que defendendo. A dinâmica em termos de sofrermos gols, eu não gosto. Jogo aberto, jogadas de bola parada, bolas longas, robustez, esse senso de competitividade. Podemos fazer muito melhor. O primeiro gol deles, uma bola longa, dois quiques… se você for mole e não se preparar, será punido.

A sequência de partidas mostra por que a preocupação ganhou peso. Mesmo com um ataque que já marcou 18 vezes em seis jogos, o Chelsea ainda não encontrou uma maneira consistente de proteger as próprias redes. A equipe sofre quando precisa defender ataques mais diretos, dá espaço em momentos nos quais deveria controlar a partida e não tem demonstrado a intensidade necessária para interromper determinadas jogadas antes que elas se transformem em chances perigosas.

O ‘precisamos fazer muito melhor' de Alonso ainda não sai do discurso

Xabi Alonso na área técnica durante Chelsea 2 x 2 Hull City
Xabi Alonso na área técnica durante Chelsea 2 x 2 Hull City (Foto: Tom Major / Action Plus / IMAGO)

A insistência de Xabi Alonso em cobrar evolução defensiva deixa evidente que o treinador sabe onde está o problema. A questão, agora, é fazer com que essa percepção se transforme em comportamento dentro de campo. Diante do Hull City, a equipe voltou a cometer os mesmos tipos de erros que já haviam aparecido nas rodadas anteriores, justamente em um momento no qual precisava mostrar maior maturidade para administrar a vantagem.

A preocupação não está restrita à quantidade de gols sofridos. O que incomoda é a forma como eles acontecem e o fato de o Chelsea não conseguir sustentar períodos de maior segurança. O time permite que os jogos fiquem excessivamente abertos, perde a organização entre os setores e, quando precisa competir por uma segunda bola ou proteger uma jogada simples, nem sempre responde com a intensidade esperada.

Alonso voltou a reconhecer que existe margem considerável para evolução. No entanto, também reforçou que essa melhora precisa acontecer rapidamente, já que o calendário da Premier League não oferece espaço para um time que pretende brigar na parte de cima da tabela conviver por muito tempo com tamanha instabilidade.

— Podemos fazer melhor, com certeza. Precisamos saber disso. Uma parte muito importante do jogo é manter a coesão, preservar as distâncias, mostrar intensidade nas situações e defender. Podemos fazer melhor.

A frase volta a tocar no ponto central do início de temporada do Chelsea: o diagnóstico está claro, mas a resposta ainda não apareceu. Alonso já falou sobre a necessidade de competir mais, manter a equipe compacta, controlar as distâncias e evitar erros básicos. Mesmo assim, os gols continuam chegando.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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