Janela de R$ 3 bilhões do Manchester City quebra recordes, mas impõe desafio
Citizens superaram gastos de rivais do Big Six em mercado que será lembrado por reforços de peso para o meio-campo
Enzo Maresca chegou ao Manchester City com um objetivo em mente: reforçar o elenco deixado por Pep Guardiola. Ainda que o treinador pudesse contar com peças de alto nível, que levaram a equipe aos títulos da FA Cup e Copa da Liga Inglesa na última temporada, ele deixou claro em seus últimos trabalhos que preferia trabalhar com mais peças no dia a dia. Passada a primeira janela de transferências, este objetivo se concretizou — em partes.
Antes mesmo de assumir a equipe, Maresca atacou o mercado com a contratação de Elliot Anderson, por 135 milhões de euros (R$ 808 milhões). No entanto, diante das saídas e negociações ao longo desta janela de transferências, o italiano não foi capaz de contar com 11 das peças deixadas por Pep Guardiola na última temporada.
Mercado da bola
Os vencedores e perdedores ao fim da janela europeia
A principal perda para Maresca foi Rodri, negociado ao Barcelona por até 76,5 milhões de euros (R$ 456 milhões), dos quais 60 milhões de euros são garantidos. Para suprir esta ausência, o italiano buscou, além de Elliot Anderson, outros dois nomes para cumprir a função do espanhol no meio-campo. Desde o final da Copa do Mundo, esta foi a principal meta estabelecida no elenco.
Enzo Fernández, em acordo finalizado nesta terça-feira (1º), no último dia da janela de transferência, e Ayyoub Bouaddi acertaram suas chegadas ao Manchester City, em negociações que se estenderam por semanas. Neste intervalo, o clube também foi capaz de assegurar a contratação de Allan, junto ao Palmeiras, por 40 milhões de euros (cerca de R$ 240 milhões).
Ainda que não tenha conseguido suprir todas as 11 perdas do elenco principal — dez, se não for considerado Manuel Akanji, emprestado à Internazionale na última temporada —, nenhum outro clube precisou desembolsar mais dinheiro do que o Manchester City nesta janela da Premier League. Ao todo, o clube gastou cerca de 525 milhões de euros (R$ 3,1 bilhões) para se reforçar.
Manchester City repete estratégia adotada por Pep Guardiola em sua chegada
Esta postura do Manchester City não é inédita. Maresca trabalhou como auxiliar de Pep Guardiola em 2022/23, temporada em que o clube conquistou a tríplice coroa (Premier League, Champions League e FA Cup), e, por isso, recebeu carta branca da direção dos Citizens para promover as mudanças no elenco.
O mesmo ocorreu em 2016 com Guardiola, por motivos diferentes. Enquanto Maresca conquistou a direção do Manchester City por já ter trabalhado no clube, o treinador espanhol chegou ao Etihad Stadium impulsionado pelas equipes que montou no Barcelona e Bayern de Munique. Ao todo, o clube gastou mais de 216 milhões de euros (R$ 777,6 milhões à época) em oito peças, pensando em sua reestruturação.
Entre estas, estavam John Stones, Leroy Sané e Ilkay Gündogan. Gerónimo Rulli, recontratado por Maresca em 2026, também fez parte da primeira janela de transferências de Guardiola no Manchester City. Nesta temporada, o italiano pôde repetir essa estratégia no mercado, mas com um diferencial: foi preciso se desfazer de peças do elenco.
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Guardiola não precisou negociar atletas para gastar milhões na janela. Maresca, por sua vez, arrecadou 310 milhões de euros (cerca de R$ 1,85 bilhão) para, então, poder se lançar ao mercado. Além de Rodri, Sávio, Tijjani Reijnders, Nico González e James Trafford entraram na barca de dispensas do Manchester City antes da temporada 2026/27.
Na prática, o City precisou vender quase três jogadores, em média, para arcar com a reformulação do meio-campo, agora composto por Elliot Anderson, Enzo Fernández e Bouaddi. A contratação do argentino junto ao Chelsea, por 145 milhões de euros (R$ 865 milhões), igualou o recorde do futebol inglês em uma única contratação.
Contratações do Manchester City nesta janela
- Enzo Fernández (Chelsea) – 145 milhões de euros (R$ 865 milhões)
- Elliot Anderson (Nottingham Forest) – 135 milhões de euros (R$ 806 milhões)
- Ayyoub Bouaddi (Lille) – 95 milhões de reais (R$ 567,1 milhões)
- Iliman Ndiaye (Everton) – 70 milhões de reais (R$ 418 milhões)
- Allan (Palmeiras) – 40 milhões de euros (R$ 238 milhões)
- Mathys Detourbet* (Troyes) – 25 milhões de euros (R$ 149 milhões)
- Jeremy Monga* (Leicester) – 11,7 milhões de euros (R$ 70 milhões)
- Gerónimo Rulli (Olympique de Marseille) – 3,5 milhões de euros (R$ 21 milhões)
- Pierce Charles* (Sheffield Wesnesday) – 3,5 milhões de euros (R$ 21 milhões)
*Jogadores contratados e emprestados pelo Manchester City nesta mesma janela
Janela do Manchester City supera rivais do Big Six
O Manchester City nunca gastou tanto em uma única janela. Também nunca havia vendido tantos jogadores como nesta temporada, se aproximando do recorde de 360 milhões de euros do Monaco em 2017. Em números absolutos, supera concorrentes diretos da Premier League pelos valores despendidos no mercado.
Isto não significa que esta é a receita do sucesso para o Manchester City — e que Maresca não terá trabalho pela frente em sua primeira experiência como treinador no Etihad Stadium. Guardiola, que deixou o clube exaltado e com um setor da arquibancada nomeado em sua homenagem, terminou 2016/17 sem conquistar um título sequer — único ano em que isso ocorreu durante o período na Inglaterra.
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Maresca terminou a janela com um meio-campo reforçado, mas com menos opções no ataque. Além de Allan, que pode atuar como um meia-atacante, o treinador perdeu Sávio, Tijjani Reijnders, Omar Marmoush e Jack Grealish. Para as pontas, teria de se “contentar” com Jérémy Doku e Antoine Semenyo até o último dia da janela, já que Jeremy Monga, joia contratada nesta temporada, foi emprestado para ganhar minutos.
Iliman Ndiaye, contratado junto ao Everton nas últimas horas do período de transferências, chega para suprir a saída de Grealish e Sávio, já que pode atuar nas duas pontas, e também como um ala no meio-campo. Em Merseyside, marcou 17 gols e deu seis assistências em 74 partidas desde sua chegada, em 2024.
Nos três novos homens de meio-campo, que serão utilizados para substituir Rodri, o City gastou 375 milhões de euros (R$ 2,2 bilhões). Cabe destacar que, nos regulamentos da Premier League, transferências entre clubes ingleses estão sujeitas a uma menor taxa de tributação, fator que favorece os clubes a negociarem atletas por maiores valores.
O desafio de Maresca, apesar de reforços “galácticos”, tal qual o Real Madrid, será o setor defensivo. Maresca não buscou mudanças entre zagueiros e laterais, confiando no legado de Guardiola. No entanto, tem sofrido neste início de trabalho. Nas três partidas oficiais até aqui (Premier League e Supercopa da Inglaterra), sofreu cinco gols e foi vazado em todos os jogos.
Capitão, Rúben Dias é o único jogador de defesa remanescente da temporada 2022/23. Considerando o time titular na final daquela Champions League, apenas Erling Haaland continua no elenco do italiano em 2026. A dupla deverá ser dois dos pilares de um Manchester City que atacou o mercado, mas que não se sagra campeão inglês há dois anos.