Mercado da bola: Os vencedores e perdedores ao fim da janela europeia
Mercado europeu seguiu aberto até última terça-feira (1) com reviravoltas em negociações e times decepcionados
O fim da janela de transferências na Europa nesta terça-feira (1) reuniu emoção e reviravoltas. As novelas envolvendo o Monaco, com os negócios ruindo nos instantes finais de Folarin Balogun ao Everton e Lamine Camara ao Chelsea, foram o ponto alto.
Após mais de dois meses de movimentações, houve muitos vencedores e também perdedores entre os clubes que contrataram e perderam jogadores. A Trivela lista sete times entre destaques positivos e negativos.
Quem foram os perdedores da janela
Monaco
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É verdade que o Monaco, no fim, teve a permanência de dois titulares e pilares do time. Balogun e Camara provavelmente serão os dois maiores condutores entre os comandados por Filipe Luís na temporada. No entanto, o custo disso pode ser grande pela necessidade que tinham de vender pelo menos um deles.
As contas da equipe do Principado estão em situação delicada e precisavam de 50 milhões de euros para ficar em acordo com o fair play financeiro do futebol francês. Não conseguir essa quantia pode significar problemas para eles. No passado, o Lyon foi punido com a proibição de contratações e até de rebaixamento por uma crise financeira — as decisões foram posteriormente anuladas.
E o Monaco sai “no vermelho” mesmo tendo perdido jogadores importantes na janela, como os titulares Maghnes Akliouche e Caio Henrique, além de Aladji Bamba e Kassou Ouattara, jogadores importantes no último ano. Chegaram apenas jovens para manter a roda girando no clube, conhecido pela revelação de jovens e captação de jogadores para posterior revenda. Será uma temporada de transição para Filipe Luís encontrar soluções com pouco.
Everton
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Outro que se deu mal no último dia de janela, mas com situação diferente. O Everton queria um centroavante depois da saída de Beto e tendo apenas Thierno Barry no elenco. Tentou Richarlison. Não conseguiu. Buscou Balogun, mas não chegou a um acordo. Então, Joshua Zirkzee. O Manchester United não quis vender. E, enfim, voltou a Balogun, que no fim desistiu de atuar pelos Toffees.
A posição de camisa 9 não é a única ausência sentida no clube de Liverpool. David Moyes só tem um lateral-esquerdo à disposição: Vitaliy Mykolenko. Na direita, ganhou seu titular com a contratação de última hora de Ainsley Maitland-Niles.
A venda de Iliman Ndiaye, mesmo que ótima aos cofres (70 milhões de euros), tira o maior protagonista ofensivo de um time que já não cria muitas chances. O novo empréstimo de Jack Grealish não sana totalmente isso. Moyes terá, novamente, um grande desafio para fazer esse time competitivo na Premier League.
Aston Villa
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Perder mais da metade de seu time titular, responsável pelo título da Liga Europa e pela quarta colocação no Campeonato Inglês na última temporada, foi um duro golpe ao Aston Villa.
Emiliano Martínez, Ezri Konsa, Lucas Digne, Youri Tielemans, Morgan Rogers e Ollie Watkins foram as saídas da equipe de Unai Emery, que também perdeu Amadou Onana, lesionado até o ano que vem.
Os substitutos foram muitos jovens e apostas para o futuro, com necessidade de adaptação, como Johan Manzambi e Ibrahim Mbaye, ou jogadores que precisam recuperar a boa fase, casos de Nicolas Jackson, Leon Goretzka e Alejandro Garnacho. A exceção fica para João Gomes e Zion Suzuki, mas ainda é muito pouco.
O início de temporada, com a derrota de goleada para o Brighton, mostra o tamanho do desafio. A confiança fica pelo trabalho do técnico espanhol, que já mostrou capacidade de reinventar os Villans após saídas, mas nunca como agora.
Newcastle
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Não foi como no Aston Villa, mas os Magpies também perderam pilares em seu jogo. O meio-campo, agora sem Bruno Guimarães e Sandro Tonali, perdeu sua identidade intensa e dedicada. O ataque, com a saída de Anthony Gordon, precisa de alguém para compensar a velocidade, entrega e gols que o ponta trazia.
Kieran Trippier, no aspecto liderança, também fará falta, assim como o técnico Eddie Howe, que se demitiu no meio da pré-temporada, e o atacante Nick Woltemade, emprestado para a Juventus.
As contratações não foram necessariamente ruins, mas podem não trazer resultado imediato. 313 milhões de euros foram investidos em oito jogadores, mas cinco deles têm 21 anos ou menos. Ou seja, são atletas que devem precisar de algum tempo até estarem plenamente adaptados à maior liga do mundo.
Se no mercado a atuação foi questionável, o campo tem dado outros recados. Agora sob o comando do jovem Matthias Jaissle, o time não perdeu: empatou com o Liverpool e venceu Tottenham e West Brom (este, pela Copa da Liga Inglesa). Sem torneios europeus a disputar em 2026/27, pode ser uma equipe surpreendente na temporada.
E quem saiu como vencedor no mercado
Real Madrid
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Poucas vezes nos anos recentes os Merengues fizeram um mercado tão certeiro. Precisavam de um novo lateral-esquerdo titular. Veio Marc Cucurella. Já que Trent Alexander-Arnold foi irregular no primeiro ano, Denzel Dumfries foi contratado. Na zaga, Ibrahima Konaté traz agressividade e segurança para jogar com Antonio Rüdiger ou Dean Huijsen.
Bernardo Silva ajudará na saída de bola, trazendo a qualidade no passe que faltou nas últimas temporadas. Yan Diomandé, em uma negociação que pode chegar aos 145 milhões de euros, complementa as estrelas e equilibra o time pelo drible e velocidade na ponta direita. Carlos Espí foi a cereja do bolo: centroavante útil, alto, para ser reserva e entrar em jogos específicos.
A renovação de contrato de Vinícius Junior é basicamente um reforço. Foi uma novela de mais de um ano que terminou com final feliz e reforça o status de ídolo do brasileiro.
O início de temporada, com três vitórias e dez gols marcados, aumenta o otimismo do torcedor do Real Madrid. José Mourinho, em seu retorno ao clube, ganhou uma “Ferrari” para dirigir. Ele precisa voltar aos velhos tempos para mostrar que tem capacidade de dirigi-la.
PSG
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Entre vendas e compras, o atual bicampeão europeu fez uma reformulação interessante. No quesito saídas, a gestão do Paris Saint-Germain pode se orgulhar da janela de transferências mais lucrativa da história do clube: 334 milhões de euros por Bradley Barcola (maior venda da história do time), Gonçalo Ramos, Ibrahim Mbaye, Randal Kolo Muani, Lee Kang-in e Noham Kamara.
E o melhor para Luis Enrique: nenhum desses é titular do time que tem encantado a Europa. Claro que alguns deles foram muito importantes. Barcola, como um 12º jogador, teve grandes momentos. Ramos, o único camisa 9 “raiz” do elenco, tem características únicas no grupo. Lee, no meio-campo ou na ponta, teve suas fases.
A questão é que o PSG também foi bem em mirar os substitutos dos reservas. Ferran Torres, Mika Godts e Maghnes Akliouche são o trio ideal para fazer sombra a Ousmane Dembélé, Kvicha Kvaratskhelia e Désiré Doué, evitando uma natural acomodação após tantas taças. Lucas Digne, como oportunidade de mercado, é uma opção nos momentos em que Nuno Mendes não estiver à disposição.
Deve ser um ano de mais jovens ganhando espaço, em especial no meio-campo, onde Lucas Beraldo, Dro Fernández e Senny Mayulu devem receber muitas oportunidades.
Roma
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Na Itália, ninguém se movimentou tão bem quanto os Giallorossi. O técnico Gian Piero Gasperini ganhou os reforços que pediu: um meia de alto nível para jogar atrás do centroavante (Rodrigo Mora), uma alternativa a Donyell Malen (Santiago Castro) e um ala direito para substituir Zeki Çelik (Nathuel Molina).
Isso tendo os acréscimos de Konstantinos Koulierakis, Daniele Ghiardi e Leonardo Balerdi para seu trio de zaga, além do experiente Marten de Roon no meio-campo. São movimentos que mostram que a Roma pensa grande em um contexto de gigantes em baixa na Itália, casos de Milan e Juventus, e pela disputa da Champions League pela primeira vez desde 2019.
Mas, mais do que qualquer contratação, a insistência em manter o pilar do meio-campo, Manu Koné, que era alvo do Chelsea em negociação de mais de 60 milhões de euros, foi a maior ilustração para mostrar a pretensão do time. Gasperini e o clube bateram o pé para mantê-lo e conseguiram. A ver se dará resultados, como nas duas vitórias por 4 a 0 no início da Serie A.