Futebol francês

Guia do Monaco: Apesar de empolgação na pré-temporada, Filipe Luís tem ladeira a subir

Técnico brasileiro inicia trajetória que pode alavancar sua carreira na Europa e até abrir o mercado para compatriotas

O público brasileiro tem um motivo especial para dar uma atenção ao Monaco nesta temporada. A equipe do Principado será treinada por Filipe Luís, ex-Flamengo, nas disputas da Ligue 1, Conference League e Copa da França. A empolgação é natural, afinal, ele é o único técnico do Brasil na elite europeia.

O time ainda acumulou um resultado expressivo na pré-temporada ao bater o Liverpool por 3 a 2, de virada, no mítico estádio de Anfield. Uma vitória para mostrar o nível do treinador. Filipe, porém, não terá o cenário ideal para mostrar suas credenciais.

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Por limitações financeiras, o clube passou por uma reformulação importante no elenco e o novo comandante será o responsável por fazer uma transição para a chegada de novos jovens jogadores. É o ciclo do Monaco: forma ou compra promessas para revender depois por muito mais dinheiro.

— As perspectivas não são necessariamente animadoras para o Monaco. Depois de uma campanha decepcionante, esta parece ser uma temporada de transição, com o fracasso de contratações “estreladas”, como Paul Pogba e Eric Dier, e um retorno a um modelo mais baseado na negociação de jovens jogadores — analisou Romain Lantheaume, coordenador do site francês “Top Mercato”.

Filipe Luís perdeu principais destaques no Monaco

Em comparação ao time monegasco ideal do fim da última temporada, quatro jogadores saíram: o dono da lateral-esquerda, Caio Henrique, o jogador mais criativo, Maghnes Akliouche, e os reforços de meio de temporada que sanaram problemas quando chegaram no começo do ano, no caso Simon Adingra e Wout Faes, ambos voltando de empréstimo.

Isso sem contar as transferências de Kassoum Ouattara e Aladji Bamba, dois jogadores importantes na rotação do elenco. Ainda pode ter mais uma negociação de um pilar da equipe: o homem-gol Folarin Balogun, alvo do Tottenham, ou Lamine Camara, meio-campista de bom passe e grande capacidade de cobrir espaços.

AS Monaco — Transferências para 2026/27
JogadorIdadePaísOrigemValor (€)
Matthis Abline
Centroavante
23
FC Nantes
Ligue 2
€25,00 mi
Ansu Fati
Ponta-esquerda
23
Barcelona
La Liga
€11,00 mi
Sadibou Sané
Zagueiro
22
FC Metz
Ligue 2
€7,00 mi
Nazinho
Lateral-esquerdo
22
Cercle Brugge
Jupiler Pro League
€5,00 mi
Mathys Detourbet
Ponta-esquerda
19
Man City
Premier League
Empréstimo
Lucas Michal
Ponta-esquerda
21
FC Metz
Ligue 1
Fim emp.
Edan Diop
Volante
21
Cercle Brugge
Jupiler Pro League
Fim emp.
Radoslaw Majecki
Goleiro
26
Stade Brestois
Ligue 1
Fim emp.
8 jogadores · idade média 22,1Total: €48,00 mi
JogadorIdadePaísDestinoValor (€)
Maghnes Akliouche
Ponta-direita
24
PSG
Ligue 1
€50,00 mi
Aladji Bamba
Volante
20
Newcastle
Premier League
€35,50 mi
Caio Henrique
Lateral-esquerdo
28
Ajax
Eredivisie
€10,50 mi
Kassoum Ouattara
Lateral-esquerdo
21
Besiktas
Süper Lig
€8,00 mi
Lucas Michal
Ponta-esquerda
21
Cercle Brugge
Jupiler Pro League
Emp.
Radoslaw Majecki
Goleiro
26
Pafos
Cyprus League
Emp.
Krépin Diatta
Meia-direita
27
Sem clube
Paul Pogba
Volante
33
Sem clube
Simon Adingra
Ponta-esquerda
24
Sunderland
Premier League
Fim emp.
Ansu Fati
Ponta-esquerda
23
Barcelona
La Liga
Fim emp.
Wout Faes
Zagueiro
28
Leicester
League One
Fim emp.
11 jogadores · idade média 25,0Total: €104,00 mi

Claro que ainda há qualidade para Filipe Luís trabalhar, seja com jogadores mais experientes e rodados, como Takumi Minamino, Denis Zakaria, Vanderson, Aleksander Golovin e Lukás Hrádecky, ou jovens com futuro, casos de Pape Cabral e os recém-chegados Matthis Abline e Nazinho.

Mas, no geral, a espinha dorsal do time foi perdida e fica para o brasileiro o trabalho de construir uma nova. Taticamente, dá para dizer que ele tem mostrado um repertório interessante, mesmo que inicial.

Filipe Luís em amistoso do Monaco
Filipe Luís em amistoso do Monaco (Foto: SPI / Icon Sport)

Monaco tem um ‘quê’ de Flamengo

Foram seis testes na pré-temporada (vitórias sobre Liverpool, Getafe e AS Saint Priest, derrotas para Sporting e Coventry e empate com o Cercle Brugge), que servem para entender inicialmente o que Filipe Luís quer da sua equipe.

A estrutura, como era no Flamengo, depende muito do que o adversário propõe. Contra o Liverpool, por exemplo, uma equipe que pressiona muito e quer ser a protagonista no jogo, o Monaco atacou de forma mais direta e vertical.

A partir dos zagueiros, em uma formação 4-4-2, atraia o adversário para acionar os dois atacantes (Mika Biereth mais fixo, como era Pedro no Rubro-Negro, e Abline flutuando, estilo Giorgian de Arrascaeta) ou os dois pontas, Mathys Detourbet e Golovin.

Já em jogos de menor exigência, como com o Brugge, o modesto Saint Priest e em alguns momentos frente ao Sporting, optou por uma estrutura mais posicional, de ocupação dos espaços e rotação da bola em busca do homem livre. A formação lembrava um 3-5-2, com um dos laterais mais preso junto aos zagueiros e o outro, normalmente Nazinho, subindo para dar liberdade a Golovin.

Sem a bola, como o esperado, será um time intenso para recuperar a bola o mais rápido possível, em especial nesse cenário de partidas contra adversários mais fechados, o que deve ocorrer em parte considerável do Campeonato Francês.

Contra PSG e, talvez, Lyon, Olympique de Marseille e Lens, outras forças da França, o Monaco pode repetir a postura ofensiva contra o Liverpool e também “saber sofrer” no momento defensivo, algo que o técnico brasileiro tratou como algo necessário a evoluir.

— Vamos enfrentar equipes do nível do Liverpool e precisamos saber sofrer juntos. Acho que podemos evoluir nesse aspecto, porque o futebol às vezes é muito tático e, quando o adversário coloca pressão e cria situações, precisamos saber defender em bloco baixo — disse após a vitória em Anfield.

O Monaco já estreou na temporada, com vitória sobre o Górnik na Conference, e inicia sua participação na Ligue 1 contra o Le Havre, fora de casa, neste domingo (23). Filipe Luís inicia uma trajetória que pode alavancar sua carreira para um gigante europeu e, de quebra, abrir o mercado internacional a técnicos brasileiros. Uma grande responsabilidade.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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