Futebol francês

A difícil tarefa do Monaco de Filipe Luís e Thiago Scuro no mercado de transferências

Diretor esportivo e técnico brasileiros comandam reformulação obrigatória do clube do Principado no mercado

A primeira experiência de Filipe Luís no futebol europeu teve participação fundamental de Thiago Scuro, diretor esportivo do Monaco e responsável por conduzir as negociações em meio ao interesse do Bayer Leverkusen. Agora, os brasileiros estão encarregados de uma difícil tarefa no mercado de transferências: a necessidade de gerar receitas.

Logo na apresentação de Filipe Luís, no último dia 8, Scuro já havia fechado três contratações e duas vendas, dando início a uma janela movimentada. E o processo de reformulação do Monaco segue os compromissos firmados com a Direção Nacional de Controle e Gestão (DNCG) da Liga de Futebol Profissional da França (LFP), que havia imposto um teto salarial no dia 23 de junho.

Vaiado pelos torcedores monegascos ao longo da última temporada devido às contratações fracassadas de 2025/26, que resultaram na pior pontuação da equipe na Ligue 1 desde 2013 e a demissão de dois técnicos (Adi Hütter e Sébastien Pocognoli), Scuro conta com o apoio do presidente Dimitri Rybolovlev para seguir no comando das operações e dos assuntos esportivos. A informação é do jornal “L’Équipe”.

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Por que Monaco de Filipe Luís enfrenta corte de gastos?

A Ligue 1 enfrenta uma crise de seus direitos de transmissão televisiva. A DAZN rescindiu o contrato com o Campeonato Francês, o que rendeu uma indenização de 100 milhões de euros (cerca de R$ 584,4 milhões), cujo valor foi utilizado na criação do serviço de streaming próprio Ligue 1+, que transmite oito das nova partidas por rodada. O outro jogo é de exclusividade do canal beIN Sports.

Entretanto, de acordo com o “Sport Insider”, o Ligue 1+ tem operado com dificuldade com seus pouco mais de 1 milhão de assinantes, registrando um déficit que levou os clubes franceses ao vermelho no valor de 466 milhões de euros (em torno de R$ 2,7 bilhões). Para piorar, o beIN Sports também sinalizou que pode abrir mão de sua partida de sábado, que rende 78,5 milhões de euros por ano (aproximadamente R$ 458,5 milhões) à liga.

Filipe Luís durante coletiva no Monaco (Foto: Laurent Coust/Icon Sport)
Filipe Luís durante coletiva no Monaco (Foto: Laurent Coust/Icon Sport)

Afetado pela desvalorização dos direitos de mídia da Ligue 1, o Monaco também viu seu faturamento diminuir com a não classificação à Champions League, cuja participação na temporada passada se encerrou diante do PSG, ainda antes das oitavas de final. Em 2026/27, a equipe do treinador ex-Flamengo disputará os playoffs da Conference League, cuja competição não rende os mesmos valores do principal torneio da Uefa.

Como a gestão russa não injeta dinheiro no Monaco há dois anos e a política é de autossuficiência financeira, a solução encontrada por Rybolovlev é fazer caixa com as saídas de seus principais jogadores. O brasileiro de 40 anos já estava ciente dessa situação antes de assinar contrato até junho de 2028, e Thiago Scuro conta com a confiança do mandatário para aplicar o planejamento nos bastidores.

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As movimentações de Thiago Scuro no mercado

Em números, os objetivos dos monegascos são angariar 150 milhões de euros em transferências (cerca de R$ 876,2 milhões) e reduzir a folha salarial em 20%. O diretor esportivo também tem feito ajustes e reduções nos departamentos técnico, de desempenho e médico, sendo esse último um ponto de preocupação em 2025/26 por conta do alto número de lesões.

As vendas confirmadas do Monaco

  • Kassoum Ouattara: lateral-esquerdo francês foi para o Besiktas por 8 milhões de euros fixos (em torno de R$ 46,7 milhões);
  • Caio Henrique: lateral-esquerdo brasileiro foi para o Ajax por 10 milhões de euros (aproximadamente R$ 58,4 milhões);
  • Aladji Bamba: volante francês foi para o Newcastle em negócio de 35,5 milhões de euros fixos (cerca de R$ 207,4 milhões).
Aladji Bamba a serviço do Monaco (Foto: Frederic Dides/Icon Sport)
Aladji Bamba a serviço do Monaco (Foto: Frederic Dides/Icon Sport)

Maghnes Akliouche deve deixar o clube do Principado, com Parisienses e Liverpool na disputa. Uma proposta de 50 milhões de euros (em torno de R$ 292,2 milhões) pelo meia-atcante francês é esperada nos próximos dias. O atacante Folarin Balogun; o volante Lamine Camara; e o zagueiro Eric Dier também são vistos como negociáveis.

Ao mesmo tempo, o dirigente brasileiro está preocupado em suprir as carências do elenco de Filipe Luís. Scuro tem mapeado alternativas acessíveis e com potencial de desenvolvimento/revenda para que o Monaco não perca sua competitividade para brigar pelo G3 do campeonato, que garante vaga na fase principal da Liga dos Campeões.

Os monegascos estão prestes a anunciar o atacante Matthis Abline, firmando um acordo junto ao Nantes por 30 milhões de euros (aproximadamente R$ 175,3 milhões).

As contratações fechadas pelos monegascos

  • Nazinho: lateral-esquerdo português comprado junto ao Cercle Brugge por 5 milhões de euros (cerca de R$ 29,2 milhões);
  • Sadibou Sané: zagueiro senegalês vendido pelo Metz por 7 milhões de euros (em torno de R$ 40,9 milhões);
  • Ansu Fati: meia-atacante espanhol liberado pelo Barcelona por 11 milhões de euros (aproximadamente R$ 64,3 milhões).
Matthis Abline pelo Nantes, em maio (Foto: Imago/Buzzi)
Matthis Abline pelo Nantes, em maio (Foto: Imago/Buzzi)
Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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