Futebol inglês

De Vini Jr a Alvarez: Por que o Arsenal ficar sem estrela para o ataque não é preocupante?

Clube sonhou com quatro nomes de peso para elevar o patamar ofensivo, mas barreiras financeiras e preferência de atletas impediram negociações

O mercado de transferências para equipes inglesas se encerrou na terça-feira (1º) e deixou o Arsenal sem Vinicius Junior, Bradley Barcola, Morgan Rogers e Julián Alvarez, jogadores que foram alvos do clube para reforçar o ataque.

Vini renovou com o Real Madrid, Alvarez deve continuar no Atlético de Madrid, e os outros dois reforçaram rivais dos Gunners. Barcola se transferiu ao Liverpool e Rogers se tornou o jogador inglês mais caro ao se mudar para o Chelsea.

A ambição de Mikel Arteta de ter um jogador capaz de desequilibrar adversários e decidir jogos foi reforçada após o vice da Champions League e parecia indicar que o clube não mediria esforços para ter um atacante de peso no elenco. O tempo passou e a projeção não se concretizou.

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Abordagem do Arsenal no mercado deixou a desejar?

São vários motivos para o Arsenal não ter conseguido os sonhados atletas, alguns deles se resumem à estratégia interna e parte financeira. Os Gunners não estavam dispostos a superar a faixa de 80 milhões de libras por Rogers e tinha ressalvas quanto ao investimento necessário para acertar com Barcola, de acordo com a imprensa inglesa.

Morgan Rogers pelo Chelsea (Foto: Imago/Visionhaus)
Morgan Rogers em ação pelo Chelsea (Foto: Imago/Visionhaus)

Havia preocupação quanto às normas de fair play financeiro, segundo o “The Athletic”, e foi preciso negociar atletas. Saídas de Gabriel Jesus, Leandro Trossard, Fábio Vieira e, principalmente, Gabriel Martinellimaior venda da história do clube — diminuíram a pressão.

Mas regras financeiras à parte, de certa forma, houve contradição. Quando se está disposto a ter nomes de alto nível, é necessário se preparar adequadamente para desembolsar grandes quantias, ainda mais em um mercado de investimentos tão elevados como a Premier League.

O entendimento na Inglaterra era de que o Arsenal estaria disposto a abrir os cofres para Vinicius Junior e Julián Alvarez, o que leva a outros motivos para os planos serem minados. O brasileiro priorizava a permanência nos Merengues, enquanto o argentino nunca se mostrou inclinado a vestir a camisa dos Gunners. O ex-City queria mesmo ir ao Barcelona.

O caso do Alvarez reflete algo que pode ser preocupante neste contexto: o Arsenal, mesmo com todo o prestígio de ser uma das grandes equipes da Inglaterra, ainda está degraus abaixo na hierarquia de preferência no futebol europeu, em que Real Madrid e Barça são os “times dos sonhos” da maioria dos atletas.

Arsenal não tem motivos para lamentar a falta de um reforço camisa 9

Apesar da mudança de patamar que Alvarez proporcionaria, a boa notícia é que a posição de camisa 9 não é uma carência na equipe londrina. Sem Gabriel Jesus, Kai Havertz e Viktor Gyokeres estão à disposição de Arteta. É evidente que o cenário não é o mais indicado, mas não tende a causar grandes problemas no Emirates Stadium.

Havertz foi titular no 4-2-3-1 de Arteta em todos os três jogos oficiais da temporada do Arsenal. Gyokeres só saiu do banco uma vez, para jogar 15 minutos da Supercopa da Inglaterra. O sueco ainda não atuou na Premier League.

O alemão passou boa parte da campanha anterior lesionado e ainda busca se estabelecer fisicamente durante um ciclo completo, apesar disso, tomou a dianteira na lista de preferências com boa movimentação, visão de jogo e, claro, gols em momentos chave.

Havertz em jogo do Arsenal (Foto: Imago)
Havertz em jogo do Arsenal (Foto: Imago)

Gyokeres era o dono da posição em 2025/26 com as lesões de Havertz e Gabriel Jesus. Durante quase toda a temporada, não teve um jogador do ofício para lhe substituir no banco de reservas. Apesar dos 21 tentos, o camisa 14 não deixou de ser incógnita, o que justifica a preferência pelo ex-Chelsea.

Pode-se imaginar que Arteta deve continuar a escolher um ou outro para estar no time titular. Isso lhe garante um 9 de origem no banco de reservas e a possibilidade de improvisar Mikel Merino, que já se provou artilheiro quando exigido. Seriam, portanto, duas alternativas a se considerar.

Viktor Gyokeres, atacante do Arsenal (Foto: DeFodi Images/Iconsport)
Viktor Gyokeres, atacante do Arsenal (Foto: DeFodi Images/Iconsport)

O risco de algum dos jogadores se lesionar na temporada existe, mas o Arsenal tomou precauções na virada de ciclo e reformulou o departamento médico, segundo a “Sky Sports”. Isso foi feito com o objetivo de evitar baixas por longos períodos.

Nos próximos meses, Havertz e Gyokeres têm tudo para dar conta do recado, mas é esperado que Arteta e companhia avaliem o desempenho da dupla de camisas 9 até o final do ano e decidam se devem reforçar o setor no mercado de transferências de janeiro.

O mesmo não se pode dizer em relação às pontas. Morgan Rogers, Barcola ou Vini seriam adições fundamentais para elevar o nível do ataque do Arsenal. A diretoria até tentou um último esforço ao sondar Malick Fofana, ex-Lyon, mas após idas e vindas, o belga foi para o Sunderland.

Foto de Milena Tomaz

Milena TomazRedatora de esportes

Jornalista entusiasta de esportes. Se formou em Comunicação Social em 2019.

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