Inglaterra

Como ídolo da Inglaterra virou grande alvo da tensão Israel x Palestina

Gary Lineker irritou o Conselho de Deputados dos Judeus Britânicos com uma publicação, mas sua posição segue firme

Ídolo do futebol inglês, Gary Lineker está de saída do programa “Match of the Day”, da “BBC One”, onde era apresentador desde 1999. Contudo, na semana de sua despedida, o ex-atacante virou alvo da tensão envolvendo o conflito entre Israel x Palestina.

Tudo começou quando Lineker compartilhou um stories da página “Palestine Lobby” em suas redes sociais com a legenda “Sionismo explicado em dois minutos”, na última terça-feira (13). Contudo, o que chamou a atenção na publicação do ex-jogador de 64 anos foi a imagem de um emoji de rato.

O animal é historicamente utilizado como um insulto aos judeus. Durante o período da Alemanha Nazista, o rato era associado à comunidade judaica para gerar repulsa. Por conta disso, o post de Gary Lineker causou revolta, motivando a exclusão em seu perfil no Instagram.

Apesar disso, o ex-atacante passou a ser chamado de antissemita. Até mesmo o Conselho de Deputados dos Judeus Britânicos exigiu que a BBC demitisse Lineker, e não deixasse ele sair por conta própria, como decidido em novembro de 2024.

Além de pedir desculpas, o apresentador alegou que não sabia o significado do símbolo para os judeus. Por outro lado, Gary Lineker deixou claro que não se arrepende de dar sua opinião sobre a Guerra entre Israel x Hamas — organização islâmica palestina.

Ídolo da Inglaterra reforça posicionamento pró-Palestina

Em entrevista ao jornal “The Telegraph”, o ícone inglês explicou porque tem se posicionado a favor da Palestina nos últimos meses. Lineker detonou as ações de Israel na Faixa de Gaza, assim como as autoridades britânicas, que disponibilizam armamento.

— É mais do que depravado. Inimaginável. Todo dia pessoas estão perdendo crianças, irmãos e irmãs. Eu não sei como o mundo acha que isso é ok.

O ex-atacante já foi confrontado sobre sua falta de comentários sobre o dia 7 de outubro de 2023, quando o Hamas fez um ataque terrorista no sul de Israel e capturou vários reféns. Ao todo, foram 1.141 mortes. Só que Gary Lineker não compactua com a retaliação sobre o povo palestino.

“Foi completamente desproporcional ao que aconteceu. É claro que o 7 de outubro foi horrível, mas é muito importante conhecer a história (da região) e os massacres que aconteceram antes disso, muitos deles contra a população da Palestina”, começou o ex-jogador.

— Sim, os israelenses têm o direito de se defender. Mas parece que os palestinos não podem. Aí que está o erro — justificou.

“Os palestinos estão enjaulados nessa prisão ao ar livre em Gaza, que agora está sendo bombardeada. Israel diz que é autodefesa, mas é mesmo? […] As pessoas dizem que é um tema complexo, mas eu não acho. É inevitável que a ocupação israelense causaria problemas enormes, eu só lamento pelos palestinos”, finalizou Lineker.

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“Não me importo com a reação negativa”

Os torcedores do clube israelense Maccabi Tel Aviv Foto: (Imago)
Os torcedores do clube israelense Maccabi Tel Aviv Foto: (Imago)

Mesmo frente às reações negativas, Lineker manteve a opinião forte dizendo que, se ficasse em silêncio, se sentiria um cúmplice da violência.

— Eu realmente não me importo com a reação negativa. Me importo em fazer o que é certo, (ou pelo menos) o que eu acho correto. Algumas pessoas podem discordar, tudo bem. Entretanto, eu preciso olhar para mim mesmo no espelho.

O apresentador do “Match of the Day” também reforçou que desaprova o governo de Israel, e não o povo judeu. Para Gary Lineker, a dicotomia entre certo e errado é mais simples do que parece.

“Ou você tem empatia, ou não tem. É mais importante do que nunca as pessoas levantarem suas vozes, porque vivemos em tempos perigosos. Definitivamente continuarei insistindo em questões humanitárias”, garantiu Lineker.

Fim do cessar-fogo na Faixa de Gaza

Torcida do Celtic exibe bandeiras e protestam a favor da Palestina Foto: (Imago)
Torcida do Celtic exibe bandeiras e protestam a favor da Palestina Foto: (Imago)

De acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, mais de 50 mil palestinos foram mortos desde o início da retaliação de Israel ao Hamas. Mais de 113 mil pessoas foram feridas desde a invasão à Faixa de Gaza.

A lista das autoridades da região da Palestina não levam em consideração os milhares de desaparecidos. Acredita-se que muitos estejam soterrados nas ruínas de edifícios bombardeados.

Em janeiro deste ano, Hamas e Israel assinaram um cessar-fogo, porém, em março, a guerra foi retomada após ofensivas israelenses. A Palestina não recebe nenhuma assistência humanitária há mais de dois meses. Um monitor global diz que mais de 500 mil pessoas estão passando fome na região.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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