Inglaterra

Desastre de Hillsborough completa 35 anos com feridas ainda abertas em Liverpool

Liverpool nunca se esquecerá das 97 vítimas do Desastre de Hillsborough, cuja memória continua presente na torcida

O dia 15 de abril marca uma tragédia na história do Liverpool. Há 35 anos, o Desastre de Hillsborough tirou a vida de 97 torcedores na semifinal da Copa da Inglaterra daquele ano, disputada contra o Nottingham Forest, em Sheffield. Uma série de decisões erradas, além de uma cobertura tendenciosa da mídia, deixaram feridas abertas entre a torcida dos Reds, que nunca irá se esquecer do que aconteceu.

Nesta manhã (15), o CEO do Liverpool, Billy Hogan, e Sir Kenny Dalglish, treinador da equipe à época, compareceram ao Hillsborough Memorial, em Anfield, para prestar homenagem às vítimas da tragédia. Os capitães dos times masculino e feminino dos Reds, assim como o técnico Jürgen Klopp, colocaram coroas de flores e bilhetes no local como forma de homenagem à memória dos 97 torcedores.

O Desastre de Hillsborough

Para falar sobre o Desastre de Hillsborough, primeiro é preciso entender o contexto. Em 1989, a Football Association (FA) escolheu o Estádio Hillsborough como palco da semifinal entre Liverpool x Nottingham Forest pela Copa da Inglaterra, um estádio pequeno para o tamanho da partida. Além disso, uma troca na chefia de segurança do confronto trouxe David Duckenfield, que não tinha experiência com o futebol.

Torcedores do Forest foram encaminhados para o setor Spion Kop End, cuja capacidade era para mais de 20 mil pessoas. Por outro lado, os torcedores dos Reds ficaram espremidos no Leppings Lane End, que podia receber apenas um terço disso. Vale lembrar que a negligência foi tão grande, que já era esperado que a maioria do público seria composto pelo Liverpool.

Não à toa, a superlotação do setor apertado, assim como o despreparo da segurança, resultou na tragédia de Hillsborough. Na abertura dos portões, apenas uma das sete catracas estava funcionando, e milhares de pessoas querendo entrar no estádio. Com o horário do pontapé inicial cada vez mais próximo, a organização decidiu abrir os portões laterais para acesso a Leppings Lane.

Despreparo vitimou torcedores do Liverpool

O árbitro Ray Lewis iniciou a decisão entre Liverpool e Nottingham Forest, o que transformou a aglomeração de torcedores em uma tragédia. Aqueles mais próximos do gramado não conseguiam respirar, espremidos junto as grades. Desesperado, algumas pessoas pularam a proteção para entrar em campo na tentativa de sobreviver. Contudo, a polícia, que não entendia a gravidade do problema, tentou impedir as “invasões”.

A bola rolou para Reds e Forest por apenas seis minutos, quando a arbitragem foi comunicada do que estava acontecendo. Com pessoas sendo pisoteadas e sufocadas, os próprios torcedores se uniram no setor Leppings Lane para tentar salvar vidas. Apesar dos esforços, 95 pessoas morreram no Estádio Hillsborough, e mais de 700 ficaram feridas.

Um ano depois, em 1990, outro torcedor faleceu devido a complicações do episódio da semifinal daquela FA Cup. Já no dia 27 de julho de 2021, a 97ª vítima: Andrew Devine, que sofreu danos cerebrais devido à tragédia e acabou em estado vegetativo. Se a Federação Inglesa e os policiais não tivessem dado uma aula de despreparo, talvez todas essas pessoas ainda estariam vivas.

O desastre continuou assombrando o Liverpool

Se já não bastasse todo o trauma para quem esteve em Hillsborough naquele dia 15 de abril de 1989, o desastre continuou assombrando o Liverpool e seus torcedores por décadas. Em 2019, Duckenfield foi inocentado. Ninguém recebeu punições à altura da tragédia. Apenas Graham Mackrell, dono do estádio, foi multado em £ 6,5 mil (cerca de R$ 42 mil na cotação atual) por “negligenciar o número de catracas no local do acidente”.

Margaret Thatcher, assim como outros membros do governo, tentaram transferir a culpa do Desastre de Hillsborough para a torcida do Liverpool. À época, o The Sun chegou a publicar uma capa culpando as vítimas, alegando que um grupo da torcida dos Reds “urinou nos policiais” e “bateu a carteira” durante a confusão. Familiares dos falecidos passaram quase todas suas vidas tentando provar a inocência dos entes queridos.

Mais do que isso, eles lutaram 25 anos para mudar o veredito do julgamento do caso de 1991, que determinou que a tragédia de Hillsborough foi “acidental”. Em 2016, foi provado que não foi um acidente, mas sim negligência dos organizadores daquela partida entre Liverpool e Nottingham Forest. Até hoje, rivais usam o episódio como “provocação” à torcida dos Reds, que jamais se esquecerão da dolorosa verdade.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus Cristianini

Formado em Jornalismo pela Unesp, é apaixonado por esportes, acima de tudo futebol. Ama escrever sobre o que acontece dentro e fora de campo. Após passar por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia, se juntou à equipe da Trivela com muita vontade de continuar crescendo.
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