A decepção do Arsenal foi o alívio do Liverpool, mas ninguém saiu feliz
Parecia que havia chegado a hora de o Arsenal quebrar um jejum recente incômodo. Em mais de um ano de Campeonato Inglês, havia vencido um único confronto direto contra os principais rivais, 1 a 0 contra o Tottenham, em março. Antes disso, havia sido justamente o Liverpool o último grande a ser batido pelos comandados de Wenger. O placar apontava 2 a 1 para os visitantes em Anfield Road, aos 51 minutos do segundo tempo, quando Skrtel decolou da entrada da área e, com a cabeça enfaixada, estufou as redes para empatar.
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Os acréscimos do árbitro Michael Oliver foram inflados justamente pelo atendimento médico ao zagueiro do Liverpool. A partida foi até os 54 minutos. Tempo extra no qual ficou claro o desespero dos anfitriões para não perder outro clássico. Nesta Premier League, foram derrotados por Manchester City, Manchester United e Chelsea. O Arsenal empatou com Tottenham e City e perdeu dos outros dois grandes. Pensando bem, o encontro entre dois times com sérios problemas em confrontos diretos não poderia ter outro resultado.
Aos visitantes, resta o empate fora de casa. Aos anfitriões, a injeção de ânimo de empatar um jogo difícil nos últimos segundos e o alívio de não perder de novo. Mas, no final das contas, acabou sendo ruim para ambos. Nenhum conseguiu aquela grande vitória que enche os jogadores de moral, nem tirar um ponto importante de um possível adversário por vaga na próxima Champions League. Também não se aproximaram como deveriam do quarto lugar, o West Ham, com 31 pontos. O Arsenal tem 27 pontos, em sexto, e o Liverpool, 22, em 10º. Ao menos, foi um ótimo jogo de se assistir.
Brendan Rodgers mudou o esquema tático para o clássico contra o Manchester United. Na falta de bons zagueiros, decidiu escalar três mais ou menos para ver se alcançava a tão sonhada solidez defensiva. Perdeu por 3 a 0, com erros de posicionamento e de marcação escandalosos. Mas viu pontos positivos, principalmente no ataque. De Gea saiu de campo como um herói pelo número de boas defesas que executou. Decidiu apostar na nova formação e ganhou sem problemas do Bornemouth, pela Capital One Cup, três dias depois.

Contra o Arsenal, a mesma coisa. Três zagueiros, Henderson pela ala direita, Markovic na esquerda, Lucas e Gerrard como volantes, Coutinho e Lallana armando para Sterling. Um 3-6-1 sem centroavante e com movimentação. Deu muito certo no primeiro tempo. Chegou a ter 80% de posse de bola e exerceu uma pressão constante ao gol de Szczesny, embora não tenha criado muitas chances. O melhor finalizador em campo era o capitão, jogando mais recuado.
O mapa da mina era o buraco entre Debuchy, zagueiro improvisado pela direita na defesa do Arsenal, e Calum Chambers, jovem e inexperiente. Lalana fez boa jogada por ali e criou a primeira grande oportunidade, um chute desviado por Szczesny. Quem deitou e rolou pelo setor foi Markovic, jovem, rápido e ainda muito incompetente na hora de chutar para o gol. Ficou cara a cara com o goleiro e tentou marcar de biquinho. Não conseguiu. Pegou de primeira, tentando colocar aquela curva deliciosa que faz a bola entrar no ângulo e deslizar pelas redes. Falhou.
O Arsenal havia dado um único chute a gol, com Giroud, para fora, e o gol do Liverpool ou o castigo pelas chances desperdiçadas pareciam uma questão de tempo. O alívio veio com Coutinho. Talentoso, mas ainda muito jovem, o brasileiro oscila bastante. Quando o desempenho do time cai, costuma despencar. Quando melhora, fica mais à vontade. Pois recebeu na entrada da área, limpou com rapidez para a perna direita e bateu cruzado. A bola ainda resvalou na trave antes de entrar.
Uma vitória importantíssima para o Liverpool parecia encaminhada. Era apenas manter a posse de bola, não reduzir a pressão e comemorar os três pontos na ceia de Natal. Mas a defesa, com dois, três ou sete zagueiros, nunca permite que o torcedor fique tranquilo. Um minuto depois, a bola passou pela área de Brad Jones e não ocorreu a ninguém tirá-la dali. Flamini, portanto, cabeceou para a segunda trave, onde Debuchy estava pronto para empurrá-la às redes. Apesar da pressão do time da casa, o jogo foi ao intervalo empatado.
Não ficou assim por muito tempo. O Liverpool teve uma boa chance em uma patacoada de Szczesny, que inexplicavelmente saiu da área para tentar cortar uma bola que estava sob os olhares de um de seus zagueiros, chegou atrasado e permitiu que Sterling roubasse. Da ponta esquerda, cruzou para Gerrard, que se abaixou para cabecear, mas mandou por cima do travessão. A partida estava um pouquinho mais equilibrada, e ultimamente isso parece ser o bastante para a defesa do Liverpool esfalecer. Dentro da grande da área do adversário, Giroud praticamente não teve que se mexer. Recebeu o passe, tocou de primeira para Cazorla na linha de fundo, recebeu de volta e empurrou para o gol. Sem ser incomodado.
O Arsenal, mais experiente e tranquilo, menos pressionado que o adversário (acredite se quiser), manteve a cabeça calma e tentou administrar o resto da partida. O Liverpool, nervoso, começou a se afobar. Lançou mais, buscou mais jogadas individuais e chutes sem espaço. O melhor que conseguiu foi uma cabeçada de Borini, após jogada de Sterling pela esquerda, muito bem interrompida por Szczesny.
O italiano foi o símbolo do nervosismo do Liverpool ao ser expulso com dois cartões amarelos em um intervalo de dois minutos. O primeiro, bobo demais, por reclamação, depois de jogar a bola ao chão com violência. O segundo foi um prêmio por ter conseguido acertar o coração do adversário com o pé direito. Mesmo com um a menos, a pressão do Liverpool se manteve. A três minutos do fim, Lallana cobrou escanteio na área, e Skrtel completou. Sem calma para trocar passes, teria que ser assim mesmo. E no final, entre mortos e feridos, não se salvou ninguém.

Destaque do jogo
Às vezes, a impressão é que Sterling joga sozinho no ataque do Liverpool. Como atacante mais avançado, movimentou por todos os setores, criou oportunidades e finalizou sempre que possível. Foi insuficiente para um resultado melhor, mas evolui a cada rodada.
Momento-chave
O Liverpool estava pronto para ir ao intervalo com a vitória parcial, mas Debuchy não deixou. O empate apenas segundos depois do placar ser aberto foi um golpe duro na moral do time da casa, que não conseguiu manter a mesma pressão depois do intervalo.
Os gols
44’/1T – GOL DO LIVERPOOL! Coutinho recebe na entrada da área, limpa a defesa para a direita, chuta cruzado e acerta o pé da trave. A bola segue o caminho que ele queria depois disso e entra no gol.
45’/1T – GOL DO ARSENAL! Bola alçada na área do Liverpool, ninguém afasta, Flaminin cabeceia para a segunda trave, onde Debuchy completa para o gol.
19’/2T – GOL DO ARSENAL! Giroud recebe na área, dá um tapa para Cazorla e recebe de volta, livre para virar o jogo.
51’/2T – GOL DO LIVERPOOL! Skrtel completa escanteio cobrado por Lallana e empata para o Liverpool.
Curiosidade
Gerrard chegou a 492 jogos pelo Liverpool e chegou ao terceiro lugar na lista de jogadores que mais vezes vestiram a camisa vermelha, atrás de Jamie Carragher (508) e Ian Callaghan (640).
Ficha técnica
Liverpool 2 x 2 Arsenal
Liverpool
Brad Jones; Kolo Touré (Rickie Lambert, 36’/2T), Mamadou Sakho e Martin Skrtel; Jordan Henderson, Steven Gerrard, Lucas Leiva e Lazar Markovic (Fabio Borini, 29’/2T); Coutinho, Lallana e Sterling. Técnico: Brendan Rodgers
Arsenal
Szczesny; Chambers, Debuchy, Mertesacker e Gibbs; Flamini, Alex Oxlade-Chamberlain (Joel Campbell, 45/’2T) e Santi Cazorla; Alexis Sánchez (Nacho Monreal, 45’/2T), Danny Welbeck e Olivier Giroud (Francis Coquelin, 37’/2T). Técnico: Arsène Wenger
Local: Estádio Anfield Road, em Liverpool (ING)
Árbitro: Michael Oliver
Gols: Coutinho (44’/1T), Skrtel (51’/2T); Debuchy (45’/1T), Giroud (19’/2T)
Cartões amarelos: Flamini, Debuchy e Cazorla (Arsenal); Borini (Liverpool)
Cartões vermelhos: Borini (Liverpool)
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