Inglaterra

‘Não estamos à altura da história do clube’: o Chelsea desmorona por dentro

Era Boehly é cercada de investimentos em jogadores jovens, mas que não estão dando o resultado esperado

Sucessor de Roman Abramovich no comando do Chelsea, o empresário norte-americano Todd Boehly investiu consideravelmente para fazer dos Blues um time competitivo. Porém, o que se vê em campo é uma equipe totalmente desorganizada e longe dos tempos áureos do clube. Duas vezes campeão da Champions League e por cinco vezes campeão da Premier League, o time de Londres vive o que se pode chamar de recessão esportiva, que nem mesmo o alto valor empregado na equipe foi capaz de evitar.

Maurício Pochettino fez duras críticas a si mesmo e também aos jogadores, após mais uma péssima exibição do Chelsea na temporada. Os Blues foram goleados pelo Wolverhampton, em pleno Stamford Bridge pelo placar de 4 x 2, com direito a um hat-trick do brasileiro Matheus Cunha. O treinador foi claro ao dizer que o desempenho em campo não reflete a grandeza do clube e que o futebol apresentado não é bom o suficiente para fazer a equipe reagir e buscar ao menos uma vaga em alguma competição continental ao final do campeonato.

“Não estamos à altura da história do clube. Temos que aceitar isso e ser críticos. Eu sou o primeiro responsável, mas os jogadores também devem assumir a sua responsabilidade. Não somos bons o suficiente”, avaliou o treinador.

Erros em contratações atrapalham o planejamento do Chelsea

Na 11ª colocação com 31 pontos, o Chelsea está a 13 pontos de distância da zona de classificação para a Liga Europa e muito mais longe quando falamos em Champions League. Apesar de dominar o mercado de transferências, os Blues tem investido em jogadores jovens, com potencial, mas que de certa forma tem sentido a pressão de jogar a liga mais competitiva da Europa, o que tem refletido no desempenho esportivo do clube nos últimos dois anos.

Graham Potter, treinador que antecedeu Pochettino, avaliou que a falta de resultados de sua gestão estava relacionada a um processo complicado de renovação de elenco. Os jogadores mais jovens não estavam conseguindo se adaptar ao modelo de jogo pedido pelo futebol inglês, o que causou muita oscilação durante a temporada inteira.

Em 2022/2023, o Chelsea despendeu nada mais nada menos do que 611, 5 milhões de euros nas contratações de Enzo Fernández, Fofana, Mudryk, Cucurella, Sterling, Badiashile e Koulibaly, porém terminou a Premier league na 12ª colocação, fora de qualquer competição europeia.

“Não acho que o problema seja meu. Estamos em um período difícil, integrando muitos jogadores jovens ao Premier”, afirmou Graham Potter na época.

Mudanças no comando técnico também atrapalham

A cultura do futebol brasileiro em demitir treinadores após um curto período parece ter chegado no Chelsea. Durante a era Boehly, ao menos cinco treinadores já passaram pelos Blues. Tuchel, campeão da Champions League em 2020/2021, Graham Potter, Bruno Santor Grau, Lampard e agora Pochettino. Além disso, a troca constante de jogadores faz com que o time não tenha tempo o suficiente para trabalhar a sua identidade de jogo, foram 50 saídas e 28 contratações em um ano e meio de gestão Todd Boehly.

Um planejamento totalmente errado, que fez com que o elenco do Chelsea chegasse a ter somente um atacante de ofício e quatro goleiros. Tais erros não são perdoados em uma liga tão disputada como a Premier League. Nas últimas duas temporadas, os Blues perderam nada mais nada menos do que 30 jogos de 81 disputados. Quase metade dos confrontos, número considerado alto para um time acostumado a conquistas, mas que parece que se perdeu em sua própria capacidade de investimento.

Gary Neville, ídolo do Manchester United, atualmente é comentarista da Sky Sports e falou sobre este momento conturbado do Chelsea, afirmando que o clube se acostumou a perder e que Todd Boehly é o grande responsável por este caos esportivo vivido pelo clube londrino.

“Nos últimos 12 e 18 meses houve um problema de cultura de clube. Eles estão arruinando jogadores que foram contratados como bons jogadores de futebol. Boehly criou este desastre. Eles se acostumaram a perder.  Foram derrotados em 30 jogos dos 81 disputados nas duas últimas temporadas sob o domínio do empresário norte-americano. Um drama”, disse o comentarista.

Juventude do elenco do Chelsea tem pesado em momentos cruciais

Mauricio Pochettino deixou claro após a derrota para o Wolverhampton que sua paciência está se esgotando dentro do Chelsea. O treinador entende que o projeto implementado pelos Blues, de contratar jovens jogadores, é um trabalho interessante a longo prazo. Porém, os resultados em campo não aparecem e o desempenho dos atletas não justifica tamanho investimento feito nos jogadores, o que tem atrapalhado o trabalho do treinador, que teme não conseguir se manter no comando do time se a equipe não reagir.

“É um projeto diferente e é uma questão de tempo, mas é difícil para mim dizer sempre que precisamos de tempo, tempo e tempo. A paciência não é infinita. (Os jovens) estão tendo dificuldade em se adaptar”, revelou Pochettino.

Caicedo foi a segunda contratação mais cara na história da Premier League depois de Declan Rice. Apesar de todos reconhecerem o potencial do equatoriano, o mesmo não tem conseguido se acostumar à intensidade e velocidade do futebol inglês. Assim como Mudryk. Jogador contratado com status de craque e que mal entra em campo pelo Chelsea na atual temporada. As jovens promessas dos Blues tem desmoronado junto do tie em meio à tanta pressão por resultados e pela retomada do protagonismo no cenário internacional.

Um dos mais experientes do elenco é Thiago Silva. O zagueiro de 39 é uma referência de liderança em campo, mas está sozinho para tentar contribuir com um time que tem em Cole Palmer, artilheiro da equipe com 12 gols, uma única esperança de dias melhores, pouco para um clube tão acostumado a vencer nos últimos anos.

 “Quando nos adaptamos, começamos a ficar nervosos e não lidamos bem com o estresse”, complementa o técnico argentino.

A falta de experiência em campo tem cobrado o seu preço. O Chelsea mais sofreu do que marcou gols esta temporada. Foram 39 sofridos diante de 38 marcados. Desde 1989 o time não sofria duas derrotas consecutivas, sofrendo quatro gols. Além da derrota para o Wolverhampton por 4 x 2 na última rodada, o time londrino foi goleado pelo Liverpool por 4 x 1 na rodada anterior. O clube londrino também tem mais derrotas do que vitórias. São dez jogos perdidos e apenas nove triunfos.

Ao que tudo indica, o Chelsea está prestes a deixar de disputar competições continentais por mais uma temporada, mais um ponto negativo da gestão de Todd Boehly. Na era Abramovich, os Blues ficaram de fora da Champions League somente em uma oportunidade, em 2016/2017, o que pesa ainda mais em relação ao trabalho do empresário norte-americano.

Em 2022/2023, o Chelsea terminou na 13ª colocação da Premier League, pior colocação do time desde a temporada 1993/1994 e vão repetir o fracasso do período entre 1995 e 1997, quando ficaram de fora de todas as competições europeias de forma consecutiva, em uma época diferente, na qual o clube não detinha tanto poderio financeiro.

Pochettino se lamenta com o torcedor e vai buscar o título da Copa da Liga

O técnico argentino do Chelsea está na corda bamba e sua manutenção no cargo se dá única e exclusivamente por conta da sua alta multa rescisória, na casa dos 12 milhões de euros. Caso a diretoria do time londrino venha demiti-lo antes do fim de seu contrato, violaria as regras de Fair Play Financeiro, deixando a situação do clube ainda mais delicada.

“Estou muito decepcionado, peço desculpas aos torcedores. Jogamos nervosos, tomamos decisões precipitadas e precisamos recomeçar. Não podemos desistir”, lamenta Pochettino.

Resta ao Chelsea disputa da final da Copa da Liga Inglesa diante do Liverpool no dia 25 de fevereiro em Wembley, uma das poucas chances reais que o time londrino tem de conquistar algum título nesta temporada. Caso vença, vão se classificar para a Conference League e terão ao menos uma competição continental para disputar, caso contrário, restaria apenas a disputa da Copa da Inglaterra diante do Aston Villa para salvar um ano conturbado.

Foto de Lucas de Souza

Lucas de Souza

Existe um ditado que diz que o bom filho a casa retorna não é? Pois bem, sou Lucas de Souza, redator e repórter do Futebol na Veia, de volta ao site após quatro anos, e agora redator do Trivela, um dos maiores portais de futebol do Brasil. Sou jornalista, especializado em Marketing digital e narrador do Portal Futebol Interior e também da RP2Marketing.
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