Abramovich dá adeus ao Chelsea e relembra período glorioso à frente do clube
Magnata russo dará lugar ao Consórcio Clearlake, um grupo americano de investimentos
O dinheiro não compra a felicidade, mas paga muitas coisas que nos deixam bem perto dela. Em um mundo capitalista regido pela força da grana, Roman Abramovich patrocinou a felicidade de uma torcida específica na Inglaterra: a do Chelsea. Nesse intervalo, pode ser que o russo também tenha patrocinado, com equipamentos militares, a guerra na Ucrânia. Mas esse é só um mero detalhe na sua controversa trajetória.
Milionário que praticamente iniciou a era de investimentos estrangeiros na Premier League no início dos anos 2000, Abramovich impulsionou o Chelsea em uma missão de consolidação nacional e internacional. Foi com esse dinheiro que os Blues se transformaram em uma potência, escorando o sucesso em estrelas vindas de outras ligas. Quase vinte anos depois, o clube acumulou títulos ingleses e levantou duas vezes a taça da Liga dos Campeões, que era o grande objetivo de Abramovich. E foi forçado a procurar outro dono, por conta do envolvimento de Roman na guerra entre Rússia e Ucrânia.
O novo dono do Chelsea tem nome: Todd Boehly, norte-americano que tem envolvimento com o time de beisebol, o LA Dodgers. Diante da iminência da passagem de bastão, Abramovich deixou uma carta aos seus torcedores, reforçando os laços criados, via nota oficial no site dos Blues. Nela, o magnata relembra a ascensão veloz da equipe, que conquistou o mundo em seu último ano no cargo.
“Ter sido dono deste clube me trouxe grandes responsabilidades. Desde que cheguei ao Chelsea, quase 20 anos atrás, percebi rapidamente o que poderíamos alcançar. Meu objetivo era garantir que o próximo dono tivesse uma mentalidade vencedora, passando pelos times masculino e feminino, bem como continuar com o desenvolvimento de outros pontos-chave do clube, como a nossa base e o trabalho vital que a Chelsea Foundation promove. Estou muito orgulhoso de ver que essa busca chegou a um desfecho bem sucedido. Enquanto entrego o Chelsea a seus novos donos, gostaria de desejá-los toda a sorte do mundo, dentro e fora de campo. Foi uma honra que marcou a minha vida estar envolvido nessa história. Agradeço imensamente aos jogadores e pessoas que fizeram parte disso, e claro, à torcida, por esses anos incríveis. Milhões de pessoas serão beneficiadas pela nossa instituição de caridade que está sendo estabelecida. É esse o legado que criamos juntos”, afirmou Abramovich.
É verdade que o Chelsea era um em 2003, e hoje é outra coisa completamente diferente, muito por colaboração direta da gestão Abramovich. Mas a circunstância na qual o russo se afastou da equipe se impõe diante da questão desportiva. E talvez isso traga um gosto amargo para quem quer que se lembre de Roman de agora em diante. O Chelsea provavelmente seguirá grande nas mãos de Boehly e qualquer previsão desastrosa que se faça disso é mero alarmismo. Resta apenas saber se a ambição será a mesma dos últimos 19 anos.



