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Jogamos: Konami ouve a comunidade e versão 1.0 do eFootball traz muitos elementos de PES e Winning Eleven

Em teste fechado, a Trivela teve acesso ao eFootball que enfim terá a sua versão 1.0 lançada e mudanças devem agradar a comunidade de fãs do jogo

A Konami enfim irá lançar a versão 1.0 do eFootball na próxima quinta-feira, dia 14, como falamos aqui, a sua franquia de games de futebol, depois do desastre que vimos em 2021 com o lançamento de um jogo inacabado. A Trivela teve a chance de testar rapidamente a nova versão e sentir as mudanças do jogo. E o que podemos dizer é que as notícias são boas para os fãs da franquia – ao menos se estamos pensando em PES e Winning Eleven. A principal novidade é que há uma nova gameplay, que traz elementos que lembram muito as séries clássicas, porque a empresa japonesa fez algo fundamental: ouviu a sua comunidade de jogadores.

Prelúdio

O lançamento que aconteceu em outubro de 2021 ficou muito aquém do esperado para uma franquia tão respeitada quanto PES e Winning Eleven. No nosso review, dissemos que o eFootball era uma demo lançada que não respeita o futebol da Konami, uma empresa que já tem um grande histórico com games de futebol, como mostramos na série Gamepédia.

Todas as versões anteriores eram uma espécie de demo e uma demo que pareceu piorar o que havia na versão anterior, o PES 2021. Vendo o desastre que foi o lançamento, a Konami adiou a atualização que consertaria os bugs do jogo, diante do tamanho das modificações necessárias. As primeiras correções chegaram em novembro, mas só amenizaram um jogo que continuava ruim. A expectativa, então, ficou muito baixa. Era difícil imaginar que o jogo fosse consertado.

De volta para o futuro

Para que o eFootball se tornasse um bom jogo, seria preciso criar um novo jogo. Foi isso que a Konami tentou fazer. Bom, mais ou menos. A empresa sabia que tinha decepcionado as pessoas, especialmente a sua comunidade de apaixonados pelo jogo. Por isso, a empresa japonesa sabia o que tinha que fazer: ouvir seus fãs.

Deu para notar isso nos cerca de 15 minutos e um amistoso disputado contra Bruno Silva, do Tangerina, do UOL, que acabou na nossa derrota por 1 a 0 por uma falha terrível de passe que entregou a paçoca logo no começo do jogo. A primeira impressão é que aquele visual horroroso, que parecia um jogo de futebol misturado a monstros de um filme de terror, se foi. O teste foi feito em Playstation 5 e o gráfico mostrou estar muito melhor. O uso da plataforma Unreal Engine, enfim, apareceu como se esperava.

O Camp Nou, estádio onde fizemos a partida virtual, estava impecável e o visual dos jogadores muito melhor trabalhado. Parecia um jogo de nova geração, não mais uma versão ruim de um jogo do passado. Isso também vale para os movimentos dos jogadores, que parecem mais realistas se comparado àquele que vimos em outubro do último ano, com jogadores parecendo bonecos de pano. Agora, parece tudo mais natural.

O eFootball continua um jogo lento se comparado ao FIFA da EA Sports, mas ao menos agora parece um jogo de futebol e, só de jogar, dá para sentir que o estilo se parece muito mais com o PES que estávamos acostumados, e até com algo de Winning Eleven. Esses jogos sempre tiveram uma característica de passe forte – ainda que tenha vivido momentos de velocidade alucinante também, mas já não era assim há alguns anos na franquia PES. Este segue essa tendência mais recente de um jogo mais cadenciado.

Se o FIFA é um jogo que se baseia na velocidade, este eFootball 1.0 tem como base os passes. Se você não usa bem esse recurso, estará em maus lençóis. No teste que fiz, escolhi o Barcelona por dois motivos: primeiro, porque queria ver como se sairia um jogador rápido como Ousmane Dembélé no jogo. No Fifa, ele é praticamente imparável pela sua velocidade incrível. Outro jogador que queria testar era Sergio Busquets. No FIFA, ele é um jogador praticamente inútil, porque é muito lento. Sem velocidade, nenhum jogador no game da EA Sports é útil.

No eFootball, a sensação com esses dois jogadores é bem diferente. Primeiro, porque ganhar uma disputa apenas na velocidade é mais difícil. Claro que é uma vantagem, especialmente nos movimentos, mas colocar a bola na frente e tentar explorar isso é algo que não parece a melhor ideia. O novo recurso do jogo de corpo é bastante interessante e seu uso pode fazer com que quem queira usar as laterais do campo como pista de corrida acaba batendo no poste. Ou seja: ter um jogador rápido é bom, mas não será o bastante se não for bem usado com outros recursos.

Já com Sergio Busquets, a situação é diferente. O jogo de corpo e a sua altura para o jogo aéreo ajudam, mas nenhuma dessas duas coisas é novidade, já que até no Fifa é possível explorar isso. A diferença aqui é mesmo o passe. Este é um recurso fundamental no eFootball e um jogador de boa qualidade de passe que joga no meio-campo ajuda demais o seu time. Sergio Busquets, portanto, é um jogador muito mais útil nesse jogo do que no Fifa.

Novidades exigem adaptação

As novidades que chegaram com o relançamento são interessantes e adicionam bons elementos ao jogo, mas precisam de adaptação, especialmente se você está acostumado com o Fifa. Mais do que isso: você precisa saber a hora de usar esses recursos, porque se não você criará problemas para o seu time.

Os Stunning Kicks (em português veio como “Passe fenomenal”) é um recurso bem interessante para dar mais precisão nos passes e também nos chutes. Ele chegou porque a empresa ouviu da comunidade que muitos passes saíam fracos demais e aconteciam muitos erros não forçados por culpa do próprio jogo.

Usar o Stunning Kick, ou Passe Fenomenal, não é para qualquer momento. Ele é feito apertando R2/RT e te dá uma precisão maior. Ele exige mais tempo e espaço, então você não deve usar, por exemplo, quando receber de costas dentro da área, ou em um local do campo onde a marcação esteja apertada. Serve bem quando você acha aquele com espaço, que tem condições de fazer um passe ou um chute mais preciso. É preciso usar com inteligência, porque ao acionar, seu jogador fica mais vulnerável para um desarme, por exemplo.

Um ponto interessante é a volta da pressão. Tanto para marcar com o jogador que você está controlando quanto para pedir para os jogadores controlados pelo computador façam pressão no jogador com a bola ao apertar o R1. Lembra muito o que se fazia no Winning Eleven e no próprio PES,mas aprimorado. E está de volta o famoso 1-2, ou tabelinha, que chamaram neste lançamento de “Pass and run”. O que é interessante é que você pode usar esse recurso para enganar a defesa e só arrastar a marcação para abrir espaço para um chute ou assistência. Nada inovador, mas bem útil.

Por fim, mas não menos importante: o jogo de corpo. É bem mais interessante como recurso agora, porque você pode desequilibrar um jogador rival, sem falta, se dividir a bola com força ou mesmo se fizer um jogo de corpo bem feito. É algo que dá mais realismo ao jogo e também é um recurso que impede que aquele jogador que coloca um corredor na ponta possa fazer o que quiser sem ser incomodado. Quer correr? Precisa driblar primeiro, ou então encontrar espaço.

Dream Team ou Time ideal

O antigo MyClub não existe mais e deu lugar a um modo de jogo chamado Dream Team, ou, em português, Time Ideal. A ideia é similar ao Ultimate Team, do Fifa, mas Robbye Ron, gerente de eFootball para as Américas, disse que uma coisa é certa: gastar dinheiro para montar o seu time terá menos peso. Isso porque não será possível comprar os jogadores da categoria padrão (ou standard) e, além disso, você poderá evoluir esses jogadores de cartas comuns em até 29 níveis. O que significa que um jogador pode chegar até você com uma pontuação, mas você melhorá-lo até chegar a um nível bem mais alto. As cartas standard só poderão ser compradas com Game Points, os GPs, que precisarão ser conquistados no jogo.

As cartas especiais, com lendas do futebol, poderão ser compradas. Há outras categorias de cartas, tal qual existe no Fifa. Há a promessa de uma grande competição em e-sports também, que manterá o seu time em uma liga mundial de eFootball, mas isso ainda precisamos ver na prática como funciona.

Um ponto negativo é que ainda não sabemos se haverá um modo carreira, o antigo Master League. Segundo a Konami nos informou, há precisão de lançamentos de novos modos de jogo e novidades contínuas no jogo, mas, neste primeiro momento, não haverá possibilidade de um jogo no estilo modo carreira, com a tradicional Master League. Esperamos que isso mude, porque esse é, na opinião deste que vos escreve, o melhor modo de jogo dos antigos PES e Winning Eleven.

De qualquer forma, a impressão que aqueles minutos jogando eFootball me deixaram é que é um jogo que dá vontade de jogar mais. Na primeira vez que testei o eFootball, no lançamento, em outubro, terminar aquela partida teste já foi um pouco demais. Desta vez, lamentei quando o juiz levantou o braço e apontou o centro de campo. A vontade era mais uma partida – até para ter a revanche, afinal, quem é que gosta de perder? Mas certamente vale dar uma nova chance ao eFootball. Posso dizer que estou ansioso para jogar novamente na quinta-feira e já vou deixar pronto para baixar no meu console.

Abaixo você pode ver uma gameplay de um canal que também jogou esta versão. Como não pudemos gravar o vídeo ao jogar, dá uma ideia do que vem por aí:

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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