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Gamepédia do Futebol – #22 Libero Grande

Muito antes dos títulos atuais, este jogo foi o pioneiro na ideia de controlar apenas um jogador e tornar este modo uma experiência imersiva

O 22º episódio da Gamepédia, a enciclopédia de games de futebol, trata do jogo que iniciou um movimento que hoje torna possível ter 22 jogadores, cada um controlando um avatar, se enfrentando em ambiente digital. Em 2007, a EA Sports implementou no FIFA 2008 a possibilidade de controlar apenas um jogador no modo “Be a Pro” e depois expandiu para o “Carreira” e para o “Pro Clubs”. No ano seguinte, a Konami implementou em Pro Evolution Soccer o “Become a Legend”. Antes das líderes de mercado, a Namco imaginou um novo enfoque para os simuladores de futebol e desenvolveu o histórico Libero Grande!

Fundada em 1955 por Masaya Nakamura, a Nakamura Seisakusho iniciou suas operações como produtora de arcades e brinquedos eletrônicos à ficha. Quatro anos depois, ela foi renomeada como Nakamura Manufacturing e, em 1971, começou a utilizar o famoso acrônimo “Namco”. Três anos depois, em 1974, a empresa adquiriu a divisão japonesa da Atari e passou a desenvolver seus próprios jogos eletrônicos, como o Pac-Man. Enquanto outra empresa japonesa, a Konami, construía seus principais títulos de futebol, a Namco trouxe uma nova perspectiva para os gramados digitais em 1997.

Libero Grande é um jogo tridimensional, com dinâmica mista – alternando entre horizontal e vertical de acordo com o posicionamento da bola – com visão lateral e diferentes enquadramentos de câmera, mas sempre buscando focar no personagem selecionado. Lançado inicialmente para arcades, o simulador foi adaptado para o Playstation em 1998, adicionando alguns modos de jogo, tais quais copa, liga e um desafio de habilidades em que o jogador era desafiado a cumprir metas específicas, como acertar a bola no alvo ou fazer um lançamento na meta. O acervo de seleção apresenta 48 esquadrões, mas que se limita a 32 opções jogáveis de acordo com a versão do jogo em cada mercado.

A relevância da franquia gira em torno da tentativa de recriar a experiência da prática do futebol, ao possibilitar o controle de apenas um jogador no gramado. Esta imersão faz com que o controlador tenha que compreender as funções de cada posição nos momentos ofensivo e defensivo. Para acompanhar a partida, a câmera foca o jogador selecionado e o coloca em perspectiva quanto à bola. Logo, apesar da dinâmica ser majoritariamente vertical, em algumas posições como o meio campo, a câmera vai aproximando ou girando de acordo com onde a bola está. É basicamente o que você faz enquanto joga a sua pelada.

Como não tinha as licenças de uso da imagem dos jogadores, Libero Grande driblava a dificuldade fazendo alusão física e mantendo as iniciais dos nomes. Assim, Ryan Giggs virou Robin Garrick, Alessandro Del Piero tornou-se Antonio Del Pacino, Zinedine Zidane era Zenon Zadkine e Gabriel Batistuta atendia por Gaston Balmaceda. Como as habilidades de cada jogador também eram individualizadas e buscavam reproduzir o desempenho deles no mundo real, era possível se imaginar sendo um dos seus atletas favoritos e ter uma ideia de como seria a perspectiva dele atuando em uma partida.

A jogabilidade pode ser dividida em duas partes: controles e gameplay. Se por um lado o jogo tinha a pegada arcade e até demonstrava na tela quais as ações disponíveis para o momento, por outro a inteligência artificial do jogo era muito limitada e a movimentação do boneco bem limitada. Por exemplo, você não consegue correr e mudar de direção em Libero Grande. Em compensação, o aspecto simples e autoexplicativo aproxima o jogador casual e faz com que o game entregue uma boa experiência de diversão com uma boa parcela de realismo e imersão.

Em termos gráficos, o título da Namco tinha uma boa entrega para a era de 32 bits e os jogadores poligonais apresentam boas proporções e estrutura buscando realismo. A ambientação do estádio também é um show à parte em Libero Grande. Apesar dos campos serem relativamente pequenos em comparação aos avatares, o tamanho das arenas é impactante e dá uma noção do impacto das arquibancadas dentro do campo. As animações dos torcedores também são muito boas para a época, com sonorização ótima dos cânticos e até saltos em determinados momentos da partida.

Bem recebido pela crítica e pelo público, Libero Grande só não foi um sucesso devido ao grande números de concorrentes à altura. Além do ótimo FIFA 98 e as constantes tentativas da Konami com International Superstar Soccer e Winning Eleven, a EA Sports também adquiriu os direitos da Copa do Mundo e lançou World Cup 98. Ainda assim, a importância do jogo da Namco é notável, tanto que tanto FIFA, com “Be a Pro” e hoje “Pro Clubs”, e Pro Evolution Soccer, com “Become a Legend”, adicionaram modos similares à experiência entregue pelo antecessor.

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João Belline

Jornalista de formação, louco dos esportes por opção. Depois de muito escalar Cartola, jogar Winning Eleven, escrever escalação dos sonhos no caderno e topar o dedão na rua, falar sobre futebol virou uma necessidade. É mais um leitor que buscou espaço no time da Trivela e entende que futebol está acima do clube.

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