Como a venda de times femininos na Premier League pode impactar a modalidade?
Venda do Aston Villa e do Chelsea chamou atenção para possíveis impactos da modalidade no país
A venda de times femininos para driblar o fair play da Premier League tem chamado atenção e deixado torcedores do futebol de mulheres apreensivos sobre os rumos das equipes, já que o movimento vai de encontro à crescente da modalidade.
De acordo com a ex-CEO do Lewes FC, Maggie Murphy, ouvida pelo “The Athletic”, existe a possibilidade de melhoria para os clubes femininos, tornando as equipes em “negócios viáveis” a partir da propriedade da infraestrutura.
— Se uma equipe feminina possui (seu próprio estádio), isso significa que você aumentou completamente sua capacidade de gerar receita — diz Murphy ao “The Athletic”.
Isso incluiria, ainda segundo a reportagem, a possibilidade de fechar negócios com marcas que tem interesse apenas no futebol feminino e os seus torcedores. Como no caso do Manchester City recentemente fez uma parceria com uma marca de “calças menstruais” (snuggs). Contudo, não é possível prever como as novas gestões dos clubes utilizarão essa possibilidade para impulsionar as equipes.
Venda do Chelsea e Aston Villa causaram alerta
O Chelsea foi um dos pioneiros. No ano passado, o clube fechou um acordo robusto faltando apenas dois dias para o fim do período contábil de 2023/24, com a venda por 200 milhões de libras (R$ 1,4 bilhão).
A equipe deixou de ser dirigida pela Chelsea FC Holdings, empresa que abriga as operações do clube, e passou a ser comandada pela Blueco 22 Midco Limited, subsidiária da Blueco 22 Limited, empresa controladora do clube.
O acordo rendeu aos Blues 198,7 milhões de libras de lucro em suas contas de 2023-24. Antes, o patrimônio líquido da CFWC era de apenas 1,3 milhão de libras.
O caso mais recente aconteceu após a venda do Aston Villa, da brasileira Gabi Nunes, para a empresa V Sports, dos empresários Wes Edens e Nassef Sawiris, os proprietários do próprio clube.

De acordo com o “The Athletic”, uma participação minoritária nas operações do time feminino foi também foi adquirida por novos investidores dos EUA. O valor da venda ainda é desconhecido, mas acredita-se que gira em torno de 55 milhões de libras (aproximadamente R$ 406 milhões). Com a venda das Villans, os dirigentes esperam não precisar liberar estrelas do time masculino como Morgan Rogers e Ollie Watkins.
As regras da Premier League determinam que os clubes podem registrar prejuízo de 105 milhões de libras em um período de três anos, entretanto, os Villans já acumulam perda de 195 milhões de libras nos últimos dois anos.
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Como os times podem vender as equipes femininas?
De acordo com o “The Athletic” Chelsea e Aston Villa conseguiram realizar negociações para venda em virtude da forma como suas equipes femininas se encaixam nas estruturas jurídicas referentes a cada clube.
No caso do Chelsea, a venda intragrupo ajudou os Blues a sair de um suposto rombo nas suas contas. Sem o lucro de 198,7 milhões de libras do negócio, o Chelsea teria perdido 70,3 milhões de libras em 2023-24 e violado as regras financeiras da Premier League.
O benefício da venda não se restringe a um único ano. O lucro antes dos impostos de 128,4 milhões de libras do Chelsea no ano passado permanece dentro do cálculo de três anos até o final da temporada 2025-26.
Os mesmos pontos se aplicam amplamente ao Aston Villa. Com a venda do time feminino em 30 de junho, os recursos e o lucro podem ser contabilizados nos números de 2024-25.
Ainda segundo o jornal, o Aston Villa, foi o clube da Premier League com maior risco de violação do fair play neste ano. Contudo, a venda da equipe feminina garantiu que a violação não ocorresse, usando o lucro da transação em cada uma das próximas duas temporadas.




