Aston Villa usa venda do time feminino para driblar punição por Fair Play Financeiro
Clube de Birmingham visa equilibrar contas e usa mesma 'brecha' adotada pelo Chelsea; equipe também mira rescisão com Philippe Coutinho
O Aston Villa está prestes a vender o time feminino para a empresa V Sports, dos empresários Wes Edens e Nassef Sawiris, justamente os proprietários do clube. A companhia também tem parte do Vitória de Guimarães, de Portugal, e do espanhol Real Unión.
O mecanismo de negociar a divisão feminina para os próprios controladores dos Villans serve para se adequar às regras de sustentabilidade financeira (fair play) da Premier League e deve permitir ao time manter os principais jogadores, segundo informações do jornal “The Guardian”.
Caso a venda seja concretizada, será “impulso significativo” aos cálculos de fair play financeiro, e o grupo agora foca em acertar os detalhes para incluir a transação nas contas da temporada 2024/25. Para isso, é preciso que haja acordo até esta segunda-feira (30) — mesmo que a assinatura só ocorra após esse período.
Vender time feminino e rescindir com Philippe Coutinho: as prioridades do Aston Villa

As Villans terminaram a Women’s Super League (WSL), o Campeonato Inglês de futebol feminino, em 6º lugar, e têm a brasileira Gabi Nunes entre as destaques. O time masculino também ficou na 6ª colocação da Premier League e vai disputar a Europa League no ciclo futuro.
Ao abrir mão do controle da equipe feminina, os dirigentes esperam não precisar liberar estrelas como Morgan Rogers e Ollie Watkins do plantel de Unai Emery. Por outro lado, o goleiro Dibu Martínez — maior salário do clube — pode sair.
Outra prioridade é encerrar o vínculo com Philippe Coutinho, que está emprestado ao Vasco até este dia 30 de junho e tem contrato com os Villans por mais uma temporada. Além disso, os executivos esperam negociar o lateral Kaine Kesler-Hayden com o Coventry e o atacante Louie Barry com o Hull City, mas nenhum desses dois casos teria impacto significativo no fair play financeiro.

A situação financeira do clube é complicada há alguns anos, e o diretor de Operações, Damian Vidagany, definiu o cenário como “bomba-relógio”. As regras da Premier League determinam que os clubes podem registrar prejuízo de 105 milhões de libras em um período de três anos, e o time de Birmingham já acumula perda de 195 milhões de libras nos últimos dois anos.
Em 2024, os dirigentes conseguiram livrar a equipe de uma potencial punição ao vender o brasileiro Douglas Luiz à Juventus por 42 milhões de libras (R$ 315,3 milhões) às vésperas do encerramento da data para prestação de contas. O grupo também recusou ofertas por Dibu Martínez e Jacob Ramsey na ocasião.
Para a campanha 2025/26, Emery espera a contratação de reforços, ainda mais com o término do vínculo dos emprestados Marcus Rashford, Marco Asensio e Axel Disasi neste mês de junho.
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Não é só o Villa: ‘Brecha’ da Premier League também foi usada pelo Chelsea
O Villa não é o único a recorrer à tática de vender ativos aos proprietários para ficar em conformidade com normas financeiras da Premier League. Em abril, o relatório do Chelsea evidenciou o lucro líquido de 128,4 milhões de libras (R$ 961,1 milhões) na temporada 2023/24 (até 30 de junho de 2024) em decorrência de vendas de atletas e “reposicionamento” do time feminino.
Em junho de 2024, a equipe feminina foi vendida pelo Chelsea FC Holdings Limited para a BlueCo, consórcio de Todd Boehly, dono do clube. A transação tem participação parcial ou total nos 198,7 milhões de libras (R$ 1,4 bilhão) mencionados como “lucro na venda de subsidiárias” no documento divulgado pelos Blues.
A “manobra” é antiga na Inglaterra, mas causa controvérsias. Em 2022/23, o Chelsea gerou insatisfação em alguns clubes, segundo o “Telegraph”, ao negociar hotéis na região do Stamford Bridge (considerados parte dos ativos de futebol) com a BlueCo e diminuir o prejuízo de 166,4 milhões de libras (R$ 1,2 bilhão) para 89,9 milhões de libras (R$ 675 milhões).
Em junho passado, houve apelo para determinar se as regras deveriam mudar para coibir esse tipo de estratégia, mas apenas 11 membros se mostraram favoráveis à alteração, enquanto o necessário seria 14. A discussão voltou à tona neste ano, e novamente não avançou à votação por não ter apoio da maioria dos clubes da elite inglesa.



